<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317</id><updated>2011-07-28T22:19:38.033+01:00</updated><title type='text'>ágora</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>76</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-1682199752250080714</id><published>2008-04-09T23:42:00.001+01:00</published><updated>2008-04-09T23:46:25.133+01:00</updated><title type='text'>Aldeia global</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do meu local, saúdo todos os locais. Da minha janela, todos os transeuntes. Da minha aldeia, todas as aldeias. De mim, a Humanidade. O que está no alto vê, geograficamente. O que está dentro, profundamente. O que está por cima domina. O que está por dentro é hospede. O movimento histórico é uma queda acelerada uniformemente no plano inclinado do tempo. O tempo dinheiro, os espaços privativos, a Humanidade periférica: milhares de milhão na berma da vida e do ser. A Globalização divisão da Terra por um: Terra nenhuma para o local e toda para o global.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A todos, aos companheiros do estradão da História, à elite eleita pela vida e aos eleitos elegidos por Deus, aos mortos e caídos na berma, aos atropelados, às crianças que morrem secas de seios secos, aos órfãos do ser e do ter, a todos, para quem não há Shakespeare, Deus, Kant, Marx, saúdo. E a ti, Humanidade, minha contemporânea, extemporânea, e a vós, conterrâneos, estrangeiros na própria terra, e concidadãos, em terra de súbditos, saúdo, igualmente. Cidadania e cidadão? Como, se as cidades estão vazias, os subúrbios dormitórios e a ágora sem polémica? O homem universal? Mas alguém sabe de si?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, em verdade vos digo: antes da chegada do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;citoyen du monde&lt;/span&gt;, todos serão escravos pós-modernos. Os empreiteiros do global sempre foram os impérios: local onde os locais desaguam: todos os caminhos vão dar a Roma, toda a pirataria a Londres, todos os mares a Lisboa, toda a barbárie a Berlim, todos os caminhos, mares, céus, barbárie, pirataria e petróleo a Washington. A distância entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mare nostrum&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;full spectrum&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dominance&lt;/span&gt; é a distância entre Roma e Washington. Depois, tudo se esquece e amanhã a História cantará a americanização como hoje, com excepção de Astérix e Obélix, canta a romanização. As histórias aos quadradinhos são bem mais verdadeiras do que a livre. A História tem e cumpre o seu destino: o império global e a dialéctica entre local e global o seu motor. Os homens: obreiros. O intervalo entre os impérios é feito de guerra para chegar a eles. A paz vem com os impérios: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pax romana&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pax americana&lt;/span&gt;. A História, como construção do império global, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;consummata est&lt;/span&gt;: em Washington, a mais ocidental das Babilónias. Em nome da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu, Sócrates, que não és de Atenas nem de Coríntio, de onde és? Atenas histórica deu-te a cicuta, Atenas eterna a eternidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-1682199752250080714?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1682199752250080714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1682199752250080714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/04/aldeia-global.html' title='Aldeia global'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-5488178302706910131</id><published>2008-04-06T21:54:00.000+01:00</published><updated>2008-04-06T21:56:09.666+01:00</updated><title type='text'>REVISÃO DA HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A propósito da passagem de cinco anos sobre o início da Guerra do Iraque, a 20 de Março de 2003, e da Cimeira das Lajes, que a precedeu, a 16 de Março de 2003, anda para aí gente a saber do peso da consciência de Barroso, de Bush, de Aznar e Blair  e dos apoiantes da Guerra. O poder não tem consciência, porque consciência é inacção. Barroso dirá: queria era ver-vos no meu lugar. Uma coisa é estar no palco da história (poder) outra estar na assistência (criticando ou aplaudindo). O ponto bem lhes diz: não foi isso que prometestes, mas fazem ouvidos de mercador. Não é Sócrates? Sem esquerda por onde ir, o homem meteu-se a direito pela primeira rua à direita que lhe apareceu pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os apoiantes entusiastas da guerra (bem piores do que Barroso), que ontem gritaram não ao imperialismo e ao social-fascismo, andam por aí e para aí a dizer coisa sem coisa, e a escrever coisas e loisas, não se dando conta que, apesar da emigração oportuna e oportunista no espectro político, continuam igualzinhos ao passado. Quando se abre a especialidade de psiquiatria política? Enquanto e não, por que razão o (im)paciente Pacheco Pereira não recorre aos serviços do psiquiatra político Alfredo Barroso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A História não é dos vencedores, e muito menos dos vencidos, é da História. É de quem vai à frente e de quem a ele se cola. O nosso caso. A Europa descobriu, tarde, que a América substituiu a colonização geográfica pela económica. A Geografia é a base, melhor, as Bases, distribuídas pelo Mundo, para assegurar o económico. A América conquista pelo económico: todo o mundo quer ser América. O exército é a retaguarda. E onde entra só faz fezes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-5488178302706910131?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5488178302706910131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5488178302706910131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/04/reviso-da-histria_6224.html' title='REVISÃO DA HISTÓRIA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-78426138010927927</id><published>2008-04-06T21:25:00.000+01:00</published><updated>2008-04-06T21:26:59.526+01:00</updated><title type='text'>Apontamentos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1- O socialista Jorge Coelho, na linha de outros políticos do centrão, como Ferreira do Amaral, vai assumir um importante lugar de gestão no maior grupo de construção do País – Mota-Engil –, empresa que integra o sector que tutelou enquanto ministro das Obras Públicas. O ministério, longe de ser um sacerdócio político, é o estágio para a gestão empresarial. Li hoje num diário que 50% das empresas privadas têm ex-políticos como gestores. E por que será, se estão muitas vezes em sectores que não dominam? «Para darem continuidade ao trabalho que iniciaram no governo», responde-me Luís Afonso no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bartoon&lt;/span&gt;. Economicamente, trocar a vida partidária e a “quadratura do círculo” por um lugar de chefia na gestão da Mota-Engil é muito mais aliciante. O dinheiro nunca é demais. Quando ao défice democrático e socialista, outros que tratem dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- O ministro da cultura, Pinto Ribeiro, na apresentação pública do projecto Ruas da Cultura, em Montemor o Velho, defendeu um estudo sobre o valor económico da língua portuguesa. E como quem descobre uma Índia: já pensaram no «valor económico único» de um autor como Fernando Pessoa? Pergunta que não deixa a resposta em boca alheia: «É possível que Pessoa, enquanto produto de exportação, valha mais do que a Portugal Telecom». Isto contado ninguém acreditava. Com o País pelas Ruas da Amargura, o ministro da Cultura vê em Pessoa o filão que pode levar-nos às Ruas da Fartura. Já agora, por que não pôr Pessoa na Bolsa e fazer uma troca entre o ministério da economia e o da cultura? Manuel Pinho passava para a cultura (não são os nossos escritores os verdadeiros empresários?)  e Pinto Ribeiro para a economia (a nossa economia não é um mito?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Paul Ekman, Professor de Psicologia do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, nos EUA, é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;expert&lt;/span&gt; na detecção de mentiras, graças a uma ferramenta que elaborou – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Micro Expression Training Tool &lt;/span&gt;(METT) – que como o nome diz detecta a mentira através da análise das micro expressões faciais. Como não podia deixar de ser, Ekman é consultor do FBI e da Scotland Yard. Em entrevista ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;, de 4 de Abril de 2008, pela sua passagem por Portugal, onde participou no simpósio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquém e Além do Cérebro&lt;/span&gt;, promovido pelo BIAL, no Porto, afirmou que «ninguém votaria num político que não fosse capaz de mentir». Ora aqui está uma janela, como agora sói dizer-se, para lermos atentamente as expressões faciais de Sócrates nas próximas eleições. Contrate-se o homem, já!, para não sermos levados por lorpas, pela segunda vez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-78426138010927927?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/78426138010927927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/78426138010927927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/04/apontamentos.html' title='Apontamentos'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-7288955611468956208</id><published>2008-04-02T23:35:00.001+01:00</published><updated>2008-04-02T23:45:13.753+01:00</updated><title type='text'>Somos todos americanos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Relativamente às posições românticas (para não dizer eleitoralistas) de Obama – que amanhã serão esquecidas, caso chegue à presidência dos EUA –, sobre a guerra do Iraque, e às críticas que ele fez ao candidato republicano McCain, este não só acusou Obama de não conhecer a história militar americana e de nada saber como os EUA exercem a sua esfera de influência, como lho lembrou (e nos lembrou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E preto no branco: «Os Estados Unidos combateram uma guerra contra a Alemanha e o Japão e até aos dias de hoje mantêm uma presença militar nesses dois países. Combateram na Coreia, e mantêm tropas na Coreia. Na primeira Guerra do Golfo, expulsaram Saddam Hussein do Kuwait e agora têm ali uma base militar». (fonte: jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;, 2 de Abril de 2008, p. 20). Conclusão: se os EUA não saíram da Alemanha (e a guerra já findou em 1949), como não ficarem militarmente – bases militares – no Iraque por mais um século ou por toda a eternidade? O estranho é como estas afirmações não geram uma crise grave entre a Europa e o Japão, por um lado, e os EUA, por outro. Que pensarão Ângela Merkel e Yasuo Fukuda, e os povos alemão e japonês de tudo isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face ao silêncio global, a conclusão global: somos todos americanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-7288955611468956208?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/7288955611468956208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/7288955611468956208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/04/somos-todos-americanos.html' title='Somos todos americanos'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-8441596437575802415</id><published>2008-03-25T23:07:00.001Z</published><updated>2008-03-25T23:09:55.068Z</updated><title type='text'>LIVROS E MÚSICA A QUILO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;O artista que troca uma hora de trabalho&lt;br /&gt;por uma hora de conversa com um amigo&lt;br /&gt; sabe que está a sacrificar uma realidade&lt;br /&gt;a algo que não existe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;                                                                                                                                                               (Marcel Proust)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal dos que se crêem na posse da verdade é que,&lt;br /&gt; quando têm de o demonstrar, não acertam uma. &lt;br /&gt; (Camilo José Cela)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre tema semelhante, escrevemos, já, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sonho em Saldo&lt;/span&gt;. Mas o tema é, agora, dupla e qualitativamente novo: ao montão de livros, em saldo, de ontem, sucedeu a cultura, a quilo, e a um autor anónimo saldado sucederam autores de renome, sendo um deles prémio Nobel. É isso mesmo: cultura a quilo, pesada e tudo. Também eu não queria acreditar no que via. E, para tirar qualquer dúvida, lá estava o ícone da balança. Os livros a 3 € / Kg. A Música a 19.90 € / Kg. Onde? Numa grande superfície. Logo à entrada, num espaço, onde tudo se saldava, desde roupa, até livros, passando por detergentes, ferramentas, artigos sortidos e outras coisas, deparei com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;São Camilo, 1936&lt;/span&gt; de Camilo José Cela (1916-2002), prémio Nobel em 1989, e o T&lt;span style="font-style: italic;"&gt;empo Redescoberto&lt;/span&gt; de Marcel Proust (romance publicado, em 1927, cinco anos após a sua morte). Aproveito para citar uma passagem que vem na capa: «O espanhol não crê em Deus, crê na fogo; em Deus só crê na medida em que lhe dá argumentos para acender a fogueira». E como não podia deixar de acontecer, lembrei-me dos nossos autos-de-fé, em nome de Deus. Claro que os salvei logo daquela humilhação, até porque o resgate era insignificante. Ao lado, o produto cultural fresco: autor da semana: Isabel Allende, rodeada de uma série de livros seus, e uma lista dos mais vendidos. Lidos? Amanhã, não vai demorar muito, passarão para a outra secção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirijo-me a uma caixa. Pago. Ao conferir o recibo, leio: lazer,  livros ao kilo, 0,155 X 3.00 = 0,47 € / 0,310 X 3.00 = 0,95 €. Música: CD COL. MUSICA KG: 0,085X 19,90 = 1.69€; 0,095 X 19.90 = 1.89; 0,0 95 X 19.90 = 1.89€. Autores e obras? Nada. Pura mercadoria, tal como um quilo de massa ou arroz ou uma embalagem de detergente. Sinal dos tempos: o livro, além de valer só pelo peso e nada pelo conteúdo, perdeu a sua natureza sagrada e espiritual. Curiosa e ironicamente, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em Busca do Tempo Perdido&lt;/span&gt;, em sete romances, de Marcel Proust (1871-1922), o tema central é a memória e o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sem dar conta dei comigo a perguntar-me: quando o nobelizado Camilo José Cela e Marcel Proust tiveram este destino, quem se pode atrever a sonhar ser futuro? O choque foi tão grande que a mão, a mando de não sei de quem, se escusou, a escrever mais, naquele dia. No dia seguinte, voltou a mentira. A luta entre memória e tempo não é fácil para a memória. O tempo é mais eficaz do que a água e o vento. A erosão ao apagar rostos escreve e cria novos rostos, mas o tempo, ao apagar a memória, não nos reduz a pó, reduz-nos a nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-8441596437575802415?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8441596437575802415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8441596437575802415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/03/livros-e-msica-quilo.html' title='LIVROS E MÚSICA A QUILO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3636490029549551375</id><published>2008-03-20T23:44:00.002Z</published><updated>2008-03-20T23:52:35.056Z</updated><title type='text'>Assim vai o Mundo!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O governo grego do conservador Caramandis, na linha de Sócrates, quer fazer uma reforma da Segurança Social, alegando o mesmo motivo: falência da Segurança Social, atacando, para isso, direitos adquiridos. A resposta foi uma manifestação de 100 mil trabalhadores só nas ruas de Atenas. Que tem isto a ver connosco? Lá, o governo é conservador e entre os manifestantes estava Georges Papandréou, o líder do parido socialista grego! Aqui, o governo é “socialista” e entre os manifestantes estão milhares de votantes socialistas (todos comunistas, ou por estes manietados!). Assim vai o Mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3636490029549551375?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3636490029549551375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3636490029549551375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/03/assim-vai-o-mundo.html' title='Assim vai o Mundo!'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-4287966925407462035</id><published>2008-03-19T01:05:00.002Z</published><updated>2008-03-19T01:15:34.399Z</updated><title type='text'>CRÓNICA SOBRE AMARANTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;No regresso do Porto para Vila Real, parei em Amarante – terra em que não há ninguém que não saiba nadar e alcunha não tenha –, onde na companhia do meu concunhado coronel António Pereira da Silva, que, sempre amável e prestável, me leva e traz, almocei e passei parte da tarde. O almoço, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quelha&lt;/span&gt;, foi, depois de umas entradas, polvo grelhado, brando que nem água, com batatas a murro, acompanhado de um excelente vinho verde tinto do “Marantinho”. Conta, se faz favor. Caro, mas excelente. Da próxima, diz-me ele, vai ser “verde”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cortar, fomos à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Confeitaria da Ponte&lt;/span&gt; comer uma léria e tomar café. Enquanto caminhávamos na companhia do rio – o Tâmega é uma divindade omnipresente – o meu concunhado, natural de Amarante, foi o meu cicerone. Olhando o anfiteatro, que assiste ao teatro das águas do lado norte, leu-me nele o teatro das gentes: ali, apontando o mercado, rouba-se, logo a seguir, indicando o tribunal, julga-se, e lá no cimo, vês a cadeia?, pena-se. Chegados à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pastelaria da Ponte&lt;/span&gt;, escolhemos uma mesa sobre o rio, ponteado de guigas, barcos de duas proas, não de vaidade, mas nada melhor a ré ser proa para um barco de regata cortar a meta em primeiro lugar. Falamos da tentação que Amarante é para os pintores e, como não podia deixar de ser, de Amadeo de Souza-Cardoso (exemplo de que a vida não vale só pelo número de anos) e de Teixeira de Pascoaes. O fio da conversa levou-nos a um familiar de Amadeo de Souza-Cardoso – o Cardosinho, de Manhufe, homem rico, que gastava os dias sentado, abstracto que nem bronze de estátua, no café Bar, e que um dia um pedinte perturbou: por amor de Deus, que tanto o prendou de bens materiais e outros, não podia dar-me uma moeda? A recusa, metafisicamente fundada e insensivelmente dada, não tardou: Deus deu-me, de facto, muito dinheiro, mas não me deu vontade nenhuma de o dar. Quanto à léria: pode ser patranha – alguém viu amêndoa amarga em doce? –, mas que é uma patranha gostosa, lá isso é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promessa gastronómica, tanto ou mais que a metafísica, é para cumprir. Um destes sábados fomos, na companhia das mulheres, ao “verde”. Para abrir o apetite, fizemos uma visita ao Parque Florestal, fixando-nos mais nas margens do Tâmega bordadas a amieiros. Demorámo-nos no açude, no retoiço e na fala das águas em cascata, e na pintura do casario e da ponte sobre a tela do espelho de água. A propósito dos moinhos, o meu concunhado, que não deixa de ornar, aqui e além, a conversa com humor, como vimos acima, chama-me à parte e diz-me: o cavalo da tia Maria moleira, com a primavera à porta, não parava de desenrolar a corda; dois adolescentes passaram e não se contiveram: tia Maria, já viu o cavalo? E sem ver: vi, vi! Quando vê homossexuais, fica logo naqueles preparos. A hora do almoço aproximava-se e lá fomos ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quelha&lt;/span&gt; ao “verde”, espécie de açorda feita de miúdos de cabrito. Bom, mas pesado, como o preço. Com o ex-libris do doce conventual fechado (fechado, mesmo) – a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lai Lai&lt;/span&gt; –, o café não podia, apesar da repetição, deixar de ser na Confeitaria da Ponte A acompanhar o ritual do café, o meu concunhado ia tirando fotografias da mala do tempo e da memória. Do álbum, escolhi esta:  aqui ao lado, conta numa voz de não acordar bebés, morava o senhor Miranda. As suas galinhas galgavam, amiúde, o muro e iam para o quintal da dona Maria Amélia, sua vizinha. Esta para as afugentar, atirava-lhe pedras. Um dia, o senhor Miranda, poeta repentista e bocageano, sempre de olho nela e nelas, arremessou-lhe a seguinte quadra sem esquadria: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dona Maria Amélia da m..., Beleza da p... que a p..., Se você mata o pito, Eu f... a si, ouviu? &lt;/span&gt;A digestão foi feita na margem direita. Primeiro, visitámos o museu Amadeo de Souza-Cardoso e, depois, passeámos sempre com a “Ilha dos Frades”, pintada e perfumada de amarelo mimosa, e com  a casa da “Cerca” e a dos “Correios”, aonde se vêem ainda as ruínas do abrigo, onde a vergonha feminina de outros tempos se guardava de incontinentes, lascivos e concupiscentes olhares, como pano de fundo. Outros os tempos! Somos os tempos e esfumamo-nos no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-4287966925407462035?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/4287966925407462035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/4287966925407462035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/03/crnica-sobre-amarante.html' title='CRÓNICA SOBRE AMARANTE'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-5878779201989490138</id><published>2008-03-10T19:17:00.001Z</published><updated>2008-03-10T19:20:40.986Z</updated><title type='text'>MATÉRIA EM DIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1- SÓCRATES E OS MAMARRACHOS. Há já alguns dias, escrevi: a síntese do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bartoon &lt;/span&gt;do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;, de 2-2-2008, relativa à dúvida sobre a autoria dos projectos assinados por José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, é magistral e que passo a plagiar: entre ter assinado projectos, que não fez, e ter sido o autor daqueles mamarrachos, venha o diabo e escolha. A arte diz – melhor, mostra –, em duas linhas aquilo que a prosa de um jornal inteiro não consegue dizer. E di-lo tão profundamente que deixa sem defesa o visado. De facto, qual o pior dos males: o ter, o licenciado em engenharia pela defunta UnI, à data ainda bacharel pelo Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, assinado os mamarrachos que não fez ou ser deles o seu pai verdadeiro ou adoptivo (disjuntiva ainda não desfeita)? No primeiro caso, mente-se, no segundo, “cimenta-se”. A arte da política é esconder, a arte da arte mostrar.&lt;br /&gt;José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, ao defender-se, politicamente, enterrou-se, esteticamente. É feio? Que interessa? Não é eficaz? Dois milhões de portugueses na pobreza, 8% de desempregados, a saúde doente, o insucesso da política educativa e uma classe média a extinguir-se? Que interessa? O défice não está mais magro?&lt;br /&gt;O País, em política de empreitada, está transformado num mamarracho e JSCPS, rodeado de capatazes, o seu autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- A LINGUAGEM DO ROSTO DE SÓCRATES. No debate quinzenal, na Assembleia da República, enquanto Santana pedia a Sócrates que confirmasse, na casa da democracia (tão mal frequentada que corre o risco de virar casa de outros interesses), se era ou não autor dos projectos das casas construídas na Guarda, o rosto de Sócrates falou melhor e mais alto do que as suas palavras.&lt;br /&gt; À medida que o questionamento de Santana ia sendo recebido por José Sócrates, o animal político feroz, fervendo de cólera e nervosismo, soltava-se, moldando-lhe o rosto: corpo tenso, tronco e cabeça semi-inclinados, lábios contraídos, olhar, amedrontador, de baixo para cima, em posição de defesa e pronto a investir; corpo rígido, músculos faciais saídos, em movimentos de sístole e diástole coléricos, lábios fechados com força e cenho franzido, pupilas dilatadas, de cólera; caretas e mais caretas, trejeitos e mais trejeitos, morder e contorcer dos lábios, de nervosismo.&lt;br /&gt;Depois, a investida verbal, que ficou, em tudo, muito aquém da gestual. Corporalmente, desancou em Santana, verbalmente, repetiu-se. A pior coisa que se pode fazer a Sócrates é questioná-lo sobre aquilo que for. Inquestionável, transforma as questões em ataque pessoal! Ao grotesco Cavaco do bolo-rei sucedeu a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hybris&lt;/span&gt; corporal e verbal de Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÓCRATES E A CICUTA. A morte política de Sócrates já começou. A fase sofista chegou ao fim. Ao contrário dos lacraus e das víboras, a quem a natureza lhes deu o veneno como arma de sobrevivência, nos humanos, o veneno vira-se, sempre, contra o seu portador. Sócrates não precisa de ser condenado: ele auto-condena-se. Não é preciso obrigá-lo a beber a cicuta. A cicuta de Sócrates é Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-5878779201989490138?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5878779201989490138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5878779201989490138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/03/matria-em-dia.html' title='MATÉRIA EM DIA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-8349034338964353735</id><published>2008-03-05T18:12:00.000Z</published><updated>2008-03-05T18:14:14.381Z</updated><title type='text'>O SMS É UM ÓRGÃO DO PCP!</title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title"&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/h3&gt;                          SMS: Professores de todo o País, uni-vos! O SMS? É o órgão do Partido Comunista! No antes já está o depois: caiu, caiu, a capataz da educação – Maria de Lourdes Rodrigues e os seus dois guarda-costas. O PS convocou os “Pais” para um comício contra os Professores!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-8349034338964353735?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8349034338964353735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8349034338964353735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/03/o-sms-um-rgo-do-pcp_05.html' title='O SMS É UM ÓRGÃO DO PCP!'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-106082793418984147</id><published>2008-03-05T18:10:00.001Z</published><updated>2008-03-05T18:11:36.922Z</updated><title type='text'>A PROPÓSITO DAS ELEIÇÕES NOS EUA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Um destes dias, ouvindo o noticiário, não queria acreditar naquilo que ouvia: Hillary Clinton, candidata democrata!, na recta final da sua intervenção, despachou um corrilório de frases de campanha, entre elas, mais ou menos, esta – dai-nos o mundo para liderar –, não sei se invocando Deus ou se se dirigindo aos eleitores.  E se, na altura, como disse, não queria acreditar na assunção clara do imperialismo, pela candidata democrata, mais incrédulo fiquei quando no dia seguinte não ouvi uma palavra nem li uma letra sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humor não deixa de ser uma das formas mais elevadas de dizer o verdadeiro: um amigo meu comentou-me: o mundo inteiro devia votar para as eleições americanas. Não são eles que governam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quem vota?, perguntaram ao profeta e futurista do império, Alvim Toffer, autor, entre outros livros, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Choque do Futuro&lt;/span&gt; e da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terceira Vaga&lt;/span&gt;. Em Obama, para redimir a América do racismo, respondeu. Mas, entretanto, foi avisando, profeta como é, que Obama não pode cumprir as promessas que faz. Não precisava!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-106082793418984147?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/106082793418984147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/106082793418984147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/03/propsito-das-eleies-nos-eua_6408.html' title='A PROPÓSITO DAS ELEIÇÕES NOS EUA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3675932697356951388</id><published>2008-02-27T01:57:00.002Z</published><updated>2008-02-27T02:04:12.827Z</updated><title type='text'>O “ÚLTIMO” HOMEM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos do século XX e entrámos no século XXI como se tivéssemos saído da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;superação&lt;/span&gt; e entrado na estagnação, saído das portas da salvação e entrado no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apocalipse&lt;/span&gt;, saído de um terraço de luz e entrado no funil do eclipse. As &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luzes&lt;/span&gt; apagaram-se, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dialéctica&lt;/span&gt; emudeceu, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Utopia&lt;/span&gt; morreu. Ficamos sem horários e estações, onde tomar o comboio histórico. A Linha fechou. A História parou na América. Feitos mercadoria, não passamos de um embrulho qualquer, despachado num contentor qualquer em um barco qualquer. A democracia, sob holofotes, transformou-se  na comédia de sempre, com os dois actos de sempre e os actores de sempre. A História, apesar de tantos analistas, é, hoje, um apagão e a Aldeia Global o sinal de esgotamento da Terra. E de nós. Ou nos foi mal ensinada ou não compreendemos a História: Berlim não foi derrotada. Foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;superada&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superada&lt;/span&gt;. Ouviram? A derrotada foi a Utopia. Berlim foi prenúncio e anúncio da eminência do império global. Emigrou para a América e fez da sua saga um filme de Hollywood. Onde estamos. Sob o silêncio cúmplice de Deus, da Política e da Razão, morrem todos os dias, na Auschwitz da fome pós-moderna, onze mil crianças. Não foram as estações do Calvário nem a crucificação que condenaram o Filho do Homem, mas a cruz de ontem, de hoje e de amanhã de milhões de crucificados. Os apóstolos, há muito que partiram. Ficou a nomenclatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, sonhámo-nos passageiros no comboio do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Progresso&lt;/span&gt;, a caminho da estação da felicidade. E por todo o lado víamos sinais do advento do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homem novo&lt;/span&gt;, crentes na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;superação&lt;/span&gt; da alienação e na reposição no homem o que é do homem. Nietzsche viu na «morte de Deus» o anúncio da vinda do super-homem. Marx, perante a exploração em massa das massas, fundou o seu humanismo na devolução ao homem daquilo que é do homem: Deus e a criação. Tarefa nada fácil. A luta de classes não é o motor da  História? E adorar Deus não é mais fácil do que sê-lo? A própria democracia não deixa de ser intrigante: por que razão a esquerda não vence sempre as eleições, se os oprimidos, que ela representa (ou diz representar), são a maioria? Não é só na política, os oprimidos são, em tudo, criaturas estranhas (ou bem adaptadas?): têm um Deus nos céus e um senhor na Terra, rezam a um e votam no outro. E, caso o soubessem, que juízo fariam daqueles que sonham a História?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Progresso&lt;/span&gt; e no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homem novo&lt;/span&gt; esvaiu-se da noite para o dia. Como a realidade nos acorda e tira do sonho! Está tudo no fim: Deus morreu, a História no fim está e a Razão transformada em serva da tecnologia. O homem? Outra espécie vem a caminho: o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;transhumano&lt;/span&gt;, filho da bio e da nanotecnologia. Nós? Os “últimos” homens.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3675932697356951388?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3675932697356951388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3675932697356951388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/02/o-ltimo-homem_27.html' title='O “ÚLTIMO” HOMEM'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-1569101424735918765</id><published>2008-02-03T19:01:00.000Z</published><updated>2008-02-03T19:02:33.484Z</updated><title type='text'>O GOSTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;A Dona Maria de Lurdes&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ajuizar, embora nem sempre ajuizadamente, é o respirar da mente. Há duas espécies de juízos: os de facto e os de valor. Nos primeiros, ajuizamos sobre o verdadeiro ou falso, nos segundos, valoramos: isto é bem, aquilo é mal, isto é belo, aquilo feio... Costuma dizer-se que, no primeiro caso, o mundo é a preto e branco – ou é ou não é –, enquanto que, no segundo, é a cores: um arco-íris de opiniões ou uma borrão delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma tendência no ensino para valorizar mais a razão do que a sensibilidade, mais a lógica do que estética, mais o entendimento do que a imaginação. Não admira, assim, que, nesta hora de cientismo e tecnologia, as disciplinas de matemática, biologia e física apareçam como supremas, esquecendo-se que, sem imaginação e estética, não se pode, por uma lado, compreender a pauta matemática do mundo e a harmonia e a criatividade da Natureza nem, por outro, haver uma educação integral. A propósito da criatividade da Natureza, Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, escreve: «Dionísio e Apolo – impulsos artísticos da natureza». E não será da unidade estética entre a criação natural e a humana que nos fala o poema de Pessoa/ Avaro de Campos?: «O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo....». Assim, o ensinar, tanto ou mais do que uma explicação lógica, devia ser uma explicação estética: a física, a química, a biologia não deixam de ser manifestações artísticas da Natureza. Sobrevalorizar o intelecto e subestimar a sensibilidade e a vontade não é educar, mas deformar. A pedagogia que deve presidir, por exemplo, à leccionação da lei de gravitação universal de Newton não pode ser a sua redução à lógica, mas, antes, mostrar em que medida ela é a responsável pela harmonia e beleza cinéticas do sistema solar e do Universo. O gosto e a sensibilidade não podem deixar de fazer parte da formação humana. É a prática estética e a fruição do Belo que fazem uma sensibilidade artística, porque, tal como outras faculdades, o gosto necessita de uma aprendizagem. O que é a Escola de Belas Artes senão a Escola do gosto? A razão sem sensibilidade é gelo e sem imaginação uma ave sem asas. O gosto aprecia o silêncio, a serenidade e a medida. Sem gosto não há formação, mas deformação, não há sensibilidade, mas rudeza, não há palavra, mas ruído. Não há, enfim, bom profissional, sem sensibilidade e gosto naquilo que faz. O próprio decorar de uma casa ou o vestir não passam só pelo dinheiro, mas pelo gosto. Quem o não tem entregue-se nas mãos de quem o tem. Para muitos, o gosto é vestir-se de moda, sem gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que razão a obra final dos grandes filósofos é sobre estética? Terá sido a constatação de que a sua obra ficaria incompleta sem a estética ou o reconhecimento tardio da sua importância? Será bom lembrar que antes de o homem ser religioso ou filósofo foi esteta: Foz Côa e Altamira são muito anteriores ao Templo, ao Liceu e à Academia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-1569101424735918765?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1569101424735918765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1569101424735918765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/02/o-gosto.html' title='O GOSTO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-5723737272079810443</id><published>2008-01-18T22:48:00.000Z</published><updated>2008-01-18T22:51:08.457Z</updated><title type='text'>UM PAÍS PENDURADO DE LISBOA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Sendo ponto cardeal, por que razão o Norte não só perdeu o norte como anda em desnorte e colateralidade? Onde estão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Portus Cale&lt;/span&gt;, o Berço, a Língua? O que o faz passivo, manso, abúlico e anestesiado? Onde estão os provincianos – primeiros-ministros, ministros, deputados e afins – que foram morar para Lisboa ou que permanecem aqui como seus mandatários? Cada vez mais, o País é macrocéfalo. E de tanta macrocefalia, um destes dias, arrisca-se a não só não ter somente cabeça, como, a mantê-la, não a suportar, de tão grande e pesada. Um País pendurado de Lisboa. E tudo isto é ainda mais incompreensível e estranho, quando damos conta de que os maiores empresários são do Norte. Como era saudável para Lisboa, a abarrotar, e para o País, depauperado e desigual, haver um corpo nacional equilibrado. Com excepção dos cabeçudos, não vejo quem se possa opor a esta terapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falta de uma Regionalização, sustentada mais por cidadãos e menos por partidos, era importante a criação de um Movimento e de um rosto que fossem a voz e a face do Norte. A experiência recente diz-nos que a maioria dos autarcas, além de estarem atados às coutadas partidárias, estão mais interessados em olhar para o seu umbigo do que para a Região. O Norte não é pobre como o poder central nos quer fazer crer, para justificar e justificar-se do seu atraso. A sua riqueza é, sim, esbulhada sem qualquer retorno. Não é a existência de água mineral (mais cara do que a gasolina) – de Bem Saúde, agora Frize, das Pedras Salgadas e de Vidago – que nos mata a sede. E que mais e melhor luz nos traz o facto de o maior número de barragens se localizar na bacia hidrográfica do Douro? E trouxe mais humanidade para as gentes durienses a eleição do Douro como Património Mundial da Humanidade? E que fica do vinho – generoso e de consumo – das serras surribadas e do turismo, senão embriaguez para tudo esquecer? E que solidez para a Região a exploração dos seus granitos? E das grandes superfícies, além do emprego, que benefício fica na Região? Se dez por cento da riqueza criada na Região ficasse no Norte para o seu desenvolvimento, não só a realidade seria diferente como os políticos deixariam de poder vir aqui a darem-nos auto-estradas como se nos estivessem a fazer algum favor. E como se tudo isto não chegasse, fecham linhas de comboio, correios, urgências, escolas, maternidades e o que mais se verá. Manifestações? As populações, diz o teimoso do ministro Correia de Campos (CC) a imitar o seu primeiro, ainda não compreenderam os benefícios de tudo fechar! O problema está na mensagem: ainda não conseguimos, reage CC às recentes mortes nas urgências, resolver o problema... da mensagem. Não estará o governo, através de CC, a passar um atestado de asnos a toda a gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminamos, realçando a ideia acima avançada: a necessidade de criação de um Movimento empenhado em inverter a crescente depauperização do Norte, principalmente do seu interior, e em aproximar-nos económica e culturalmente da Galiza, com respeito pelo todo nacional, pois o contrário seria dar razão àqueles que querem manter a situação como está. Sem magnetismo social, o Norte não se encontra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-5723737272079810443?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5723737272079810443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5723737272079810443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/01/um-pas-pendurado-de-lisboa.html' title='UM PAÍS PENDURADO DE LISBOA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3129801044094500782</id><published>2008-01-14T17:27:00.000Z</published><updated>2008-01-14T17:29:01.494Z</updated><title type='text'>OUTONO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é o tempo? Onde nasce? Para onde corre? Foge por nós como areia pelas mãos...Na ampulheta da vida, o presente é o escoar de grãos de tempo do futuro para o passado, que o Destino nos reservou. No rio da vida, onde as águas do tempo? A que mar aportaram? Em que nuvens viajaram? A que nascentes mataram a sede? Que rios semearam? Ser é história e vida conto. O tempo cósmico na sua viagem tem as suas estações, onde, ao contrário de nós, se renova. O ciclo anual – primavera, verão, outono, inverno – é uma síntese universal. A morte do tempo, pelo solstício de inverno, é, simultaneamente, tempo de ressurreição. Para que Deméter vista, todos os anos, a Terra de vida e cor, Plutão a cobre, primeiro, de nudez e morte. Que mão em sua mão a minha tomou e guia nesta redacção? Ontem, trazia os deveres na sacola, hoje, dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um dia para o outro, o verde, que resistia nas copas das tílias, aquecido pelo sol outonal, o frio o queimou e o vento e a chuva, que se lhe seguiram, despiram as árvores de sua folhagem pintada pelo espectro tonal do amarelo e do vermelho velho. E as minhas hortênsias ficaram, como diz o povo, cosidas. Ao contrário da vida animal, o vegetal, criatura primeva, tem na hibernação a sua forma de agasalho e recolhimento. Até os meus vizinhos pardais, que passavam as tardes soalheiras a cantar empoleirados no loureiro, sob um sol outonal inusual, trocado e perturbador, se recolheram. O outono é o trânsito para o recolhimento da vida. Bem podíamos dizer que a vida vegetativa e a humana andam ao contrário: quando nos despimos, ela veste-se. Despem-se os humanos com a chegada da primavera, começam a vestir-se as plantas, com ela; agasalham-se os humanos pelo final do outono, despem-se, por essa altura, as árvores. Veste, lembra-me o adágio, o surrobeco pelo S. Martinho e tira-o somente pelo Santo António. Cada estação tem luz, sombras, cheiros, cores e paladares próprios, que só descobrimos quando tempo e vida se compaginam. Se primavera é rebento e pampo e verão painel e verdes copas, outono é amarelo e comedimento, e inverno nudez e lareira. O memorial outonal é marmelada que minha mãe faz na caldeira de cobre e põe a secar em malgas, e que as vespas descobrem mais depressa do que eu; caça que meu pai trazia aos domingos e eu recebia em correria alegre para os seus braços, enquanto, receoso e curioso, tocava nas perdizes, coelhos ou lebres que trazia pendurados à cintura; espectro da cor, advento das primeiras chuvas, olhar, agasalhado, pelas vidraças, orvalhadas, frades, míscaros e sanchas, ouriços, vindimas e mosto, e reacender da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pelo outono, declina o sol para o meio-dia, aumentam as sombras e a aguarela da vida é mais nítida. Somos parte de uma tela que paga caro a sua realidade: passa. Como os frutos, amadurecemos quando entramos no outono da vida. Maduros para quê, se o inverno vem a caminho?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3129801044094500782?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3129801044094500782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3129801044094500782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/01/outono.html' title='OUTONO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-8093285576661007995</id><published>2008-01-09T23:07:00.000Z</published><updated>2008-01-09T23:08:36.491Z</updated><title type='text'>A AZIA GRAMATICAL DE MARIA DE LURDES RODRIGUES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando me pergunto ou me perguntam por que razão as crónicas não têm como assunto a política local (onde está a oposição?) ou nacional (que me dizes da versão cavaquista socialista?), respondo ou respondo-me: a maioria dos políticos não merece que nos lembremos dela quanto mais uma crónica. Presentemente, não há Política nem ideários, mas economia e os políticos seus agentes e propagandistas. Não há causas públicas, mas sede de protagonismo pessoal. Não é serviço público, mas meio de auto-governo. À volta de cem mil “militantes” dos partidos do centrão (melhor: a sua nomenclatura) impõem nas chamadas directas os dois políticos que, depois, milhões de eleitores terão de escolher sem outra alternativa. O vira político do centrão não deixa de ser uma forma escondida de ditadura. E, se não fossem as repercussões que tudo isto tem na nossa vida, deixá-los-ia, de boa vontade, a falarem sozinhos. Mais: onde está o dito “quarto poder”, quando os media estão mudos, surdos ou governamentalizados? Não admira, assim, que, cada vez mais, sejam os blogues e alguma imprensa regional os únicos espaço de liberdade e de verdade que nos restam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há quem ridicularize o Procurador-Geral da República pelo seu ar, andar e linguagem gestual eclesiásticos, a par da transformação da linguodental surda – s – na palatal sonora – j –, quantos deram conta de que Maria de Lurdes, na sua entrevista à RTP 1 (onde havia de ser?), não se cansou de azedar (mantendo-se, aqui, e justiça lhe seja feita, coerente consigo mesma) o s: sempre que pronunciou a palavra absentista, o azedo veio à tona, assim – abzentista? E se, no primeiro caso – do Procurador –, a causa é fisiológica, no segundo, só pode ser gramatical. Já agora: não concordam que a voz monótona e metalizada de José Sócrates lembra (ou é-o?) um robot? Mas as notícias, melhor a falta delas, sobre Maria de Lurdes não ficam por aqui. Por que motivo, o curriculum oficial da ministra só começa em 1986? Que se pretende esconder? Há a suspeição de que a ministra tivesse sido professora primária. E, se o foi, não seria motivo de orgulho e não de algo a esconder? Os media em vez de bisbilhotarem o que não interessa por que não investigarem e ajudarem a aclarar o importante? (confrontar blogue: Do Portugal Profundo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito da explicação do nosso comportamento desviante encontra-se em desvios na nossa própria vida. Um complexo de superioridade subentende o seu contrário: o de inferioridade. Quem sobe na vida, geralmente, quer apagar os vestígios do tempo em que viveu no rés-do-chão da vida ou no de um primeiro andar de um qualquer prédio. Quem acredita na boa vontade, para não dizermos na competência, de um professor primário que tira o curso de inspector e começa a inspeccionar o secundário? Salvo raras excepções, as mulheres que tiveram algum protagonismo político, em lugar de trazerem o feminino para a política – a humanidade, o afecto, o calor – trouxeram,  sim, o masculino no seu pior e para pior: a frieza do mando. Manuela Ferreira Leite e Maria de Lurdes são disso dois bons exemplos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-8093285576661007995?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8093285576661007995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8093285576661007995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/01/azia-gramatical-de-maria-de-lurdes.html' title='A AZIA GRAMATICAL DE MARIA DE LURDES RODRIGUES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3458335031551490050</id><published>2008-01-07T21:30:00.000Z</published><updated>2008-01-07T21:36:08.671Z</updated><title type='text'>O ESPÍRITO DO TEMPO: O “FIM” ESTÁ PRÓXIMO</title><content type='html'>&lt;div id="recover"&gt;&lt;div id="recover"&gt;&lt;span id="spellcheckMessage"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;«E vi no céu outro sinal grande e admirável;&lt;br /&gt; sete anjos que tinham as sete últimas pragas;&lt;br /&gt;porque nelas é consumada a ira de Deus».&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 15,1]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Espírito do Tempo (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zeitgeist&lt;/span&gt;) não se vê, pressente-se, mas está por todo o lado e não há ninguém que, a seu modo, não seja por ele tocado. Cada Tempo tem o seu Espírito do Tempo e perscrutá-lo é perscrutarmo-nos e estudá-lo uma espécie de meteorologia e psicologia histórica. E se o tempo meteorológico regula os hábitos e o hábito do nosso corpo, o Espírito do Tempo é o responsável pelo estado e estados da alma. A Civilização, matéria do tempo, cumpre-se e o homem, vencedor ou vencido, o seu obreiro inconsciente. O Espírito do Tempo emerge da vida e da História e, apesar de invisível, espelha-se nas almas, filosofias, religiões e arte. É o vapor do magma civilizacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Natal está próximo. A montra da livraria e o consumismo, não a quadra, recorda-mo. Aproximo-me, entro e percorro os títulos: códigos, cifras, s&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ecretum&lt;/span&gt;, segredos, sétimos, selos. A proliferação de temas e autores apocalípticos, de profetas e profecias, de esotéricos e esoterismo e de visionários e de visões, acompanhada de superstição, de individualismo, de seitas defendendo um esquerdismo religioso – salvação, já, e neste mundo! –, que invadem a vida, são sinais de um tempo em que a razão foi substituída pela superstição. Incapazes de destaparmos a realidade e sem caminho nem telos histórico a percorrer e a alcançar, eis-nos, racionalmente, incrédulos e, historicamente, perdidos. Sem credo nem ergo sum, somos cada vez mais coisas entre coisas. A pergunta de ontem – de onde vim, onde estou e para onde vou? –, hoje, aparece como ridícula. Apesar de todos estarmos frente a um parede, a correria para o nada não pára. A Civilização é, hoje, uma doença terminal: futuro?, vive um dia de cada vez; segurança?, o terrorismo neoliberal matou-a. A globalização pulveriza os Estados e os direitos conseguidos. A maioria dos Estados são províncias do Estado imperial e de suas ramificações. A irracionalidade chegou à política, contaminando-a com a religião e a ética. O império esconde o imperialismo, sob o argumento metafísico: levar o evangelho democrático a todo o mundo e derrotar o infiel. Mais do que nunca a plutocracia e as máfias, qual Cérbero, governam o mundo, feito inferno. Se o local sem o global é isolamento, global sem local é desenraizamento. Ao desenraizamento natural sucedeu o desenraizamento nacional e cultural. Defende-se a biodiversidade, contudo, a diversidade humana está em perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impotência, a insegurança, o desalento e o fecho entraram nas almas. O futuro é escuro. Onde está a ciência? Nunca houve tanta ciência como hoje, contudo, ela não é concepção, mas alimento para a tecnologia e nós peças suas. Sem saídas e face ao naufrágio da vida o lema é: salve-se quem puder. A Civilização foi sempre contra a Natureza. Não admira que esteja doente. Estamos todos doentes. Para o fazer esquecer há Coliseus, por todo o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" id="recover"&gt;&lt;span id="spellcheckMessage"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3458335031551490050?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3458335031551490050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3458335031551490050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2008/01/o-esprito-do-tempo-o-fim-est-prximo.html' title='O ESPÍRITO DO TEMPO: O “FIM” ESTÁ PRÓXIMO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-6272971200939811698</id><published>2007-04-09T15:33:00.000+01:00</published><updated>2007-04-09T15:36:29.717+01:00</updated><title type='text'>A UNAS NARICES</title><content type='html'>A una nariz&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Érase un hombre a una nariz pegado,&lt;br /&gt;érase una nariz superlativa,&lt;br /&gt;érase una nariz sayón y escriba,&lt;br /&gt;érase un pexe espada mal barbado. // (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;[Francisco de Quevedo (1580-1645)]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;«Era uma vez um homem a um nariz pegado / era uma vez um nariz superlativo...»। A primeira descoberta de nós acontece na puberdade: o rapaz começa a olhar para a sombra e a rapariga para o espelho. Aqui, nada há de «pegado», mas saúde, porque só parte para o namoro quem de si está enamorado. Bem diferente é quando caímos em soberba, importância e vaidade. Os pecados mortais empestam a alma e o corpo deforma-se: passa a ser um apêndice do nariz. Um homem vaidoso transforma o que no feminino tem graça em fealdade. Ele é o nariz. Era uma vez um peixe, a lembrar o pargo mulato, que, ao tornar-se pescador da própria espécie, acabou no anzol da sua cana de pesca, no primeiro dia em que voltou à água. E me perdoe Hieronymus Bosch o plagiá-lo em suas metáforas: quantos homens-peixes andam, inchados, pendurados do seu nariz, acabando pescados no anzol que lançam aos outros? Depois, esperneiam, rebolam-se e abrem as guelras: esta a sua forma de se mostrarem vitoriosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles são nariz e corpo apêndice, mas a que não querem ser operados, porque a operação, apesar de os trazer à normalidade, lhes poria o nariz no sítio। O nariz é tudo. E, sem normas de asseio, transformam o que é para assoar em montra a mostrar. Humanamente, deformados, não só não dão conta da sua monstruosidade como a pavoneiam. Vivem dependurados da sua importância. «Senhores do seu nariz», diz o povo. Autistas, só vêem o seu nariz e não a deficiência em que vivem e são: «auquitarras pensativas» de onde escorre, em fio, a mucosidade da sua importância; «peixe espada mal barbeado», porque pelo adubado com o estrume da importância cresce muito; «esporão de galera» no mar da vida, emproada pelos ventos da sorte, fortuna e poderes, fortes quanto breves; faraós com um nariz a concorrer com uma «pirâmide do Egipto»; as «doze tribos de narizes», porque, a não ser eles, mais ninguém tem direito a nariz, ou sob a forma de superlativo semita: o nariz dos narizes; um nariz «superlativo», em moncos; «naricísimo infinito», porque a maior mentira não é mentir aos outros, mas a nós; Cyranos de Bergerac, porque não ficam pelo seu nariz, mas pelo nariz que os outros lhe põem, pois quem da importância usa e abusa com o nariz de ridículo se arrisca a ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seria do seu nariz, sem serventes, acólitos e poderes? E como era um acto higiénico que assoassem o seu nariz, perdão, a sua importância, e vissem a sua verdade estampada no lenço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-6272971200939811698?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/6272971200939811698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/6272971200939811698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/04/unas-narices.html' title='A UNAS NARICES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-2336584756896489540</id><published>2007-04-01T04:09:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T04:16:02.108+01:00</updated><title type='text'>ANTROPOCENTRISMO OU XENOFOBIA?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Xenófanes viu, há vinte e seis séculos, aquilo que hoje continuamos, ainda, a não ver: «os homens pensam que os deuses se vestem, falam e tem um corpo como eles». E adiantou: se os animais pensassem, representariam os deuses à sua imagem e semelhança. Feuerbach e Marx, no século XIX, parafraseando-o e adaptando-o aos novos tempos, escreveram que os homens criaram Deus à sua imagem e semelhança. O Homem colocou tudo a girar em torno de si: a Natureza, a vida e os próprios homens. O homem não é o ser superior que se proclama ser. A superioridade do homem, dita pelo homem, é, no mínimo, auto-elogio. Estaríamos mais certos, se lhe chamássemos xenofobia biológica ou coisa parecida. O humanismo não deixa de ser uma forma de chauvinismo biológico fanático. É esta concepção solar e antropocêntrica que nos põe em guerra uns com os outros, com a vida e a Natureza. A dita superioridade do homem sobre os outros seres e o considerar a Terra como propriedade sua e a si sujeita fazem parte de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;forma mentis&lt;/span&gt; com raízes seculares e inclusive religiosas: depois de criar o homem e a mulher, Deus disse-lhes: «crescei e multiplicai-vos e enchei a terra e sujeitai-a e dominai-a sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra»। [Gen. cap. I, vers. 28] . Multiplicamo-nos de tal modo que, hoje, somos uma praga de 6 milhares de milhões de exemplares e, se a sobrevivência fosse democratizada, os mares ficariam, em pouco tempo, sem peixes, os céus sem aves, os campos sem animais e a Natureza despida de árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário, melhor, urgente, para salvação nossa, da Vida e da Terra, uma revolução coperniciana epistemológica e cultural, que retire o homem do centro do mundo, acabe com seu autismo e substitua a cultura humana, racista em sua essência, em relação à vida e ao cosmos, por uma cultura em harmonia com o natural। Que tem sido a Civilização senão um Holocausto da Natureza, da Vida e, por vezes, que não foram poucas, da própria espécie humana? Nunca, na história da vida, que já leva uns bons 3.5 milhares de milhões de anos, uma espécie interferiu e feriu tanto a Natureza e a vida como a humana, num espaço de tempo tão curto. Ao contrário do que se afirma, a espécie humana é, qualitativa e quantitativamente, mais bárbara hoje do que no passado, até porque os instrumentos de destruição e morte são em maior número e mais destrutivos. Reveja-se a História: o bárbaro é o «bom selvagem», o civilizado o mau selvagem. Revolução que tem de começar pelo Ensino. Como tudo está mal contado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não é o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;telos&lt;/span&gt; (fim) do Universo! No teatro cósmico, o primeiro actor foi a Física, seguindo-se a Química, depois a Vida e, por último, o homem। Apesar de termos entrado em cena, há pouco, já fizemos estragos a mais e que cheguem. Tão ou mais importante do que a nossa história de família, que pouco dura e que acaba nos avós. Tão ou mais importante que a história nacional, que dura mais do que a da família, mas que a maioria desconhece. Tão ou mais importante do que a história da humanidade, que dura mais do que a história das nações, mas que poucos conhecem. Tão ou mais importante do que todas elas, apesar de a mais desconhecida, é a história da nossa origem física, química, biológica e civilizacional. Sem franciscanismo, os animais são nossos primos biológicos, as plantas nossos familiares mais distantes e o pó, o barro de que somos feitos, a nossa eternidade. É urgente a substituição da cultura da superioridade do homem sobre todos os outros seres, vivos e não vivos, por uma cultura de família cósmica, respeitadora da Natureza, da Vida e de sua Casa local: a Terra. Para reflexão: se as outras espécies emitissem um juízo de valor sobre a nossa, que pensariam de nós? E como a palavra humanidade ganharia um significado bem diferente!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-2336584756896489540?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/2336584756896489540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/2336584756896489540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/04/antropocentrismo-ou-xenofobia.html' title='ANTROPOCENTRISMO OU XENOFOBIA?'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-4825932398765482624</id><published>2007-03-29T00:48:00.000+01:00</published><updated>2007-03-29T22:20:22.026+01:00</updated><title type='text'>AFINAL...</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;A suspeição sobre o percurso académico de José Sócrates não é de hoje. E a razão por que somente agora ela se soltou e saltou para a imprensa também não é filha do acaso. Finalmente, dizem os jornais (o que blogues sérios e assinados há muito diziam!): Sócrates não é engenheiro, é licenciado em engenharia e o seu percurso académico uma trapalhada que urge investigar e esclarecer. A diferença entre engenheiro e licenciado em engenharia daria, só por si, para uma crónica. Muito brevemente: José Sócrates, licenciado em engenharia pela tão falada e badalada Universidade Independente, não podia ter o grau de engenheiro, pois os cursos de engenharia da dita UnI não tinham, nem têm, a acreditação da Ordem dos Engenheiros nem Sócrates fez o exame à respectiva Ordem para o conseguir. Talvez porque o seu “destino não era a engenharia mas o pensamento abstracto”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A suspeição sobre o modo como José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, bacharel pelo ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), com a classificação de 12 valores (ou 12,8, segundo o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Sol&lt;/span&gt;?), conseguiu a licenciatura em Engenharia pela UnI é assunto quase tão velho quanto o próprio governo e a razão por que o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Público&lt;/span&gt;, que tem sido dos principais, senão o principal &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;pivot&lt;/span&gt; da política do nosso licenciado, lhe dá, na sua edição de 22 de Março passado, dois sérios avisos, não parece ser estranha à posição tomada pela governo na OPA à PT. O primeiro aviso: a fotografia, na primeira página, do primeiro-ministro no debate na AR é criteriosamente escolhida – o fácies de rancor, o ar de mau e de ameaçador, e o dedo em riste (apontar com o dedo é feio, senhor José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa) dão a imagem de um homem visceral e emocionalmente descontrolado. Ao lado, o segundo aviso: a investigação ao percurso académico de Sócrates: «falhas no dossier da licenciatura de José Sócrates», com desenvolvimento nas páginas 2 a 5! O que lemos comprova a imagem que a UnI tem dado nestes últimos dias: faltam timbres e carimbos nos documentos do ex-aluno José Sócrates, as pautas não estão assinadas e as notas da pauta e as lançadas nos livros não coincidem, havendo dois casos em que as classificações passam de 17 para dezoito e um em que passa de 17 para 16! (imaginem que o nosso licenciado tem alguma vez a necessidade de fazer um concurso público: qual a nota com que vai concorrer?). Por outro lado, o ex-aluno anónimo José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa tem, no ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;QI&lt;/span&gt; para 12 valores, mas o político Sócrates mais a pedagogia da Universidade Independente fizeram dele quase um génio: dezasseis, dezassetes, dezoitos! Aproveitamos para solicitar a Maria de Lurdes Rodrigues, professora agregada no ISCTE e sua ministra da educação, que não só trate pessoalmente deste caso (não é ela, olhando ao seu currículo académico, uma &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;expert&lt;/span&gt; em engenheiros, embora não sendo engenheira, e um deserto em educação?), como se desloque à Universidade Independente e lhe peça a receita da poção mágica que transforma um aluno normal num génio e erradica o insucesso escolar. A promiscuidade entre política e Universidades privadas (e algumas públicas) bem merecia uma investigação. E de boa se livrou Sócrates: o não ter tido como professor Santana Lopes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que lemos na referida edição do Público – confusão entre política, PS e UnI (em 1995, o aluno José Sócrates, então Secretário de Estado Adjunto da Ministra do Ambiente do governo de Guterres, tem como professor, na UnI, o socialista António José Morais, adjunto de Armando Vara, Vara que está, hoje, na CGD pela mão de Sócrates...) e muitas... muitas interrogações (Sócrates não sabe o nome dos professores!) que se levantam sobre o modo como o licenciado pela UnI tirou a licenciatura em engenharia –, não nos admira nada que o advogado José Maria Martins tivesse apresentado uma participação na PGR sobre o currículo académico de Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Post scriptum.&lt;/span&gt; E se pasmado estava mais pasmado fiquei quando entrei no blog &lt;a href="http://doportugalprofundo.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Do Portugal Profundo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;! É indispensável visitá-lo. Terminamos com o elogio de Luís Arouca (reitor ou lá o que é da UnI) a Sócrates:«O nosso primeiro-ministro terminou o curso com 16 valores. Talvez nunca tenha ouvido Beethoven ou lido Goethe, mas é um tipo brilhante, de rápido raciocínio e inteligência prática». [Fonte: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;24 Horas&lt;/span&gt;, 28-2-2007] &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-4825932398765482624?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/4825932398765482624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/4825932398765482624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/03/afinal_6172.html' title='AFINAL...'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-2213863735888537341</id><published>2007-03-22T02:18:00.000Z</published><updated>2007-03-22T02:22:53.755Z</updated><title type='text'>O QUOTIDIANO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                        «Todo lo cotidiano es mucho y feo»&lt;br /&gt;                                                      [Francisco de Quevedo, in «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hastío de un casado al tercero dia&lt;/span&gt;»]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos cansa e, lentamente, mata não é o trabalho, mas o não trabalhar ou o trabalho que não nos realiza. A diferença entre o que não tem trabalho e o que o tem por ter é quase nenhuma: o primeiro cansa-se por não ser, o segundo cansa-se para não ser, tendo como única recompensa um salário salgado e curto. Feliz daquele que, pelo trabalho manual ou intelectual, se realiza pelo que faz, porque criativo. Só criando nos criamos. Só recriando nos recriamos. Só amando o que fazemos nos fazemos e amamos. Só amando-nos amamos. A vida é, por regra, rotina. E quando não nos pertence, desfazemo-nos naquilo que fazemos. O quotidiano é repetição, insensibilidade e cumprimento dos horários dos outros sem tempo para nós. O quotidiano é como manguitos roçados e gastos; hábito cheio de borboto; ambiente fechado com cheiro a mofo e bafio; fastio de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria está condenada ao quotidiano. Uma minoria a alimentar-se dele. Raros os feitos à imagem e semelhança do demiurgo. A expulsão fez do homem presa do homem. O pulso é expulso e o impulso expulsão maior. Quem quiser matar alguém dê-lhe trabalho a mais ou não lhe dê trabalho nenhum. O animal não vive no quotidiano, mas na naturalidade. O animal cumpre a natureza. Nós, na nossa liberdade, não nos cumprimos. Não bastava já o emprego que o próprio desemprego se tornou na forma mais cínica de escravatura do nosso tempo, melhor, de fazer de uma pessoa um condenado a vadiar no não ser. Se o empregado é, muitas das vezes, um expulso, mesmo estando dentro, o desempregado é o expulso sem nunca ter entrado. A vida é, cada vez mais, condenação e expulsão, mais sobrevivência e menos vivência. Dois os fardos: o insustentável fardo do não ser e o de proibido de ser.  «O que a vida – escreve Agostinho da Silva, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doutrina cristã&lt;/span&gt; – apresenta de pior não é a violenta catástrofe, mas a monotonia dos momentos semelhantes; numa ou se morre ou se vence, na outra verás que o maior número nem venceu nem morreu: flutua sem morte e sem esperança». Alguém perguntou a um pedinte de uma cidade norte-americana o que o fazia viver. Ele respondeu-lhe: o hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a nossa vida, quantos dias saímos do quotidiano? Nas contas da vida, quantos os dias nossos? Quantos os sonhos que saíram da noite? Quantos os dias em que imitámos o Criador? Quantos à sua imagem e semelhança? Quantos em que não mandámos nem obedecemos, mas nos fizemos? Se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todo lo cotidiano es mucho y feo&lt;/span&gt;, que dizer de todos os quotidianos de uma vida inteira somados?! Na mater(ia), nada se repete: não há dois electrões iguais no universo! Contudo, a Humanidade “evolui” à custa da repetição. A Humanidade, além de ser uma tragédia e um desperdício, é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contra naturam&lt;/span&gt;:  a espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo sapiens&lt;/span&gt; não só inverteu a biologia – homem lobo do homem –, como condena a Terra e a Vida e fecha as portas à evolução desta. A nova catarse para a tragédia é a natureza terrena da nova religião. O domingo é cada vez menos o dia do ópio do além e mais do aquém. O consumismo apoderou-se dele: os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shopping Centers &lt;/span&gt;são o céu terreno, onde, ao fim de semana, se vai gastar o inferno que se ganhou ao longo da semana. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Todo lo cotidiano es mucho y feo&lt;/span&gt;. Contudo, como o dia é breve quanto belo! Quantos o são? Olhai as aves do céu a saudarem-no e serem-no em cada dia que nasce, em seu voo e chilreio – enquanto nós, estremunhados, berramos contra o despertador – e as plantas a beberem luz, que alimenta o rés-do-chão da vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-2213863735888537341?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/2213863735888537341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/2213863735888537341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/03/o-quotidiano.html' title='O QUOTIDIANO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-1608670314784179055</id><published>2007-03-17T19:09:00.000Z</published><updated>2007-03-17T19:14:58.960Z</updated><title type='text'>DA BATOTA POLÍTICA E DA POLÍTICA DA BATOTA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o advento de Sócrates ao poder, o jogo político viciou-se. Se alguém tinha dúvidas, os últimos tempos têm vindo a mostrar a contradição em que vivem todos os quadrantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(i)  As maiores manifestações, de sempre, de professores e da função pública realizaram-se contra este governo “socialista”; apesar do executivo ser socialista, nunca tinha havido um governo tão de direita, arrogante e que tanto amesquinhasse os seus trabalhadores como este;  nunca os direitos foram tão atacados; nunca as políticas da educação e saúde foram tão contestadas, devido à destruição e perversão do ECD, ao fecho de escolas, de urgências e de maternidades, enquanto no deserto criado, emergem hospitais privados! O que faz correr Correia de Campos – estrategicamente, escondido, desde há uns dias – a fechar tudo em nome de uma estatística abstracta? E se as manifestações e greves somente se fazem sentir na Administração Pública é bem o sinal dos tempos: que aconteceria aos trabalhadores do sector privado, caso fizessem greve? A liberdade sindical está, de certo modo, reduzida aos trabalhadores do Estado. E mesmo estes que se cuidem! Este governar ao centro-direita com os votos maioritários de esquerda é honesto? O engenheiro, pela prestigiada Universidade Independente, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa diz que está cumprir o programa eleitoral!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ii) Por outro lado, o governar ao centro-direita anulou a oposição dos líderes dessa área política e, consequentemente, a influência dos respectivos partidos. Esta a causa por que nas últimas semanas, temos assistido a reacções, por parte da direita político-partidária, à monopolização do centrão levada a cabo por  José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Depois do anúncio de Portas, o comportamento de Marques Mendes sofreu algumas alterações: opõe-se, opõe-se, quando o que devia fazer era bater palmas ao governo e, quando se opõe, fá-lo mal (é o caso de se opor ao fecho Embaixada no Iraque), e o pedido de uma audiência a Cavaco para dar eco à sua contestação à OTA é já consequência do efeito-Portas. E Santana, que, tal como Portas, não pode estar quieto, calado e amarrado, vem, também, falar da necessidade de uma redefinição da direita e do centro-direita. Tudo isto, porque José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa baralhou de tal modo a política que joga com os trunfos da direita. Contudo, ao contrário de Portas, que pode trazer algum frisson, as  aparições de Santana podem, pelo contrário, ser uma bênção para o executivo socratista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iii) E, para agravar a confusão e a contradição, não é que Cavaco comemorou o ano de presidência, agradado com actuação do governo e incentivando-o a não desperdiçar as condições favoráveis (maioria absoluta) para fazer as “reformas necessárias”? Que querem PSD e CDS, quando o ás de trunfos e o mundo económico-financeiro estão com Sócrates? E que ilações políticas daqui se podem retirar, senão estas: estai calados, seus tontos, estai calados, porque enquanto assim governar bem estamos! Em lugar de criticar, ponde os olhos nele! E quando José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa se negar e fizer o desvio político-eleitoral à esquerda, cá estamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (iv) Em jeito de síntese: a direita político-partidária geme, porque sem poder, enquanto a direita económico-financeira coça a barriga de contente (Cavaco incluído); os partidos à esquerda do PS barafustam, mas não combatem, não tendo estado à altura, no plano político, da luta que tem havido nos planos sindical e social, enquanto a população, em geral, geme. Ouvimos de vez em quando: já não há homens de palavra como dantes; essa verdade dura chegou, há muito, à política. Apesar disso, a política da batota é incensada e sacralizada pelos sacristães dos media.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-1608670314784179055?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1608670314784179055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1608670314784179055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/03/da-batota-poltica-e-da-poltica-da.html' title='DA BATOTA POLÍTICA E DA POLÍTICA DA BATOTA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-8257885707950628992</id><published>2007-03-14T19:17:00.000Z</published><updated>2007-03-14T19:19:25.478Z</updated><title type='text'>É ALTURA DA PODA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;«A poda é a arte e a técnica de orientar e educar as plantas,&lt;br /&gt;            de modo compatível com o fim que se tem em vista».&lt;br /&gt;[SIMÃO, S., &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tratado de Fruticultura.&lt;/span&gt; Piracicaba: FEALQ, 1998.]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É altura da poda seca. Deve-se o tema desta crónica a eu ter passado parte do fim-de-semana a podar o damasqueiro e a videira que, mais do que uvas, faz uma frondosa latada no verão, onde faço a minha sala de jantar. Seguindo a epígrafe, que encabeça o texto, podei o damasqueiro em forma de vaso, conforme meu pai me ensinou, forma que é utilizada para oliveiras, amendoeiras e outras árvores de fruta, pois tem duas vantagens: a planta respira melhor e, por outro, a recolha dos frutos é facilitada; a ramada podo-a seguindo e segundo este princípio: desenho uma coluna vertebral de onde nascem regular e alternadamente costelas com dois olhos de onde verde e pampos brotarão. Frutos? Se o damasqueiro é irregular, tendo anos em que carrega bem e outros em que damascos nem vê-los, a ramada não recebe o sol suficiente e a casta não é a melhor indicada para o local, mas é coisa que não me aborrece por aí além, pois o mais importante é o espaço verde, aprazível e fresco, para não dizer religioso, que a latada faz, lembrando um templo pagão do frígio deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, peço-lhes para fazerem o exercício que eu fiz: leiam a citação que encabeça o texto e substituam a poda por educação e as plantas por pessoas (crianças, adultos, professores e alunos, ministros e ministras). Que dizem? E, quando leio os diferentes tipos de poda – poda de formação, de frutificação (as podas de rejuvenescimento, regeneração e tratamento estão ainda a dar os primeiros passos com a biotecnologia e as operações plásticas) –, mais a semelhança entre árvores e nós me aparece familiar, verdadeira e saborosa! Assim como a árvore frutifica em função do modo como é formada, assim nós frutificamos em função da cepa (dos genes) e do modo como somos formados pela educação familiar, social e escolar. Se a poda aumenta o vigor, porque não desperdiça energias em mamões e ramos sem utilidade; se o tronco aumenta na proporção inversa da poda; a educação, do mesmo modo, orienta a energia para o nosso crescimento e desenvolvimento e, em lugar de obesidade mental e corporal, torna-nos elegantes física e espiritualmente – «alma sã em corpo são». A educação não deixa de ser uma espécie de poda: corta o que impede e desvia o desenvolvimento e orienta e potencia a seiva que nos faz. E como nos falta o princípio pedagógico que a citação refere – «de modo compatível com o fim que se tem em vista» – e não metendo todas as espécies e pessoas na forma da poda única. Uma poda errada, na natureza, destrói a árvore; na vida e na escola, gera insatisfação, distúrbios e insucesso. Quem hoje percebe da poda? Não seria importante que pais, professores, ministros e ministras de educação tirassem um curso de poda? E quem hoje quer ser podado? Não é mais fácil andar à solta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos sem cultivo: naturalmente, tudo abandonado e sem agri-cultura, humanamente, a iliteracia, a escola para todos, mas para ninguém, e o abandono. À falta de uma formação exigente de podadores (a começar pelos formadores!), à falta de exigência para podadores e podados, à falta de cultura que tenha em conta a cepa de cada um, à falta de saber dos feitores que passam pelos ministérios, como se quinta deles fosse, somos cada vez mais um mata espessa sem fruto nem baga, que amanhã alimentará incêndios sociais. Não somos um país, somos um matagal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-8257885707950628992?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8257885707950628992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8257885707950628992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/03/altura-da-poda.html' title='É ALTURA DA PODA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-1399781108679551584</id><published>2007-03-08T00:22:00.000Z</published><updated>2007-03-08T00:23:44.288Z</updated><title type='text'>O REGRESSO DE PORTAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevemos, aquando da demissão de Portas da presidência do partido, após a derrota do PSD e do CDS nas últimas legislativos, que Portas só voltaria à política para voos mais altos. No plano das intenções, assim parece acontecer. Depois da fase do luto, que ele não cumpriu, mas entregou a outros – foi a Ribeiro e Castro como podia ter sido a Telmo Correia ou a outro – ei-lo de volta, apesar de nunca verdadeiramente ter saído: se, partidariamente, calado (na Assembleia da República, nem piou), politicamente, continuou palavroso, graças às portas que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;SIC Notícias&lt;/span&gt; lhe abriu, como comentador, no programa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estado da Arte&lt;/span&gt;, mas não com o sucesso esperado pelo canal e pelo comentador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o que traz Portas de volta? Se a agonia do CDS é o motivo, não é a razão: Portas não quer desperdiçar a porta aberta pela ausência de oposição à direita. E por ela quer entrar como candidato a líder de direita e da direita. Da direita, principalmente. Ele o disse: é preciso oposição do centro-direita a Sócrates e um líder que faça oposição. Como Portas, se pudesse, daria o salto do CDS para o PSD! Contudo, é precisamente este o salto que pretende dar, mas sob uma outra forma. E por que não tentar, se no circo da política a acrobacia não implica perigo, porque as quedas são amortecidas pela rede da memória curta? Apesar da táctica e do incentivo, que lhe foram dados por quem eu nunca esperava (Pulido Valente) – Portas, se for «subversivo» e não «populista, poderá vir a ser o líder da direita –, o objectivo não só é difícil de atingir como nos parece mais filho da fantasia do que de análise fria. E por várias razões: (i) como já escrevemos, a ausência de oposição, de direita, não reside em saber ou não saber fazer oposição, mas no facto de o PS de Sócrates ter ocupado o espaço de centro-direita e para o comprovar basta ver o apoio que este governo tem dos media, em geral; e sabendo nós quem eles representam, não vão, de certo, trocar Sócrates por Portas, se não trocam Sócrates por Marques Mendes (o pouco destaque que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;DN&lt;/span&gt; e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt; lhe deram – este remeteu-o para a sexta página, sem qualquer referência na primeira – diz muito); neste momento, quem melhor serve política e economicamente os interesses do centro-direita é o executivo de Sócrates; (ii) assim, a revolução que Portas pode trazer não é de conteúdo, mas de forma; como pode criticar as políticas de Sócrates, se elas são de direita? Formalmente, sim, pois Marques Mendes, amordaçado pelas políticas de centro-direita de Sócrates, não tem sido nem formal nem materialmente oposição visível; (iii) contudo, a reentrada em cena de Portas, e principalmente com esta agenda política em mente, não vai deixar o PSD quieto e mudo (Marques Mendes que se mexa e cuide); e, se Portas tiver algum sucesso, bem poderá obrigar o PSD a fazer um congresso extraordinário e a encontrar um novo líder (ou uma líder, não estão as mulheres na moda?), que torne, pelo menos, o PSD visível, caso não caia no suicídio de entregar o PSD nas mãos de Menezes, e a não ficar à espera que a cicuta do poder “mate” Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe de Sócrates foi governar à bloco central, sem precisar de alianças com o PSD. A oposição só pode vir do PCP, do BE e do interior do PS, porque acabou com a de direita, só que o PS é o seu líder e o aparelho, salvo duas ou três excepções, trocou as referências ideológicas pelo poder. Como quer Portas ser o político da direita, se, além de ter de se substituir ao PSD, a direita está com Sócrates, embora com o cartão do PSD, no bolso e, se calhar, com as cotas em atraso? Mais de que cumprir uma missão impossível, Portas parece cumprir, uma vez mais, a sua missão: agitar. Portas é o hiper-activo da “nossa” política. E, no morno em que isto está, tem mais a ganhar do que a perder. E que vai enervar Sócrates e tudo fazer para que ele perca a cabeça, vai.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-1399781108679551584?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1399781108679551584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/1399781108679551584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/03/o-regresso-de-portas.html' title='O REGRESSO DE PORTAS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3872329116600198265</id><published>2007-03-02T23:00:00.000Z</published><updated>2007-03-02T23:02:20.705Z</updated><title type='text'>A POLÍTICA DO DIA SEGUINTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Sócrates não desarma: depois de, nas Jornadas Parlamentares, ter proclamado o PS de partido «progressista» (a necessidade de o dizer não reflectirá a ausência de o ser?), pelo contributo que deu para a despenalização do aborto até às dez semanas, não tardou, receoso que a ideia fecundasse, a fazê-la abortar com a política «do dia seguinte» de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a vitória do sim no referendo sobre a despenalização do aborto, houve dois acontecimentos, que passaram despercebidos (?), que eu saiba, à grande imprensa, aos seus comentadores e colunistas residentes e que passo a referir: (i) José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, nas Jornadas Parlamentares do PS, deixou, porque sem ponto, que  o seu inconsciente falasse livremente e sem freio: ...caros camaradas, agora, quero dizer-vos «do fundo do meu coração» que «talvez» não tenha vivido uma noite como a de domingo (noite do referendo) e pensei que o PS bem merecia ser classificado de partido «progressista»! Talvez? Como esta frase, principalmente a palavra «progressista», é, psicológica e psicanaliticamente, a «chave» para “entrar” em Sócrates. Fiquemos pelo essencial: José Pinto de Sousa, primeiro-ministro, ao adjectivar o PS de «progressista» (categoria política fundamental da terminologia política de esquerda), pela adesão à causa da despenalização do aborto, demonstrou, sem querer, o seguinte – aquele que é, há dois anos, o primeiro responsável pelo ataque ao Estado Providência, aproveitando o fantasma do défice, é o mesmo que se regozija do «fundo do coração» de o PS ser um partido “progressista” num fim de semana! Como ele se sentiu feliz por ser socialista (a sério ou a fingir?) naquela noite, depois de um jejum socialista de dois anos de governação! Ao tentar ocultar a prática política de centro-direita do seu governo mais a reconheceu. Quererá ele, à semelhança do seu ministro da saúde convidar-nos para entrar para a caravana que quer varrer urgência como varreu maternidades e a gratuitidade do sistema nacional de saúde? (ii) quando li no Público virtual (12-2-07), mas que não vi no impresso (!) o seguinte – «A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) classificou hoje de ilegal a proposta da tutela referente ao primeiro concurso para professor titular, alegando que o critério da assiduidade discrimina os docentes que estiveram doentes ou de licença de maternidade (sublinhado, nosso). Segundo a proposta do Ministério da Educação (ME), o processo de selecção para a categoria de titular, a mais elevada da nova carreira, vai ter em conta todas as faltas, licenças e dispensas dos candidatos entre os anos lectivos 2000/01 e 2005/06, mesmo que tenham sido dadas por doença ou maternidade (sublinhado, nosso), por exemplo» – não queria acreditar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PS “progressista” de José Sócrates Pinto de Sousa que se bateu pela IVG no dia 11 de Fevereiro é o mesmo que, «no dia seguinte», penaliza a maternidade: a licença de maternidade é considerada falta e descrimina as mulheres que foram mães, para o acesso a professor titular. Aos tradicionais métodos de contracepção o PS “progressista” do engenheiro, pela Universidade Independente, José Sócrates junta a medida “progressista” de punir as mulheres que tenham filhos, sendo o tempo de licença de maternidade considerada como faltas dadas!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Post scriptum&lt;/span&gt;. Leio, em destaque na primeira página, num diário: «Despedimentos de grávidas não param de aumentar». Onde está o «sim» à vida e o partido “progressista” de Sócrates? Como o «dia seguinte» é terrível!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3872329116600198265?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3872329116600198265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3872329116600198265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/03/poltica-do-dia-seguinte.html' title='A POLÍTICA DO DIA SEGUINTE'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-5796830775674165745</id><published>2007-02-28T23:11:00.000Z</published><updated>2007-02-28T23:13:19.306Z</updated><title type='text'>CAVAVO E SÓCRATES: OS GRANDES TIMONEIROS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corre, por aí, em escritos e ditos, que Sócrates não é de direita nem de esquerda, é engenheiro sanitário. Antes o fosse. Socorrendo-nos da lógica, estaremos mais certos se concluirmos que Sócrates é formalmente engenheiro sanitário e materialmente político. A não ser que se trate de alguma metáfora: o país ser comparado a uma ETAR e, então, nada melhor do que um engenheiro sanitário para o tratar. Mas, fora tudo isso, a verdadeira profissão de Sócrates é ser político. Aqui é que teve o sucesso que nunca tivera nem teria como engenheiro sanitário. Sócrates, sem a orfandade da direita, que se sucedeu a Cavaco, sem a fuga de Durão, o “dandismo” político de Santana e a alegria de Portas, não só não tinha chegado com facilidade ao poder, e, a chegar, nunca com maioria absoluta, como não teria passado de um desconhecido engenheiro sanitário de qualquer câmara socialista ou laranja, tanto lhe daria e faria, como mais um funcionário público. E Cavaco, caso não fosse a necessidade de fazer a rodagem ao carro, nunca chegara a  primeiro-ministro e muito menos a Presidente da República e, sem ele, o País não teria, claro, alcançado a velocidade de cruzeiro de desenvolvimento que a prise política de Cavaco imprimiu na sua consular década. Portugal é um país de lotaria e a política não foge à regra. Com uma diferença: a eles saiu-lhes a sorte grande da política, o de conseguirem ser alguém, pela política, a nós, em contrapartida, o azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serve tudo isto como intróito àquilo que leio nos jornais: as últimas sondagens dão Cavaco encavalitado lá em cima, Sócrates a alcançar-lhe os pés na escada das sondagens, o governo mau e a oposição pior. Cavaco, como todos os presidentes, está no top: ele é esperança, ele é auto-estima nacional, ele é mais valia política, ele é a boleia para o desenvolvimento, ele é o tudo que é nada. Sócrates, engenheiro sanitário, deputado apagado, ministro do ambiente responsável pelo aquecimento local que a co-incineração originou, comentador ao lado, ao nível e a par de Santana, ei-lo, miraculosamente transfigurado em grande estadista, graças ao milagre das maiorias absolutas, que transformam o ninguém em alguém! Que seria de nós, sem estes dois homens? A não ser eles, ninguém se salva: ministros, governo e oposição. Eles, sim, têm ideias e projectos para Portugal, melhor, eles são as Ideias, eles são o Projecto, eles são Portugal! E se um imita Albuquerque o outro, não querendo ficar a trás, quer logo ser Marco Pólo. Onde estão os analistas e os comentadores para nos explicarem tamanha contradição: governo e oposição pelas ruas da amargura e eles em alta! Que sonda a das sondagens que coloca o governo às portas dos infernos e o seu responsável e maestro à entrada dos céus? Eureka: se com estes dois timoneiros, a coisa continua tão mal, não mereceriam eles outro País? Confesso-vos que já me doía a cabeça de não saber resolver esta contradição! E logo esta que, em lugar de dar à luz, dá escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O erro capital da nossa política reside na pessoalização da mesma. Este o grande défice da nossa cultura política. Só sairemos da crise, se sairmos, se o País se merecer a si mesmo, se expulsar os sebastiões e eleger quem eleja a nação como protagonista principal. A nossa política está contaminado de religioso: a salvação nossa e do país não passa pela mobilização nacional, mas por alguém que nos venha salvar! Esta a explicação para Salazares, Cavacos e Sócrates e o que mais virá. E se verá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-5796830775674165745?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5796830775674165745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5796830775674165745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/cavavo-e-scrates-os-grandes-timoneiros.html' title='CAVAVO E SÓCRATES: OS GRANDES TIMONEIROS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-4005306979032934092</id><published>2007-02-23T23:30:00.000Z</published><updated>2007-02-23T23:32:10.014Z</updated><title type='text'>INTELIGÊNCIA AZUL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espantados com o título de hoje? Socorri-me desta metáfora por associação àquela que todos conhecem: «sangue azul». Até a burguesia ter posto fim ao sangue azul, a nobreza, porque incomunicável com outras classes, salvo os bastardos, tinha-se na fama e no proveito de que o seu sangue, embora vermelho corresse, diferente era: era azul. Contudo, o nobre, ao contrário do puro-sangue, que mantém a raça, a garra e a animalidade, degenerou cansado de tanto azul. A consanguinidade e as classes dirigentes são degenerativas. O mesmo cansativo. Sem o refrescamento com o sangue do povo, não teria havido Mestre e em lugar da «ínclita geração» bem poderíamos ter tido uma geração de definhados. E sem Infantes como partir de Sagres, chegar ao «Longe» e vencer a «Distância»? A causa do esgotamento da nobreza residiu no facto de não ser a hereditariedade biológica a suportar a hereditariedade social, mas ao contrário. Contudo, alguém pode retorquir: e a burguesia?! Tem razão, a burguesia começou como revolucionária e acabou como reaccionária. Começou como europeia e acabou como americana. Começou como utopia e acabou como império. Começou como razão e acabou como unto. E o povo? Bem, o povo é, mais uma vez, a reserva para outra coisa que não sabemos bem o que vai ser. E ainda bem. O povo é o inferno magmático social que, explodindo, renova a crosta da vida. Mas o problema é que também ele se está a esgotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É altura de cumprirmos o título. E estou mesmo já a ouvir perguntar: mas que diabo de inteligência azul é essa? Uma autêntica nobreza de pensamento. Esta espécie de inteligência, contrariando a lei inexorável da estatística – «a lei da regressão para a média» –, que impede que um génio não gere senão genialidade e o imbecil senão imbecilidade [caso assim não fosse, há muito que a espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo sapiens&lt;/span&gt; se teria partido em duas: a dos génios (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo sapientissimus&lt;/span&gt;), evolutiva, e a dos imbecis (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo imbecillis)&lt;/span&gt;, degenerativa], esta espécie, dizíamos, gera inteligência azul, hereditariamente. A inteligência azul é um puro-sangue de massa crítica: o filho é sempre a continuação, senão o melhoramento, do pai e o neto, não contente, bate pai e avô. Isto, sim, que é concorrência! Esta espécie, rara, apareceu em algumas Universidades, graças à autonomia e independência pedagógicas, que, qual adubo do espírito, aliado à fortíssima selecção cultural a que a escolha e o convite obrigam, originou uma mutação neurofisiológica, responsável pela emergência desta nova aristocracia do pensamento. E não é que esta espécie vingou de tal maneira que se transformou numa elite cultural que, todos esperam, irá alimentar a nossa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;intelligentsia&lt;/span&gt; nacional, quando, há muito, teria «levado caminho», se sujeita à selecção natural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta nova nobreza intelectual teve tanto sucesso que já encontramos três gerações de inteligência azul a concorrer entre si: pais, filhos e netos!, e não é raro vermos, também, marido a concorrer com mulher! Frutos? A inteligência azul, seja por autodefesa, seja por instinto, seja por outra razão ainda desconhecida, não só não frutifica para fora como não dá possibilidades aos que não são da família. Mas, ao que se ouve, a estufa começa a estar estafada e estufada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-4005306979032934092?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/4005306979032934092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/4005306979032934092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/inteligncia-azul.html' title='INTELIGÊNCIA AZUL'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-5253059654380934921</id><published>2007-02-19T03:58:00.000Z</published><updated>2007-02-19T04:01:36.329Z</updated><title type='text'>FRONTALIDADE E COBARDIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A escrita é ex-posição. Esta a razão por que ela nunca poderá ser acusada de cobardia e o artífice de covarde. A crónica, seguindo e segundo a sua natureza, é uma escrita frontal e de frontalidade, porque se dirige ao poder, melhor aos seus agentes, seja qual for a sua natureza, questionando-o e questionando-os. A crónica, se elevada e não descendo ao ataque pessoal, como deve ser, é uma forma de intervenção cívica e de cidadania e um exercício de liberdade e de livre expressão do pensamento. Liberdade de expressão e pensamento que muitos se demitem de a exercer e que a maioria dos políticos e aparelhistas não gostam, porque a sua argumentação é, por regra, a força do poder. Na nossa democracia, formal e fortemente partidarizada, a liberdade de expressão e pensamento, em lugar de ser vista como um elemento de vitalidade democrática, é olhada de lado e como um auto-suicídio. Não admira, assim, que a liberdade de expressão e pensamento tenha custos elevados e, como na ditadura, continua, sob uma forma indirecta, mas eficaz, a ser proibida. Quem se atrever a exercê-la é condenado a ficar só na rua e na vida, principalmente em meios provincianos, onde a pressão é maior e o caciquismo, inclusive o cultural, sobrevive e campeia. O que não entendo é como há gente que abdica, para proveito próprio, de exercer, como cidadão, a liberdade de expressão e de pensamento, ao mesmo tempo que quer morar na criação. Como cidadãos, castrados, como criadores, augustos. Vivem no silêncio estratégico, com uma parte do rabo dentro e com outra de fora, para não se comprometerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ontem, os políticos, seus aparelhos e gente que os serve não gostam de um «espaço público» de discussão democrática, confundindo cidadania activa com ataque pessoal. E não nos podendo liquidar pela argumentação nem por argumentos sejam eles o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;argumentum ad hominem&lt;/span&gt;, em que todos podemos incorrer, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;argumentum ad crumenam&lt;/span&gt;, sua prata da casa, ou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;argumentum baculinum&lt;/span&gt;, que a direita trauliteira tem sempre à mão, respondem-nos com o argumento fraco dos duros: o amuo, o deixarem-nos de falar,  a crítica nas costas, mas não vendo, entre eles, as suas. O que seria desta gente fora do poder? E não contentes, ainda, descem desonesta, covarde e facilmente ao rótulo ético, arrumando as pessoas em boas e más: as boas aquelas que fazem parte do seu clã e os bajulam e servem; as más aquelas que, pertencendo ao eixo do mal, não estão para isso. E à ousadia de pensar, que não ousam, chamam-lhe nomes: a mania de dizer mal. Estar entre iguais é bem mais difícil do que ter, em baixo, uma assistência sempre a bater palmas, de que tanto gostam. Como, em plena luz do dia, anda para aí gente com o lampião dos outros nas mãos para ver se a vêem melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que ser hera ou estar rodeado por heras, para ganhar protagonismo ou de mim se servindo, mais do que uma multidão no dia do meu funeral, por obrigação e por gente que me rogou pragas para morrer, e que nunca de mim mais se lembrará senão para se regozijar – já lá estás, há mais tempo tivesses ido! –, quero, acima de tudo, estar bem comigo, hoje como ontem, e com o futuro, se o merecer.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-5253059654380934921?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5253059654380934921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5253059654380934921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/frontalidade-e-cobardia_19.html' title='FRONTALIDADE E COBARDIA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3109305700007446027</id><published>2007-02-17T01:45:00.000Z</published><updated>2007-02-17T01:49:56.987Z</updated><title type='text'>“QUADRO DE HONRA” PARA PROFESSORES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ministra regente da educação, a sr.ª Maria de Lurdes Rodrigues, com respeito pela regente que tive no tempo da ditadura, depois do primeiro acto – o ter voltado a opinião pública contra os professores, responsabilizando-os de tudo o que de mal está na escola pública e amesquinhando-os publicamente, branqueando, assim, toda a política educativa do “centrão”, feita e desfeita por trinta anos de reformas e contra-reformas, ao prazer deste e daquele ministro da educação (dois exemplos actuais: a desvalorização da filosofia e a polémica sobre a TLEBS, que, como no passado, faz dos alunos cobaias, e sem uma palavra da ministra) e de uma péssima formação de professores de que os diferentes ministros da educação e respectivas Universidade são os principais responsáveis – depois do primeiro acto, dizíamos, encena o segundo: para o melhor da Turma de 140 mil, um prémio monetário – 25 mil euros, cinco mil contos em moeda antiga! Depois de “acanalhar” os professores, o rebuçado para o melhor da Turma! Maria de Lurdes reúne, além de outras, duas virtudes: à maneira “inferior” como muito do ensino superior olha os ensinos básico e secundário junta a «razão do poder», suportada em tudo o que é Grande Imprensa falada e escrita. A notícia do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;, sobre o “quadro de honra”, era suportada por uma “caixa” jornalística e pelos “exemplos” do ensino público americano (degradado!) e do inglês, que para lá caminha. Como era interessante saber o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;curriculum&lt;/span&gt; escolar da ministra e de Sócrates, entre outros, e ouvir os seus professores para sabermos que traumas e recalcamentos estão na origem deste comportamento. Ora, aqui está um bom tema de investigação psicanalítica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se não nos espanta a comédia – escolher o melhor professor entre 140 mil e de áreas e sectores tão diversos! –, espanta-nos, sim, ver Daniel Sampaio prestar-se, como presidente do júri nacional, acompanhado de Roberto Carneiro, de António Nóvoa e de Isabel Alarcão (tudo gente superior e/ou do superior!), a fazer parte do teatro, quando o que o júri devia investigar era não só a razão por que a excelência está arredada das escolas, mas também as políticas educativas do “centrão” e os ministros delas e por elas primeiros responsáveis. Mas nada que já nos espante: se o psiquiatra Lobo Antunes se passou, com toda a naturalidade, de Sampaio para Cavaco, como Daniel não aceitar o convite de Maria de Lurdes, sem precisar de se passar? Como é, no mínimo, sadismo político colocar Roberto Carneiro num júri nacional que pretende trazer a excelência às escolas, quando ele é um dos maiores responsáveis pela sua quebra e partida: a abertura do ensino superior privado sem regras, nem rigor (onde muitos políticos do centrão tiraram ou acabaram os seus cursos, escudados na política), orientando-se, na maioria dos casos, pelo economicismo. E quanto a António Nóvoa – reitor da Universidade de Lisboa – o seguinte: aquele que, entre outros (reitores das Universidades), não teve resposta à altura, no programa de «prós e contras», na RTP 1, para combater a crítica feita pelo “assessor” do ministro Mariano Gago, o professor Luís Moniz Pereira, investigador da área da inteligência artificial – os reitores têm andado a «coçar as costas» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mutatis mutantis&lt;/span&gt;), em lugar de reformarem as Universidade –, é o mesmo que é escolhido para dar cobertura às costa da ministra: as costas grandes continuam a ser as do ensino “inferior”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a afirmação da ministra – «devolver ao País a excelência da actividade profissional dos professores» – e o meio apontado para o conseguir fazem, apesar dos acompanhantes no cortejo, de um assunto sério, digno e elevado, uma anedota! E por que não Mariano Gago propor um “quadro de honra” para cada Universidade para sabermos, também, da excelência de Maria de Lurdes? E de outros. Muitos...&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3109305700007446027?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3109305700007446027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3109305700007446027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/quadro-de-honra-para-professores.html' title='“QUADRO DE HONRA” PARA PROFESSORES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-3374743330521777724</id><published>2007-02-15T04:23:00.000Z</published><updated>2007-02-15T04:25:10.744Z</updated><title type='text'>As palavras e nós</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Catano, nunca mais sou atendida!», ouço uma senhora a resmungar, numa mesa do café, mesmo ao lado da minha. Até que enfim ouvi uma palavra que não ouvia nem dizia há muito: catano! Ouvir e pronunciar uma palavra, há muito esquecida, é como ver alguém que não víamos há anos. Demoramos sempre algum tempo a reconhecê-la. As palavras, como nós, também envelhecem e deixam de ser precisas. Contudo, elas ainda ficam no dicionário. E nós ficamos aonde? Que será feito da nossa memória, quando os nossos netos se esquecerem de nós? Quem nos vai reconhecer num álbum, que alguém encontre no sótão do tempo? Como a “memória eterna”, que lemos numa campa, tem a brevidade das flores que nela colocam! Memória e flores, a mesma brevidade. Catano, que não valemos nada!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-3374743330521777724?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3374743330521777724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/3374743330521777724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/as-palavras-e-ns.html' title='As palavras e nós'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-8981374311574975423</id><published>2007-02-10T02:55:00.000Z</published><updated>2007-02-08T04:45:21.330Z</updated><title type='text'>ALGUÉM, ZÉS-NINGUÉM E IMPORTANTES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A nossa importância mais não é do que o meio, interesseiro, que os outros utilizam para ganhar a sua própria importância. Depois, esquecem-na: quem sobe na vida não gosta de olhar para trás. O passado é para esquecer e rejeitar. E a sua importância depressa substitui aquela que o ajudou a ser importante. Só nos dá importância quem precisa de nós. Fraca a importância que assenta em precisados. Ser importante é, de certa forma, ser útil e, para “utilizar” a importância dos outros, há mil manhas, destacando-se a adulação e a falsa amizade. Como está senhor doutor?, ouvi eu, vezes sem conta, a pessoas que, ao entrarem no restaurante, deste modo, cumprimentavam uma personagem que nele se encontrava. É certo que os meios pequenos potenciam as figuras importantes, mas a maioria gosta do estatuto de importante, mesmo sabendo que está a ser utilizada e que amanhã, quando não precisarem deles, é como se já não existissem. Há mesmo aqueles que só vão a restaurantes onde são tratados por doutores, engenheiros ou arquitectos, mesmo não o sendo. Quem não é não se resigna e tudo faz para parecer que é. Parafraseando Camões: mais vale sê-lo do que parecê-lo, mas pareça-o quem não pode sê-lo. Se todos fossem cidadãos e a cidadania uma prática, a importância e os importantes extinguir-se-iam. Há importantes, porque há zés-ninguém. Além e acima do importante e do zé-ninguém, está o alguém, sem a soberba do importante e a manha do zé-ninguém. Mas, num meio de importantes e zés-ninguém, é difícil ser-se alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em lugar de pensarmos em ser importantes, devíamos, antes, preocuparmo-nos em sermos alguém, porque ser alguém é bem mais importante do que a importância. O fim do importante e do zé-ninguém é o fim da utilização do outro, da adulação, da inveja, dos mal agradecidos, dos bem agradecidos, dos favores. Numa sociedade culta e evoluída, à importância não lhe é dada qualquer importância e, aos direitos e à cidadania, a máxima importância. Pobre da sociedade, como a nossa, que é, regra geral, constituída, por importantes, alguns, e, maioritariamente, por zés-ninguém. Como tudo seria diferente, se a maioria fosse alguém. O importante é-o por fora e, mais cedo ou mais tarde, deixará de ser importante, mas o ser alguém é algo de intrínseco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante não vale pelo que é, mas pelo que pode, o zé-ninguém pouco ou nada vale, porque não é, não tem nem pode, o alguém vale, essencialmente, pelo que é. O importante é invejado e utilizado, o zé-ninguém esquecido e posto de lado, o alguém receado e respeitado.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-8981374311574975423?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8981374311574975423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/8981374311574975423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/algum-zs-ningum-e-importantes.html' title='ALGUÉM, ZÉS-NINGUÉM E IMPORTANTES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-6129359517506773293</id><published>2007-02-08T04:37:00.000Z</published><updated>2007-02-06T00:10:27.901Z</updated><title type='text'>SANTA LUZIA, SÃO BRÁS E SÃO LÁZARO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na santidade, também, há hierarquia. Não há sete céus? E se cada um fosse passar a eternidade no andar correspondente ao seu grau de santidade, quantos daqueles que, no aquém, vivem nos andares de luxo e em ricas vivendas não iriam habitar o rés-do-chão celestial? Além dos dias santos de guarda, reservados para Deus e santos principais, todo o dia tem o seu santo, mas não de guarda, porque, se assim não fosse, a religião teria sido, há muito, a primeira a superar o trabalho. Ficou-se pela superação do trabalho e dos trabalhos, no além. Dantes, quando não havia medicina, pobres e ricos recorriam aos santos para os livrarem dos males e maleitas que tanto os afligiam. Quer queiramos quer não, a medicina tem sido a maior causa de esquecimento a que os diversos santos foram votados, apesar de terem sido, durante milénios, os intermediários entre Deus e nós. Até a religião não escapa ao poder científico-tecnológico. Hoje, só em casos extremos, os homens se voltam para Deus. Antigamente, os pobres, mais achacados a maleitas de todo o género e, ainda, sem medicina, socorriam-se da divina, através do santo respectivo. Por altura da Peste Negra, São Roque, a peste da peste – Ero pestis tua, o pestis, como escreve Vieira – devia ter batido Deus e Maria, em protagonismo, tal a invocação de que foi alvo, por parte dos pestilentos, que os havia às centenas de milhar por essa Europa fora. Quem reconhece hoje, São Roque, com o cão a lamber-lhe a ferida, provando que a saliva tem poderes curativos? E como não há ninguém que lamba as feridas, mesmo o próprio ao próprio, quem havia de o fazer senão o cão, esse amigo mais amigo do que o próprio homem? E, face ao mal das goelas, lá estava São Brás, perante Deus, como advogado dos sofredores da garganta, que longe se estava de pensar que um dia haveria otorrinolaringologistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das doenças da vista, tratava Santa Luzia e das bexigas São Lázaro. A “gancha” é a receita que São Brás dá para nos livrarmos do mal das goelas, o doce de calondro dos famosos “pitos” a medicação de Santa Luzia, para a vista, e os “cavacórios” de São Lázaro, para combater as bexigas. Como esta farmácia era bem melhor do que a actual! Muito desta farmacopeia continua viva, graças à Casa Lapão. Os doces típicos de Vila Real estão, assim, ligados a santos de devoção popular: a Santa Luzia, que se venera em 13 de Janeiro, os “pitos”, a São Brás, com seu dia a 3 de Fevereiro, a “gancha”, a São Lázaro, com festa móvel, porque sempre em função da Páscoa – Lázaro, Ramos e na Páscoa estamos  –, o “cavacório”. Os “pitos” e as “ganchas” dizem bem do erotismo de que eram rodeadas as festividades em honra de Santa Luzia e de São Brás e da linha ténue que separa o sagrado do profano. Durante a Idade Média, e mesmo depois, as festividades profanas não tinham uma existência própria, decorrendo sempre das sagradas. Hoje, vive-se mais no século do que no sagrado, por isso, o secular ganhou um estatuto próprio, não precisando da boleia do religioso. Ele é, hoje, o verdadeiro culto. Entre Santa Luzia e São Brás, o tempo de espera para as raparigas serem agraciadas com as “ganchas”, em agradecimento aos “pitos” que elas lhe tinham dado nas festas de Santa Luzia, ou noutras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local de celebração e festa de São Brás é a «Villa Velha» e as “Marianas” as mais crentes e  dinamizadoras. Não diz o Livro que «os desígnios do Senhor são insondáveis»? E lá está uma sentada, perto do portão do sul do Liceu, com a mesinha à frente, coberta por um pano branco, tendo em cima as ganchas, para venda, enquanto os altifalantes enchem os espaços de uma música para ninguém, alternando com o refrão musical monótono, subindo e descendo na escala, dos sinos da Igreja de São Dinis, que, assim, se vingam do silêncio de um ano. Com a devoção defunta, a tradição é, agora, a devoção, mas mesmo esta já não é o que era, pois não se ouve ninguém a cantar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vou ao São Brás&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De cu ó pra trás&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Buscar uma gancha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para o meu rapaz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vou ao São Brás&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De barriga prá frente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Buscar uma gancha &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para a minha gente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-6129359517506773293?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/6129359517506773293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/6129359517506773293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/santa-luzia-so-brs-e-so-lzaro.html' title='SANTA LUZIA, SÃO BRÁS E SÃO LÁZARO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-5919065297540573897</id><published>2007-02-06T00:06:00.003Z</published><updated>2007-02-15T04:23:46.417Z</updated><title type='text'>A un hombre de gran nariz (mais um soneto de Francisco de Quevedo)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A un hombre de gran nariz&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Érase un hombre a una nariz pegado,&lt;br /&gt;érase una nariz superlativa,&lt;br /&gt;érase una alquitara medio viva,&lt;br /&gt;érase un peje espada mal barbado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era un reloj de sol mal encarado, 5&lt;br /&gt;érase un elefante boca arriba,&lt;br /&gt;érase una nariz sayón y escriba,&lt;br /&gt;un Ovidio Nasón mal narigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Érase el espolón de una galera,&lt;br /&gt;érase una pirámide de Egipto, 10&lt;br /&gt;las doce tribus de narices era;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;érase un naricísimo infinito,&lt;br /&gt;frisón archinariz, caratulera,&lt;br /&gt;sabañón garrafal, morado y frito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;A um homem de grande nariz &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era um homem a um nariz pegado,&lt;br /&gt;Era um nariz superlativo,&lt;br /&gt;Era um alambique meio vivo,&lt;br /&gt;Era um peixe espada mal barbeado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um relógio de sol mal encarado,&lt;br /&gt;Era boca acima um elefante,&lt;br /&gt;Era um nariz brigão e escrevente,&lt;br /&gt;Um Ovídio Nasón mal narigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o esporão de uma galera,&lt;br /&gt;Era uma pirâmide do Egipto,&lt;br /&gt;As doze tribos de narizes era;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um naricíssimo infinito,&lt;br /&gt;Enorme arquinariz, carranca fera,&lt;br /&gt;Inchaço garrafal, purpúreo e frito.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Tradução de José Carlos Costa Pinto)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-5919065297540573897?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5919065297540573897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/5919065297540573897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/un-hombre-de-gran-nariz-mais-um-soneto.html' title='A un hombre de gran nariz (mais um soneto de Francisco de Quevedo)'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-9051279382609521508</id><published>2007-02-04T03:36:00.000Z</published><updated>2007-02-04T03:40:38.096Z</updated><title type='text'>DO ABORTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;História&lt;/span&gt;. (i) A luta pela interrupção voluntária da gravidez tem já 25 anos e passa, no essencial, pelos seguintes momentos: (i) em 1982, o PCP leva o assunto à A.R., mas é rejeitado; (ii) em 14 de Fevereiro de 1984, é aprovada a Lei n.º 6/84 de 11 de Maio, era Presidente da República Ramalho Eanes e primeiro ministro Mário Soares, que diz o seguinte: «Não é punível o aborto efectuado por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina: a) Constitua o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida; b) Se mostre indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e seja realizado nas primeiras 12  semanas de gravidez; c) Haja seguros motivos para prever que o nascituro venha a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação, e seja realizado nas primeiras 16 semanas de gravidez; d) Haja sérios indícios de que a gravidez resultou de violação da mulher, e seja realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez»; (iii) em 1988, o PS apresenta um documento que visava a despenalização do aborto, por vontade da mulher, até às dez semanas, documento que é, cobardemente, retirado para o substituir pelo referendo; (iv) em consequência dessa decisão, a 28 de Junho de 1988, realizou-se o referendo sobre a despenalização ou não do aborto, tendo ganho o “não”, com 50,91% dos votos, mas com uma abstenção da ordem 68.1%; (v) porque o aborto continua na clandestinidade e a ser feito sem condições, a não ser para quem tenha dinheiro para ir a Espanha, eis-nos com novo referendo à porta, a realizar no próximo dia 11 de Fevereiro, para respondermos à seguinte pergunta: «Concorda com a Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada por livre opção da mulher, nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sim&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não&lt;/span&gt; ou abstenção? A maioria das perguntas não se responde com sim ou não. Esta confirma a regra. Se o sim, quer queiramos quer não, abre as portas à banalização do aborto, o não, por seu lado, deixa em aberto o problema do aborto clandestino e em nada contribui para resolver situações de gravidez “indesejada” que não cabem na lei. O sim é de direita até às dez semanas e de esquerda para o resto da vida; o não é de esquerda até às dez semanas de vida e de direita para o resto da vida; o sim corta as pernas à vida, quando ela quer emergir; o não corta as pernas à vida, quando ela tem pernas para andar; o sim quer o aborto responsável; o não quer o aborto responsabilizado; o não é, muitas vezes, hipocrisia; o sim é, muitas vezes, resolver um problema incómodo; o sim é “liberal” até às dez semanas e anti-liberal para o resto da vida; o não opõe-se à liberalização até às dez semanas e defende o neo-liberalismo no resto da vida; o não quer uma moral do tamanho de Deus; o sim a lei e mais nada; o sim é “poético”; o não patético. O aborto é uma questão para ricos e remediados, que passa ao lado da felicidade inconsciente dos pobres, que, maioritariamente, dizem não ou não lá vão, porque o aborto não lhes diz respeito. Que seria da demografia, sem a «fauna maravilhosa do fundo do mar da vida»? Quantos consumistas não pensarão duas vezes: aguento a gravidez ou compro um carro às prestações? Numa sociedade do “bem estar e do comodismo”, os filhos dão muito trabalho e serão, cada vez mais, um incómodo. O homem subverteu a reprodução: o sexo é, por regra, prazer, e reprodução, por excepção. E quem veja o presente e pense no futuro fica, no mínimo, estéril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 3- &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O aborto da política&lt;/span&gt;. O referendo ou de preferência uma lei feita pela Assembleia da República (por que razão não pedir a quem penalizou que despenalize?), não podem aparecer como factos isolados e sem a companhia de uma legislação adjacente sobre: educação sexual nas escolas (e por que não pública, utilizando os canais estatais?); planeamento familiar; política de natalidade, com a dignificação e valorização desta, e apoio às famílias numerosas; criação de um posto médico, onde a mulher, que pensasse em abortar, fosse atendida por uma equipa interdisciplinar (médicos e psicólogos), ajudando-a a tomar a “melhor” opção. E, claro, com um debate elevado, acima de metafísicas terrenas e extra-terrenas e sem as metáforas de “telemóveis”, “ovos” e “pintos”. A ausência de legislação e acção que fizessem do aborto a última opção, a cobardia e temeridade políticas do PS, de que é prova a utilização do referendo somente para aquilo que não convém, não só reforçam o não como, principalmente, levam à abstenção. A política do aborto diz bem do aborto da nossa política. E se há partido político responsável pela actual situação, ele é, pela cobardia política e pelo condimento que sempre deu à questão – o ser salsa –,  o PS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-9051279382609521508?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/9051279382609521508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/9051279382609521508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/02/do-aborto.html' title='DO ABORTO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-117019574032900378</id><published>2007-01-30T22:20:00.000Z</published><updated>2007-01-30T22:22:20.330Z</updated><title type='text'>A Ciência dos Deuses</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acima dos Deuses está a sua Necessidade. A verdadeira crença mora em crermos que, acima deles e de nós, existe o Destino e a heresia em adorarmos os Deuses, desconhecendo a sua Necessidade. A ciência da Necessidade é a verdadeira teologia, por isso, ela é, em último grau, uma teologia científica. Filhos da Necessidade, não há Deuses maiores ou menores do que outros, porque todos irmãos. Diferentes rostos dela, sim. Os homens vivem uma geração, os Deuses épocas, mas só a eternidade pode ser a morada do Destino. Em verdade, em verdade vos digo que Cristo não terá a longevidade de Osíris. Cristo, com dois mil anos, está em crise, Osíris teve a eternidade do Egipto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                                       (in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vila Real: Motivos)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-117019574032900378?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/117019574032900378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/117019574032900378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/cincia-dos-deuses_117019574032900378.html' title='A Ciência dos Deuses'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116995849333892468</id><published>2007-01-28T04:15:00.000Z</published><updated>2007-01-28T04:28:13.353Z</updated><title type='text'>DOIS SONETOS DE FRANCISCO DE QUEVEDO (1580-1645)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Un casado se ríe del adúltero que le paga el gozar con susto lo que a él le sobra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Díceme, don Jerónimo, que dices &lt;br /&gt;que me pones los cuernos con Ginesa; &lt;br /&gt;yo digo que me pones casa y mesa; &lt;br /&gt;y en la mesa, capones y perdices. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo hallo que me pones los tapices&lt;br /&gt;cuando el calor por el octubre cesa; &lt;br /&gt;por ti mi bolsa, no mi testa, pesa, &lt;br /&gt;aunque con molde de oro me la rices. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este argumento es fuerte y es agudo: &lt;br /&gt;tú imaginas ponerme cuernos; de obra&lt;br /&gt;yo, porque lo imaginas, te desnudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Más cuerno es el que paga que el que cobra; &lt;br /&gt;ergo, aquel que me paga, es el cornudo, &lt;br /&gt;lo que de mi mujer a mí me sobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um casado ri-se do adúltero que lhe paga o gozar com susto o que a ele lhe sobra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se, Dom Jerónimo, que dizes&lt;br /&gt;Que me pões os cornos com Ginesa;&lt;br /&gt;Eu digo que me pões a casa e a mesa;&lt;br /&gt;E, na mesa, capões gordos e perdizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vejo que me pões também tapetes&lt;br /&gt;Quando o calor pelo Outubro cessa;&lt;br /&gt;Por ti minha bolsa, não a testa, pesa,&lt;br /&gt;Ainda que, com molde de ouro, tu ma frises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este argumento é forte e é agudo:&lt;br /&gt;Tu pôr-me cornos imaginas; dest’ obra&lt;br /&gt;Eu, porque o imaginas, te desnudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais corno é quem paga que quem cobra;&lt;br /&gt;Ergo, aquele que me paga, é o cornudo,&lt;br /&gt;O que, de minha mulher, a mim me sobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hastío de un casado al tercer día&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Anteayer nos casamos; hoy querría,        &lt;br /&gt;    doña Pérez, saber ciertas verdades:        &lt;br /&gt;    decidme, ¿cuánto número de edades        &lt;br /&gt;    enfunda el matrimonio en sólo un día?        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Un anteayer, soltero ser solía,      5    &lt;br /&gt;    y hoy, casado, un sin fin de Navidades        &lt;br /&gt;    han puesto dos marchitas voluntades        &lt;br /&gt;    y más de mil antaños en la mía.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Esto de ser marido un año arreo,        &lt;br /&gt;    aun a los azacanes empalaga:      10    &lt;br /&gt;    todo lo cotidiano es mucho y feo.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mujer que dura un mes, se vuelve plaga;        &lt;br /&gt;    aun con los diablos fue dichoso Orfeo,        &lt;br /&gt;    pues perdió la mujer que tuvo en paga.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fastio de um casado ao terceiro dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz dois dias que casámos; hoje queria,&lt;br /&gt;Dona Pérez, saber certas verdades:&lt;br /&gt;Dizei-me: qual o número de idades&lt;br /&gt;Que afunda o matrimónio num só dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteontem ainda, solteiro ser soía,&lt;br /&gt;Hoje, casado, duas pequenas vontades&lt;br /&gt;Prometem um sem fim de anuidades&lt;br /&gt;E mais de mil outroras de porfia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto de ser marido um ano, meio,&lt;br /&gt;Até aos mais valentes a alma esmaga:&lt;br /&gt;Todo o quotidiano é muito e feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher que dura um mês volve-se praga;&lt;br /&gt;Por isso c'os diabos foi ditoso Orfeu,&lt;br /&gt;Pois perdeu a mulher que teve em paga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução de José Carlos Costa Pinto)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116995849333892468?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116995849333892468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116995849333892468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/dois-sonetos-de-francisco-de-quevedo.html' title='DOIS SONETOS DE FRANCISCO DE QUEVEDO (1580-1645)'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116966254390065881</id><published>2007-01-24T18:12:00.000Z</published><updated>2007-01-24T18:15:43.913Z</updated><title type='text'>A VERDADE E O MONSTRO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes enganamo-nos, mas, desta vez, não é engano: queremos mesmo dizer o que escrevemos e não o que estão a pensar: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Bela e o Monstro&lt;/span&gt;. A propósito d’ &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Bela e o Monstro&lt;/span&gt;: a antítese da história revela-nos a relatividade do gosto – a beleza, quando em excesso, vê a beleza no seu contrário: o feio em excesso. Uma mulher muito bonita apaixona-se, geralmente, por um homem feio. Esta a minha sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza tem o motor e a harmonia na lei dos contrários. Segundo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polemos&lt;/span&gt; heraclitiano, que tudo governa, e a lógica, que ao pensar preside, o contrário de verdade é mentira e o de verdadeiro falso. Por que razão, então, o monstro em lugar de mentira? Porque, quando há lavagem do falso, o resultado é, sempre, uma monstruosidade. Esta operação lembra-nos Frankenstein, seu método e laboratório. Procurava Frankenstein melhorar o ser humano, mediante cirurgias em que substituía certos órgãos por outros que retirava de cadáveres. O resultado era sempre, apesar da utopia, um monstro. A utopia de aperfeiçoar o biológico ou o mundo teve sempre resultados contrários aos desejados, porque sempre pariu monstros biológicos ou políticos, apesar das “boas intenções”. A pior ditadura não é a da vida, mas a das ideias, que só o confronto impede. Apesar de tudo, como constatamos, a democracia também gera os seus “monstrosinhos”. Caso não houvesse ideias não havia nem ditaduras nem liberdade. Havia vida. Se, no plano individual, ninguém consegue impor a sua ideia ao outro (e ainda bem), no plano político, o meio é a ditadura, em nome de Ideias, ou em nome das ideias da economia e da economia das ideias, quando não em nome da democracia! A interferência no biológico, que se advinha, pela aplicação do saber da génese, programação, estrutura e funcionamento da vida, tornará o homem um ser ainda mais artificial. A vida artificial está mais próxima do que se imagina. A longevidade de hoje não é já artificial? Outro extremo é a religião que, ao contrário daqueles que visam corrigir o mundo, o quer substituir por outro. Uns cirurgiões do ser, outros infiéis ao ser e fiéis a Deus. Qual a maior doença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entremos, agora, no laboratório da lógica frankensteiniana. Hoje, a realidade é a imagem. Só existe o que aparece. Eliuh Karz afirma que a televisão mata o intermédio: os partidos, o Parlamento, nós. Eu acrescento: mata o silogismo. E se, no plano da escrita, verdadeiro e falso têm que ser suportados por uma argumentação, no plano da imagem, ela suporta-se a si mesma, limitando-se o apresentador, o próprio nome diz tudo, a fazer a sua apresentação. A imagem que nos é dada do Mundo, e que está subentendido ser a verdadeira, passa por um processo frankensteiniano: pedaço daqui, pedaço dali, tira daqui, põe ali, retoque de um lado, retoque de outro, meia verdade daqui, mentira inteira dali. A imagem «editada» da realidade que percorre os telejornais de todo o Mundo, e a “explica”, é, na maioria das vezes, um monstro. A História é, hoje, uma monstruosidade global e nada melhor do que um monstruosidade para a dizer. Todos os dias, é-nos dada, gratuitamente, através de telejornais, comentários, documentários, a verdade toda. Gratuitamente? «Não há almoços grátis». Quem suporta hoje a política não é a verdade nem a mentira, mas o monstro, que tem como Frankenstein o pensamento único e laboratório os editoriais dos media, onde, à custa de vermos mortos e despedaçados, nos transformam no maior dos monstros: não vermos, insensíveis, a monstruosidade em que o mundo está transformado. Até que a realidade, um dia, nos bata à porta!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116966254390065881?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116966254390065881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116966254390065881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/verdade-e-o-monstro.html' title='A VERDADE E O MONSTRO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116908530958425039</id><published>2007-01-18T01:49:00.002Z</published><updated>2007-01-18T01:55:09.596Z</updated><title type='text'>JOSÉ SÓCRATES: LE PS C’EST MOI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sócrates é vaidoso e teimoso, dizem. Não é preciso dizê-lo: vê-se. E se a teimosia dá prioridade à vontade sobre a razão, a vaidade é, por norma, feminina. E se, no feminino, ela é espelho, no masculino, o vaidoso é espelho. Quem vê Sócrates, ouve-o baixinho: eu sou o maior e melhor, o top da política, o top dos tops. Sócrates é-se importante. Quando cumprimenta, não estende o braço, estica-o. O cumprimento de Sócrates não é próximo, mas alto e altivo, distante e importante. Anda como quem tem calos. Destes, da vaidade, por não caber nos sapatos, ou por todos os dias serem novos? E se a vaidade, no feminino, maquilha o rosto, nos políticos, manifesta-se através de uma política maquilhada pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;marketing&lt;/span&gt; e pelos media.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates faz tudo para esquecer as circunstâncias que lhe deram a maioria absoluta para mais facilmente se crer absoluto. Sócrates é o “nosso” Luís XIV socialista: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L´État c’est moi&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;le PS c’est moi&lt;/span&gt;! Sócrates, porque inseguro, precisa do absolutismo: acabou com a concorrência do PSD metamorfoseando-se nele, acabou com a Comissão Permanente do PS e tornou-se senhor absoluto dentro do PS, decretou a lei da rolha no governo e aos deputados e cronistas incómodos oferece-lhes lugares cómodos. E estes não se fazem rogados. O povo gosta (por enquanto) dele: se gostou de Salazar, de Cavaco por que não há-de gostar de Sócrates? Não são as dificuldades e a falta de pão que abrem as portas aos poderes absolutos? O povo sente-se seguro com estes homens. Sócrates é mando e não comando, arrogância e não firmeza, agressão e não convicção. Sócrates é mandante, não comandante. Sem maiorias absolutas, Sócrates dificilmente conseguirá, tal como Cavaco, governar. O PS não faz diferença do PSD, seja no conteúdo seja na forma. No conteúdo, o PS de Sócrates é o PSD que a direita nunca tinha tido. Na forma, o PS é o líder: sem ideias, sem ideais, sem correntes de pensamento, sem soaristas, sem guterristas, sem ferristas, sem oposição, com excepção dos alegristas, sem fio de pensamento, sem uma gota de utopia. Um bafio. Uma secura à e para a esquerda. Uma fartura, à e para a direita. Sócrates aprendeu com a direita e esqueceu  (se alguma vez soube alguma coisa dela) a esquerda. Nem o PS é já um partido nem Sócrates um político: o governo do PS, perdão de Sócrates, é a gerência do País e Sócrates o gerente da firma em que ele está transformado. Mais do que um gerente ou um executivo, Sócrates lembra um “standista” a quem temos que lhe agradecer a venda do carro, o nosso despedimento ou a transferência da empresa para outro lado. E, caso fosse economicamente vantajoso, Sócrates não pensava duas vezes: transferia o País para norte ou para sul, para leste ou para oeste. Sócrates não ora, ralha e, claro, não discursa, pois para isso é preciso fazê-los. Sócrates lê-os. Autor? Para seu resguardo, segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates, como os canais generalistas, é generalista e as suas generalidades, ditas com ar de mando, são as responsáveis pelo seu share político. A força de Sócrates assenta na fraqueza e fragilidade económicas que vivemos e de que o “centrão” é o único e verdadeiro responsável. «Pobre do governo! Isto está tão mal!» Sócrates vai sair pela porta que abriu: pela direita. Mas, desta vez, não vai haver tempo para folgarmos as costas: à prática política de direita de Sócrates vai suceder a prática política de direita da direita. A Cavaco sucedeu Guterres, mas a Sócrates vai suceder Sócrates ou um Sócrates para pior. À direita vai suceder mais direita. Sócrates mandou a política, pela rua da direita, ladeira abaixo e vai ser difícil parar a sua inércia. E, quando for preciso sustê-la, Sócrates não vai estar lá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116908530958425039?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116908530958425039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116908530958425039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/jos-scrates-le-ps-cest-moi_18.html' title='JOSÉ SÓCRATES: LE PS C’EST MOI'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116855707402677773</id><published>2007-01-11T23:09:00.000Z</published><updated>2007-01-11T23:11:14.040Z</updated><title type='text'>AS “PASSAS” POLÍTICAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cavaco que, pelo Natal, ficou, por estranho que pareça, mais encavacado do que todo o aparelho do PS com os elogios socratistas à coabitação e decalque políticos, entre Belém e S. Bento, vem agora, pelo Ano Novo, “distanciar-se” do voluntarismo e optimismo políticos de José Sócrates e exigir resultados para o ano que começou, nas áreas da economia, justiça e educação. Melhor, a pedir que o governo se comporte como um verdadeiro patrão e que exija resultados. O “distanciamento” é mais formal do que real. Até porque o governo de Sócrates é um verdadeiro governo de Bloco Central, sem o PSD. Esta a questão e contradição fundamentais da política actual que explicam, por um lado, a sintonia, no plano político-institucional, entre Cavaco e Sócrates, e, por outro, o mal estar, no plano partidário, no PSD, porque o torna desnecessário, lhe ata os braços e o impossibilita de ser oposição, restando-lhe, somente, a função de puxar Sócrates mais para a direita, ao mesmo tempo que Sócrates, respondendo à esquerda, vai dizendo que não, que não senhor, que o PS é de esquerda, de uma esquerda moderna e que as novas fronteiras são as não fronteiras. O recado da direita, seja o de Belém seja o da Rua São Caetano, é o mesmo: se, por um lado, satisfeitos por Sócrates ter visto a necessidade de uma política de direita, para sair da crise, por outro, insatisfeitos por ainda não ser suficientemente de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as “passas” de Cavaco e as de Sócrates, são, embora os “passes”,  as mesmas: exigir e responsabilizar, unilateralmente, os trabalhadores em geral, funcionários e professores. Apesar do cristianíssimo Cavaco se mostrar preocupado com a pobreza e com a necessidade de se manter a coesão social, a sua avaliação política é feita pela bitola fria do pragmatismo de direita (tal como a de Sócrates). De uma coisa Sócrates pode estar certo: se a economia não der sinais positivos e sustentáveis de mudança, durante 2007, terá a direita – Cavaco/PSD/CDS – a culpá-lo por ter ficado a meio do caminho reformista de direita, e a esquerda a responsabilizar a sua deriva pela e à direita como causa principal do fracasso. Resultados? Quanto à economia, quem pode garantir que o milagre aconteça? A economia mais do que determinada pela política determina esta. Quanto à justiça, como pedir contas a um pacto feito pelo “centrão”, tendo este se esquecido (?), Cavaco inclusive, da corrupção? Sobre educação: a escolha de Maria de Lurdes não foi um escolha pela educação e para educação, mas uma escolha da e pela «Organização» e nada melhor do que contratar uma capataz. Quando se elege a «Organização» e se esquecem a educação e os intervenientes, e não se avalia o «Desenvolvimento Curricular», como pretender dar o salto? E como acreditar num ministério que governa para a opinião pública (perdi os professores mas ganhei a população!) e substitui o diálogo pelo insulto? A ministra não só perdeu os bons professores como não ganhou os maus. Só quem não sabe onde está (em que mundo(s) estudou Sócrates?) pode afirmar: o novo Estatuto da Carreira Docente é essencial para a busca de «uma educação de excelência» em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso de Sócrates, até ao momento, não está em ele ter “acabado” com o Outro (PSD), mas em ter transformado o PS no Outro (PSD). Com Sócrates, entramos no Mesmo. A política é uma mistura de freudismo e surrealismo com os papeis todos trocados: Cavaco é o professor-presidente que exige resultados, apesar de detestar a política e os partidos; Sócrates mandou às malvas a utopia e ocupou o espaço do PSD; este, sem espaço, vive, acompanhado do BE e do PCP, na utopia!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116855707402677773?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116855707402677773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116855707402677773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/as-passas-polticas.html' title='AS “PASSAS” POLÍTICAS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116804577025292256</id><published>2007-01-06T00:46:00.000Z</published><updated>2007-01-06T01:09:30.280Z</updated><title type='text'>DO INFERNO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;«O inferno é onde quase todos vivem sem que o saibam&lt;br /&gt; e donde bem poucos saem para sabê-lo... »&lt;br /&gt;                                                                          [Eudoro de Sousa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mitologia História e Mito&lt;/span&gt;]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta frase lembra-nos uma outra, presente no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livro do Desassossego&lt;/span&gt;: «A decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse, pararia». E mais estes versos de Ricardo Reis: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;só os que vão no rio das coisas &lt;/span&gt;são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Felizes, porque neles pensa e sente / A vida, que não eles&lt;/span&gt;. A inconsciência é o analgésico que permite sobreviver no seio das labaredas das penas vitais. Ela está perto da naturalidade do instinto, contudo, este é, naturalmente, saúde, e a inconsciência, humanamente, analgésico. Só, saindo, entramos: só sabemos o inferno, que o vício é, depois de sairmos dele. Só quem saiu da vida, sabe da vida. Só quem saiu do inferno sabe do inferno e, também, sabe que a porta de acesso mais fácil aos infernos é a dos céus. Afinal, quem está desterrado e condenado: o que o está realmente, mas não o sabendo, ou o que o está no sabê-lo? Não há drama, não há  tragédia, não há inferno, fora da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inferno é o «mundo humano», melhor: a consciência dele. Este, sim, o verdadeiro inferno, que se potencia se se está contra ele. Que crime cometemos para os deuses nos condenarem à vida? Quem duvida que a vida é uma condenação? A religião não tenta salvá-la? A política não diz que a quer corrigir? A arte não faz do sonho a sua metafísica redentora? O instinto está acima da condenação. Na Natureza, não só o sofrimento está reduzido ao mínimo como não há consciência dele. A Civilização tem sido um inferno não só para o homem como para a Natureza e a vida, em geral. Se alguma espécie, superior à nossa, nos suceder, ver-nos-á como de facto somos: uma praga. E como as outras espécies invocarão os seus deuses para se verem livres de nós! Porque a melhor maneira de entrar é sair, todo o que sai, para entrar, condena-se à exclusão. Só sabemos o que é o amor, saindo dele, mas, se o sabemos, não o temos. Qual o melhor: tê-lo sem o saber, ou sabê-lo e não tê-lo? A consciência expulsa-nos das coisas, porque nos obriga a estar de fora para as ver. Assim, o consciente é temerário e o inconsciente aventureiro. A consciência não é boa companheira para a vida: a vida é para estar dentro dela e a melhor forma de a cumprir é não a questionar. Ela está fora de qualquer questão: «a inconsciência é o fundamento da vida». A consciência é, vitalmente, decadência e o consciente um doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito está certo: a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;queda&lt;/span&gt; foi a expulsão da inocência. Ser livre é livrarmo-nos de tudo o que nos prende, contudo, ao abdicarmos de possuir e de ser possuídos, abdicamos de viver. Só precisa de liberdade quem se sabe condenado. Os outros cumprem a vida. Por isso, só os que abdicam e «saem do inferno para sabê-lo», e tê-lo, têm necessidade e liberdade para criar céus. Todos precisam de um céu: o paraíso, para os crentes, a democracia, para os inconscientes, a Arte, para os conscientes.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116804577025292256?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116804577025292256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116804577025292256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/do-inferno.html' title='DO INFERNO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116778097962135720</id><published>2007-01-02T23:28:00.000Z</published><updated>2007-01-02T23:36:19.623Z</updated><title type='text'>BOM ANO NOVO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fim de ano é tempo de balanço. Para quem a vida é ter, o fim de ano é tempo de balanço e de encerramento de contas. E se, comercialmente, o haver tem de bater o dever, ontologicamente, o ser tem de bater o não ser. A História é comércio e nós mercadoria: ter ou não ter, eis a questão. E se, num plano civilizacional, a maioria é minoria no ter, que dizer, no plano essencial: no ser? Para quantos as palavras do príncipe Hamlet – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;To be or not to be, that is the question &lt;/span&gt;– é mesmo a questão fundamental? E ainda bem que a não é, porque, se fosse, a vida era revolta e a História uma Casa de Saúde. Se a ontologia tivesse a exigência comercial, quantos restariam sem falir? Apesar da democracia, a História, seja pelo ter seja pelo ser, é de minorias. E se a questão do ter é do foro da política, cada vez mais desacreditada e em que poucos se empenham a não ser os que ganham com isso e com ela, a questão do ser, além de pertencer ao foro íntimo de cada um, não traz vantagens. Quem, ontologicamente, está consciente ou sonha ou vive sob a tentação do suicídio: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Ser ou não ser, eis a questão: / Será mais digno para o espírito suportar / Os golpes e as feridas de um infame destino / Ou revoltar-se contra a vaga de males / E pôr fim a tudo pela recusa de viver? / Morrer, dormir. Acabou-se, e pelo sono esquecer / Os tor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mentos e todas as agressões / Que afligem a nossa condição. Eis aí o fim /Mais desejável. Morrer, dormir. / Dormir! Então talvez sonhar: eis a questão.&lt;/span&gt; [Shakespeare, Hamlet, III, 1]. A arte, ao abdicar e não servir o ter, não deixa de ser o “suicídio” necessário para poder sonhar. E criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balanço, positivo, do ser que faço deste ano, devo-o, principalmente, às seguintes leituras: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;El Arco y la Lira&lt;/span&gt;, de Octavio Paz, as obras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dans l’Œil du Miroir&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L’individu, la mort&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;l’amour&lt;/span&gt;, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mythe et pensée chez les grecs&lt;/span&gt;, de Jean-Pierre Vernant, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;From the many to the One,&lt;/span&gt; de A.W.H. Adkins, e o já clássico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Descoberta do Espírito&lt;/span&gt;, de Bruno Snell. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;El Arco y la Lira&lt;/span&gt;, espécie de Poética, encontrei – só agora! Como há livros que encontramos tarde! – a confirmação do pouco que tinha já pensado sobre o assunto e a resposta ao muito que ignorava. O ensaio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;El Arco y la Lira&lt;/span&gt; de Octávio Paz, que tem nos ensaios pessoanos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Heróstrato&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Impermanência&lt;/span&gt; os seus congéneres literários, confirma aquilo que vem já da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Romantik&lt;/span&gt;: que não há poetar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;(poiesis&lt;/span&gt;) sem poética (teoria). Graças aos livros de Jean-Pierre Vernant, de A.W.H. Adkins e de Bruno Snell, fiz o meu cursinho de psicologia histórica que, além de me darem a conhecer os estratos das camadas da “psicologia” grega, me vai permitir saber ler Homero – pondo de lado os meus olhos civilizacionais – e compreender melhor por que razão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Guardador de Rebanhos&lt;/span&gt; é mais uma teoria sobre a sensação primitiva do que a sua expressão poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para todos, que a vida de todos precisa – tenham ou não tenham, sejam ou não sejam, sonhem ou não sonhem, com a questão ou sem ela, connosco concordem ou discordem –, Bom Ano Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116778097962135720?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116778097962135720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116778097962135720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2007/01/bom-ano-novo_02.html' title='BOM ANO NOVO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116724768693589880</id><published>2006-12-27T19:25:00.000Z</published><updated>2006-12-27T19:28:06.950Z</updated><title type='text'>FERO, FERS, FERRE, TULI, LATUM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não são raras as vezes que retemos mais aquilo que ouvimos indirectamente do que directamente. E com outra vantagem: não só não somos obrigados a ouvir aquilo que não nos interessa como saímos quando nos dá na gana. Alguém, falando com outro, enunciou o verbo anómalo latino f&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ero, fers, ferre, tuli, latum&lt;/span&gt;, que significa – levar, suportar – e que todo o antigo estudante de latim gostava de decorar para botar figura, estratégia que o homem não perdeu, apesar de entradote na idade. Os verbos reflectem a flexão do ser e, consequentemente, a sua regularidade, irregularidade, anomalia, incoação, defectividade, pessoalidade, impessoalidade, para além da voz, tempo e modo. Mas o mais estranho, ou não, é que o verbo ontológico por excelência – o verbo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esse&lt;/span&gt; (ser) – seja ele mesmo anómalo –&lt;span style="font-style: italic;"&gt; sum, es, esse, fui&lt;/span&gt; –, como que advertindo-nos que o ser contém a anomalia na sua própria essência. Ou se quisermos: a defectividade original do ser, de que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pecado original&lt;/span&gt; é a sua versão teológica e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não ser &lt;/span&gt;a ontológica. E andamos nós a querer uma vida regular, normal, perfeita e, se possível, conjugada na passiva. Pior do que o pecado original do ser e da vida é o seu final: a Noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estudante, a enunciação de um verbo – fosse em latim: amo, amas amare, amavi, amatum; fosse em inglês: to be, was, been; fosse em francês: aimer, aimant, aimé, j’aime, j’aimai – era obrigatória, reflectindo um ensino estruturado e estruturante. Chamavam-lhe, e bem, as «bases». Quem é que, hoje, tem «bases e com elas se preocupa? Hoje, as bases são como os tectos: falsas. Sem «bases», ninguém pode crescer, fazer o seu edifício teórico e tornar-se espiritualmente autónomo. A democracia, no que nos diz respeito, trouxe a liberdade de pensar, mas levou a exigência. A democracia só se cumpre quando cria espíritos livres, sustentados e independentes. A crítica e o corte absoluto com o passado originou um vazio, que, regra geral, foi mal e apressadamente preenchido. Saber enunciar um verbo é perceber a estrutura radical do verbo nos tempos fundamentais: presente (primeira e segunda pessoa), infinito presente, pretérito perfeito e supino activo, no caso do latim. Hoje, os livros são mais «imagem» do que saber: estão cheios de vedetas de telenovelas, do futebol, da moda, da música e vazios de conteúdo. E, em lugar de um ensino estruturado, temos um ensino “despernado”, feito de remendos, de cruzes, de “copianços”, de cuspo e fotocópias. Ah, como a “bandeira” do inglês de Sócrates e de sua ministra Maria de Lurdes, de que não se conhece uma ideia sobre educação, mais arreou a nacional! Ontem, mandava, mal, o professor, hoje manda, pior, o aluno. Quando mandará o saber? Mas como, se ele foi expulso da sala de aulas? Quantos sabem ler um texto e interpretá-lo? Quantos têm uma ideia própria? Quantos sabem estruturar um pensamento? Quantos sabem e dão importância aos princípios seja na lógica seja na vida? A resposta está à vista: os princípios são a coisa que menos interessa, seja para a multidão seja para a política. A escola está como a vida: sem rigor nem princípios. Salve quem se puder. Quem está errado é o coerente, lógica e eticamente. Oxalá que este meu vaticínio se não confirme: se as medidas que o governo de Sócrates tomou para as diferentes áreas da vida forem iguais àquelas que tomou para o ensino, o desfecho vai ser catastrófico. E que dizer das consequências do processo de Bolonha? Estará, nele, salvaguardada a dialéctica entre «saber» e «competências»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabemos como iniciámos, fazendo outra citação, mas esta, apesar de se ter seguido à primeira e vinda de outro, tendo mais a ver com o estômago do que com verbos: «já são horas, vou comer umas bolinhas da terra a casa de meu pai». E, sem mais, partiu. Ora, aqui está uma expressão que não conhecia. Não há ninguém que não tenha algo a ensinar-nos. Estejamos nós atentos e sem soberba.&lt;br /&gt;&lt;span class="down" style="display: block;" id="formatbar_Italic" title="Itálico" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 4);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="img/gl.italic.gif" alt="Itálico" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Post scriptum.&lt;/span&gt; Em que mundo estamos?! Interrogação e pasmo, que vêm a propósito das palavras que o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, proferiu a propósito da morte de Pinochet: «A ditadura de Augusto Pinochet no Chile representou um dos períodos mais difíceis da história da nação. Os nossos pensamentos estão com as vítimas do seu regime e as suas famílias. Elogiamos o povo do Chile por ter construído uma sociedade baseada na liberdade, lei e respeito pelos direitos humanos». Como estas palavras são ofensivas, quando o golpe e a ditadura de Pinochet tiveram como aliados principais Washington e a CIA!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116724768693589880?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116724768693589880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116724768693589880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/fero-fers-ferre-tuli-latum.html' title='FERO, FERS, FERRE, TULI, LATUM'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116666751785397721</id><published>2006-12-21T02:16:00.000Z</published><updated>2006-12-21T02:18:37.866Z</updated><title type='text'>NATAL E MORTE DOS DEUSES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele é o humano que é natural.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele é o divino que sorri e que brinca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;                                                                                                                    [Alberto Caeiro, «Ode» VIII]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Deuses, embora nós, são diferentes de nós. Logo à nascença: nós somos filhos da biologia e nove meses de gestação lhe bastam para reproduzir o que lhe demorou milhares de milhões de anos a construir e nos expulsar para a vida; eles filhos dos tempos, melhor, dos nossos contra-tempos, e sua gestação séculos. Os homens germinam no útero materno, os Deuses no útero do espírito do tempo. Nós vindos do sémen, eles do desconhecido ou de mares de lágrimas. Andar a bisbilhotar o dia de nascimento e a vida dos Deuses é não só não perceber os Deuses e a nós como perder tempo, porque procurá-los onde não estão. E se diferentes no nascer, diferentes no morrer: nós, vindos da biologia, por esgotamento desta morremos, eles, porque filhos dos tempos, pelos finais dos grandes ciclos do espírito dos tempos, se apagam. Nós vivemos uma geração, eles in saecula saeculorum. Mas, como nós, finitos. Há duas meteorologias: a do tempo e a do espírito. A primeira é regida por alta e baixas pressões, por ciclones e anti-clones, a segunda, pelas tormentas e abertas do mundo humano, espécie de nevoeiro que se levanta do mar da vida e onde nascem os Deuses. Mas ambas em aquecimento global: vida e atmosfera estão poluídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no Natal. O Deus Menino, à semelhança dos Deuses solares do tempo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quando no alto não se nomeava o céu&lt;/span&gt;, nasce no solstício de Inverno. Os Deuses antigos eram terra, sol e vida. Na nora do eterno retorno do tempo, o solstício é re-começo. Como poderiam os Deuses esquecê-lo? E que melhor data para o nascimento do Deus Menino? A simbologia dos Deuses nascidos no solstício, antes de ser salvação, era, imitando o sol, re-início do tempo. A salvação veio com o nosso adoecimento: quando se perdeu o sentido da terra, da vida e do sol. E de nós. O Deus Menino traz a mensagem do solstício: nascer de novo. Contudo, a prenda de nascer raramente vive de mãos dadas com a prenda de ser novo todos os dias. E aqueles que, ao longo de uma vida, os seus dias são de míngua e a mingar? Religião é re-ligar – volver à terra os náufragos – e não caridade – esmola para o náufrago, esquecendo o naufrágio. O presépio, símbolo de despojamento, não pode ser utilizado como justificação de pobreza e miséria. Muito menos feito, sacrilegamente, depósito de compras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pai Natal, caixeiro viajante, com entregas ao domicílio, matou o Deus Menino, o consumismo o despojamento, o individualismo a solidariedade, o adulto a Criança. O Natal esqueceu o solstício e sua ligação à Terra e à vida. Que nova geração divina parirá a globalização das globalizações? Quem não ouve a agonia divina? E a nossa? O deus do «ter» está a matar o Deus do «não-ser» como este tinha morto os Deuses do «ser». Nunca o homem esteve tão só e órfão: não só partiram os Deuses, mas também a política. Resta-nos a poesia e a metafísica do capitalismo: o céu terreno, lotaria que sai a poucos, mas que a fé alimenta. Nunca houve tantos à manjedoura da vida e sem um Deus onde se agarrarem e uma política onde votarem. E sem Natal. E quem os adora? Não aborrecem os Deuses aqueles que neles não crêem, mas os que os utilizam. Descrentes, de nós e do mundo, é o que nós somos. Quem está a matar os Deuses não é o materialismo, mas a materialidade. Quem tem dinheiro compra a felicidade terrena, quem não o tem, que o roube ou, então, que se suicide. Para quando o solstício? E nós Crianças, sempre?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116666751785397721?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116666751785397721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116666751785397721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/natal-e-morte-dos-deuses.html' title='NATAL E MORTE DOS DEUSES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116648480738980278</id><published>2006-12-18T23:15:00.000Z</published><updated>2006-12-18T23:33:27.406Z</updated><title type='text'>VITRAIS DA SÉ DE VILA REAL: UMA LEITURA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;0. A História do Espírito passa, segundo Hegel, por três estádios: a arte, a religião e a filosofia. De facto, o homem, primeiro, criou, depois, adorou e, por último, racionalizou. Mas, contrariamente à previsão hegeliana do fim da arte, esta reaparece com mais força do que nunca, a partir da segunda metade do século XIX, ao contrário da razão, que entra, a partir de então, em crise, na sua concepção iluminista, e da religião, que vive a hora da «morte de Deus», apregoada por Nietzsche, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Assim Falava Zaratustra,&lt;/span&gt; principalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. No passado dia 3 de Abril, data da apresentação pública dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vitrais da Sé de Vila Real&lt;/span&gt; de João Vieira, lá estive. Depois disso, já lá voltei várias vezes. E como neles vivem, compaginadamente, a arte, religião e filosofia! O próprio autor, na sua simples e breve intervenção, a contrastar com a longa e maçuda retórica do poder, confessou, publicamente, que, quem o informou, foi o evangelista S. João, a quem dedicou a Obra. Esta empatia entre eles, que está na base da unidade e harmonia profundas entre a forma e conteúdo dos vitrais, é fácil de ver: S. João é o evangelista do Verbo, João Vieira o pintor de letras de luz. Além de evangelista, S. João é poeta, acrescentou João Vieira, mas, aumentamos nós, S. João é, também, filósofo. E é precisamente isto que o faz único entre os evangelistas. João evangelista é influenciado pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Logos&lt;/span&gt; de Fílon de Alexandria (20 a. C – 54 e que Nero mandou matar), filósofo que criou uma doutrina filosófico-religiosa, que ligava o platonismo com a religião judaica: o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Logos&lt;/span&gt; [Palavra, Razão] passou a ser o intermediário entre a divindade e o mundo. S. João, o evangelista do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Logos&lt;/span&gt;, ao personificá-lo, fez de Cristo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Logos&lt;/span&gt; intermediário: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ninguém jamais viu Deus; o Filho unigénito, que está no seio do Pai, esse é quem o deu a conhecer&lt;/span&gt; [S. João, 1, 18]. O prólogo do Evangelho de S. João é um hino ao Logos [Verbo]: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;No princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o verbo era Deus&lt;/span&gt; [S. João, 1, 1]. Pode mesmo dizer-se que os primeiros dezoito versículos do Evangelho Segundo S. João são o primeiro texto teológico do cristianismo, além de estarem em consonância com o internacionalismo religioso das epístolas paulistas, não reduzindo, como o fazia Pedro, o cristianismo nascente a uma forma de religião nacional judaica: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;E todos nós participamos da sua plenitude e graça por graça. Porque a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade foi trazida por Jesus Cristo&lt;/span&gt;. [S. João, 1, 16 e 17]. A filosofia do Logos, na linha do platonismo, acentuou a dualidade espírito/matéria e a necessidade de salvar e de substituir este mundo por outro, como vemos no evangelista do espírito: …&lt;span style="font-style: italic;"&gt;quem não renascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do espírito, é espírito&lt;/span&gt;. [S. João, 3, 5 e 6].  Esta a diferença — mais especulativa e filosófica, e menos histórico-descritiva da vida de Jesus —, que o distingue dos Evangelhos sinópticos: Marcos, Mateus e Lucas limitam-se a descrever, de uma forma muito semelhante e “realista”, a história da vida de Jesus. S. João, ao contrário, parece “distante” dos acontecimentos, moldando-os segundo a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;teoria do sentido duplo&lt;/span&gt; de Fílon: o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido alegórico e místico&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Ao eleger o tema do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Logos&lt;/span&gt; [Verbo] para os seus vitrais, João Vieira elegeu, consequentemente, o evangelista S. João. Ele está no momento e espaço mais altos dos vitrais. Enquanto Marcos, Mateus e Lucas, ocupam, com tonalidades prosaicas, cada um, sua fresta na nave lateral, do lado sul, João desdobra-se, em cores mais quentes e alegres, pelas três frestas da nave do lado norte e a poesia filosófica do Verbo — &lt;span style="font-style: italic;"&gt;No princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o verbo era Deus&lt;/span&gt; [S. João, 1, 1] —, escrita em versos de cor e luz, habita a parte mais alta da Sé — as frestas, três de cada lado, da nave central. A altura física lembra a ascese platónica e a cristã, elevando-se à Ideia, pela reminiscência cognitiva («conhecer é recordar»), e a Deus, mediante o Verbo, respectivamente. Nos quatro janelões do presbitério estão os nomes, em latim, dos doze Apóstolos: Pedro, André, Jacob Zebedeu, João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Jacob Alfeu, Judas Tadeu, Simão Zelotes, Matias. Pela exuberância de cor e letras, os vitrais, tendo como fundo uma cruz azulada, lembram manuscritos antigos ou mesmo painéis. No transepto do lado sul, há, além da pequena rosácea, a sul, uma referência, a poente, aos dominicanos [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;domini/cani&lt;/span&gt;] — os «cães do Senhor», os «guardiões do Senhor». Contudo, quantas vezes, as palavras, em lugar de iluminarem, são encarceradas em «Index»? Tivessem todos os guardiões das ortodoxias presentes as palavras que Jesus, apesar de ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a luz do mundo&lt;/span&gt; [S. João, 8, 11 e 12], dirigiu à mulher adúltera — &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nem eu tão pouco te condenarei…&lt;/span&gt;— e não teria havido nem autos-de-fé, nem fundamentalismos, nem perseguições nem prisões políticas. Sobre o arco do cruzeiro, a estrela de cinco pontas, símbolos — a estrela e as cinco pontas — de perfeição, evoca a estrela de Belém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Antes de “lermos” a rosácea da fachada principal, vemos nas frestas, que a ladeiam, o anagrama de Cristo, feito a partir das duas primeiras letras  — &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;X&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P&lt;/span&gt; — da palavra Cristo em grego — XPISTOS [o ungido]. A rosácea contém a essência da teologia cristã: a criação, a encarnação e a redenção, e toda a sua simbologia gira em torno da conhecida frase do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt; — &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim, diz o Senhor&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 1, 8] —, livro que, mais que nenhum outro do Novo Testamento, tanta controvérsia entre os teólogos gerou. E a levar em conta a exegese “liberal”, o seu autor não é o S. João evangelista, tese fundamentada, entre outras coisas, na natureza judaica do texto: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;são a sinagoga de satanás os que dizem que são judeus e não o são&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 3, 9]. O seu autor, inspirado por Deus, (des)venda, (des)eclipsa  — apocalipse: apo (fora) kalypsis (cobre)  — o que não tardará a acontecer … &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o tempo está próximo&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 1, 3 ], ou seja, o fim de Roma — &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ai, ai daquela grande cidade… que em uma hora foi desolada&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 18, 19] —, o Juízo Final e, continuando o messianismo judaico, a descida dos céus da Jerusalém celeste [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 21, 2 e 10], onde habitarão os eleitos. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt; é o texto escatológico, que, aliado à encarnação e redenção funda, no essencial, a mundividência cristã. Esta a síntese, que está no vitral da rosácea. Se os vitrais das naves e do presbitério noticiam o Verbo, a sua encarnação e redenção, os evangelistas e os pregadores —  de que os doze Apóstolos foram os primeiros —, o vitral da rosácea não só contém todos eles como lhe ajunta o escatológico. A rosácea lembra, pela forma rotunda, o Mundo e, pela cor dominante — o azul —, o infinito. Além do círculo, contém os outros símbolos fundamentais: o centro, a cruz e o quadrado. A cruz, com seus quatro braços, abraça todo o universo, como que a dizer que, por um lado, a dor é imanente ao ontológico e, por outro, que a redenção chega a todo o lado. Ao centro, está um quadrado, no interior do qual estão as letras gregas alfa e ómega, sugerindo esta última, pelo misterioso violeta, que o cobre, o rosto de Cristo: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim.&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 1, 8]. Assim como o quadrado [homem] se inscreve no círculo [divindade] assim Cristo representa o Verbo feito carne, Deus feito homem, habitando entre nós. [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;S. João&lt;/span&gt;, 1, 14]. Através da encarnação, o Verbo une o divino e o humano, liga o céu à terra, inscrevendo «o quadrado no círculo da divindade». [Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dicionário dos Símbolos&lt;/span&gt;, Lisboa, Círculo dos Leitores, 1997, p. 203]. Mas se no Evangelho de S. João o Verbo é, essencialmente, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;originário&lt;/span&gt; — &lt;span style="font-style: italic;"&gt;No princípio era o Verbo e o Verbo era com Deus…&lt;/span&gt; — no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, não só se mantém o originário como aparece o fim salvífico: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim&lt;/span&gt;. A rosácea é, assim, um hino ao cristocentrismo: Cristo, ao centro do quadrado central da cruz [a Jerusalém celeste], que abraça e redime o Universo, e rodeado pelos doze apóstolos, simbolizados pelos rectângulos, onde habita a Palavra de Deus — a luz do Mundo —, é o princípio [Alfa] e o fim [Ómega]. E, como que a dizer-nos que o tempo histórico é finito, a rosácea, qual grande relógio da História e do Universo, "salva" o passar histórico pelo regresso da criação ao criador, lembrando a cada hora, século e época as palavras de Lucas: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coelum et terra transibunt: verba autem non transibunt&lt;/span&gt; (passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão, (Luc., 21,33). Antes do início da hora da criação terrena, já as letras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;E-u s-o-u&lt;/span&gt; pré-existem, coincidindo as letras o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A-l&lt;/span&gt;, com o A vestido de um violeta misterioso e atravessado por um amarelo divino, com o primeiro instante do tempo. Depois, as restantes letras percorrem o mostrador dos tempos: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;f-a e o ó-m-e-g-a, o p-r-i-n-c-í-p-i-o e o f-i-m&lt;/span&gt;, em letras cor de fogo, de azul de passagem para o outro lado e de eternidade, principalmente. A rosácea, quando a hora caminha para poente, é a visão apocalíptica: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e todo o olho verá&lt;/span&gt;…[&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;, 1,7]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Debrucemo-nos, agora, sobre a simbologia da linguagem estética utilizada: as letras. Desde cedo, elas tiveram uma natureza sagrada, porque consideradas como demiurgas e força criadora: tijolos inteligíveis, responsáveis pela construção e explicação do Livro do Mundo. Mesmo hoje, a ciência utiliza essa mesma simbologia, apesar de com natureza diferente. Assim, dizemos que as letras-código, responsáveis pelo livro da vida, são a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;(denina), a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;G&lt;/span&gt;(uanina), a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;(imina) e a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;C&lt;/span&gt;(itosina), e as letras do código físico do Universo são u e d (quarks base) e o e¯ e vº (leptões: electrão e o neutrino). Contudo, se as letras de todos os vitrais têm uma estrutura, que lembra o caos, as da rosácea, que estão fora do quadrado central, parecem ganhar autonomia e liberdade e, apesar da sua estruturação, aparentemente caótica, parecem transportar, no seu voo luciferino sobre o espaço e o tempo, a ordem e a inteligibilidade da escrita genesíaca. Não nos esqueçamos que toda a criação artística é luciferina e fáustica. Assim, as letras de João Vieira, na sua autonomia estética significante, também elas, se querem fazer carne: letras emaranhadas umas nas outras, quais átomos e mónadas, estruturando-se em génesis e apocalipse estéticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Independentemente do conteúdo religioso dos vitrais, nomeadamente da rosácea, as letras de João Vieira perguntam pela realidade do real: qual a origem de tudo? Qual o sentido e fim da existência? Face ao silêncio e arracionalidade do Universo e da sua polaridade trágica — Apolo/Dionisio —, a arte grega assumiu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;naturalmente&lt;/span&gt; a morte; Cristo, redimindo a criação do Pai, promete a ressurreição pascal; o messianismo político &lt;span style="font-style: italic;"&gt;acredita&lt;/span&gt; na salvação histórica do homem; a ciência (des)cobre, mas os direitos de autor não lhe pertencem; a arte, face à «irrealidade histórica», segundo palavras de Octavio Paz, e à efemeridade ontológica, transforma-se em metafísica alternativa: por um lado, cria uma ontologia estética perene e, por outro, o autor conquista, através dela, a salvação do esquecimento e da morte: a eternidade. A religião não deixa, de certa forma, de democratizar a salvação e a eternidade, sendo a democracia a sua versão laica. Mas, face aos direitos terrenos e à elevação das condições materiais de vida, que a democracia trouxe a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;algum &lt;/span&gt;Ocidente, a eternidade ficou cada vez mais relegada para segundo plano. Todos os homens são tentados: a maioria pela carne, poucos pelo saber e por Deus, uma minoria pela criação. E como a arte, segundo Goethe, é uma forma de religião superior, quantos vão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;adorar&lt;/span&gt; os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vitrais da Sé de Vila Real&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vitrais&lt;/span&gt; de João Vieira transmutaram a Sé: ao esforço fideísta do arco gótico arcaizante, amarrado, ainda, à pesada estrutura românica, e à austeridade e à penumbra medievais, apesar da exuberância do barroco do presbitério, junta-se, agora, o da inteligibilidade e a alegria da boa-nova, trazida em letras de luz, e a Sé, qual nau-nave, eleva-se tirada pela rosácea e frestas pandas de Verbo, cores e Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns ao Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves&lt;br /&gt;Parabéns ao IPPAR&lt;br /&gt;Parabéns e obrigado a João Vieira&lt;br /&gt;Parabéns à Arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Azevedo, Vila Real, 14 de Abril de 2003&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116648480738980278?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116648480738980278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116648480738980278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/vitrais-da-s-de-vila-real-uma-leitura.html' title='VITRAIS DA SÉ DE VILA REAL: UMA LEITURA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116614910791527086</id><published>2006-12-15T02:17:00.000Z</published><updated>2006-12-15T02:18:27.926Z</updated><title type='text'>UMA FÁBULA ENTRE DUAS HISTÓRIAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cego e o rapaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De aldeia em aldeia, mendigando, conduzia o rapaz o cego. Um dia, contrariamente ao pão seco do costume, a esmola foi acompanhada de chouriça. O rapaz nem queria acreditar e, antes que o cheiro chegasse às narinas do cego, guardou-a, rapidamente, dando-lhe metade do pão. Mas, ao levá-lo à boca, o olfacto do cego apercebeu-se, imediatamente, do cheiro a chouriça, que esta tinha deixado agarrado ao carolo de pão, não fosse a perda de um ou mais sentidos compensada com o reforço da acuidade dos restantes. Desconfiado, voltou-se para o rapaz: ouve lá, que é da chouriça? Que chouriça, retorquiu ele? Não há chouriça nenhuma. Deram-nos o pão barrado com cheiro de chouriça, mas chouriça nem vê-la, defendeu-se o rapaz. O cego, apesar de nada mais dizer, ficou na dele. Uns passos adiante, por descuido do rapaz, que saboreava, um pouco afastado, a chouriça, o cego bateu com a cabeça num sobreiro. Zangado, berrou-lhe: em vez de me guiares, em que andas a pensar, rapaz? Este, ainda com a história da chouriça na cabeça e com ela já no estômago, reagiu: cheirou-te, há pouco, o pão a chouriça, mas não te cheirou, agora, o sobreiro a cortiça. Infelizmente, quem precisa, mesmo com razão, não está em posição e condição de exigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lacrau e a rã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava um lacrau, margem acima, margem abaixo, esperando encontrar um meio que o transportasse para o outro lado do rio. Mas quando o desespero começava a ser do tamanho da sua ruindade, eis que o destino lhe colocou uma rã na margem. E dirigindo-se para a rã: os deuses trouxeram-te, junto de mim, para me transportares para a outra margem. Os deuses, perguntou ela? O destino trágico, sim. Como posso confiar em ti? Estranha pergunta, ripostou o lacrau: se, ao me levares no teu dorso, te fizesse mal, o teu mal não seria, também, o meu mal? Perante argumento tão sólido, a rã anuiu em transportá-lo. A meio do rio, a tentação foi mais forte do que ele e da sua própria sobrevivência, e injectou o seu letal veneno na prestável rã. Quando a ruindade está na massa do sangue é ela que manda, mesmo quando a própria vida está em perigo. No rio da vida, somos, muitas vezes, vítimas daqueles que ajudamos: quem sobe na vida, o passado é para branquear e esquecer. E, quantas vezes, lacraus de nós mesmos, não nos auto-injectamos de venenos mortais, não resistindo a impulsos reptilários, que, em nós, ainda, permanecem e mandam?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não sabes, não bulas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu entrada, na urgência, um sinistrado, com a cabeça à mostra. Levado imediatamente para a mesa de operações, o médico cirurgião, enquanto esperava pela anestesia, para iniciar a intervenção cirúrgica, olhou para a cabeça empastada de sangue e, sem pensar, comentou para os seus botões: não sei por onde começar. O paciente, julgado inconsciente pela equipa médica, recomendou, lá dos interstícios do seu inconsciente profundo, ao cirurgião: se não sabes, não bulas! Quanta gente bule onde não devia e onde não sabe!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116614910791527086?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116614910791527086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116614910791527086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/uma-fbula-entre-duas-histrias.html' title='UMA FÁBULA ENTRE DUAS HISTÓRIAS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116580244292320720</id><published>2006-12-11T01:56:00.000Z</published><updated>2006-12-11T02:00:42.936Z</updated><title type='text'>DA POLÉMICA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Polémica, de polemos, significa luta, gerada pelos contrários, como nos ensina Heraclito. O mundo sem contradição pararia. Por isso, a alma do mundo está animada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polemos&lt;/span&gt;, de polémica. Empédocles vê no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polemos&lt;/span&gt;, entre a Cólera [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neikos&lt;/span&gt;] e o Amor [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Philia&lt;/span&gt;], a fonte do surgimento de «tudo o que houve, há e haverá». Os gregos colocaram o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polemos&lt;/span&gt;, onde os judeus viram Javé e os cristãos Deus. No &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polemos&lt;/span&gt;, beberam, até à embriaguez filosófica, Hegel e Marx. Só que os sistemas acabam, sempre, por fechar  e encarcerar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polemos&lt;/span&gt;, dentro deles. Assim, polémica que não seja geradora de algo não é polémica, é retórica e palavreado. Mas, como há quem só queira polémica por polémica, de que cedo se dá conta — não há verbo nem assunto —, também há os que, com medo dela, a tentam desacreditar, acusando aqueles que a praticam, em coerência, de alimentarem e viverem de polémicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alimento da polémica não são as palavras, mas as ideias. No primeiro caso, está o palavreiro e o palavreado, no segundo, a polémica e as ideias. No primeiro caso, o palavreiro é o protagonista, no segundo, são-no as ideias. Esta a razão por que o palavreiro, grávido de soberba, anda com o rei na barriga, enquanto o polémico, esfomeado de ideias, está livre de contrair o pior dos males: a gordura mental. A luta de ideias é a correspondente, no homem, da luta ontológica, só tendo sentido quando ela vai além de fins individuais e interesseiros. Só que os estáticos e os instalados não gostam da polémica, porque, objectivamente, são uns empecilhos à evolução do mundo e da vida. Se neles actuasse a selecção natural, a realidade, com facilidade, se livraria deles. Daí que acusem a polémica daquilo que eles próprios são: palavreadores. Mas há outra espécie, não menos perigosa: aqueles que, manhosa e hipocritamente, se escondem e se demitem, sob um silêncio que tem tanto de estratégico quanto de cúmplice, mas com o ar mais virtuoso e cristão, da necessidade e imperativo da crítica e da polémica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polémica traz à luz a realidade, assustando aqueles cuja vida assenta no não se sabe. A polémica é uma espécie de furão: faz sair os coelhos assustados da toca, pois torna visível que o fogacho, em que vivem, tem raiz na sombra do encoste, do favor que silencia, do jeito e dos clientelismos partidários. Fala-se em liberdade de pensamento e de expressão. Mas quem tem e exerce a liberdade de pensamento e de expressão? Ontem, criticava-se a ditadura por falta de liberdade. E hoje? Quem pode falar, senão aqueles que devem a vida a si mesmos? Os partidos, qual patrão, compram a liberdade, àqueles a quem servem, como ontem a ditadura comprava a liberdade aos que a serviam e prendia aqueles que se lhe opunham. Hoje, não nos podendo prender, aprisionam-nos a vida. Deixa-os falar, murmuram. No que diz respeito à liberdade, no sentido mais elevado que ela tem, venha o diabo e escolha: a ditadura ou democracia. Na ditadura, a liberdade não existe formal nem materialmente. Na democracia, existe formal, mas não materialmente. No plano das ideias, os princípios e a coerência são uma coisa, mas, na prática, tudo é subvertido: não há princípios, não há valores, não há coerência, porque a vida é o contrário de tudo isso. Escola e educação para quê? A Escola, aquelas que ainda o são, é uma ilha. A maioria delas já está alagada. Hoje, a verdadeira preparação para a vida é a apologia da incoerência, do vale tudo e do salve-se quem puder.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116580244292320720?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116580244292320720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116580244292320720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/da-polmica.html' title='DA POLÉMICA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116562014787159709</id><published>2006-12-08T23:20:00.000Z</published><updated>2006-12-08T23:22:27.910Z</updated><title type='text'>NÃO HÁ SEGOR PARA ONDE IR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Face à impiedade dos habitantes de Sodoma e Gomorra, o deus de Abraão confidenciou ao patriarca a sua decisão de as condenar, a elas e aos seus habitantes, à extinção e morte pelo fogo. Abraão, mais humano do que o seu deus, retorquiu-lhe: Senhor, «Quererás tu perder o justo com o ímpio?» [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Génesis&lt;/span&gt;, 18, 23]. Prometei-me, se encontrarmos cinquenta justos na cidade, que, por amor deles, os poupareis, mais os seus habitantes. O Senhor anuiu, mas Abraão, varão justo e bom conhecedor dos homens, convenceu, sem o enfadar, o seu deus a baixar o número para dez: está bem, Abraão, se houver dez justos, eu perdoarei a toda a cidade por amor deles. Mas nem dez justos encontraram. Então, o futuro deus de Israel, mandou dois anjos a casa do justo Lot, que lhe ordenaram que, o mais cedo possível, saísse, mais a sua mulher e duas filhas virgens, da cidade, para não perecerem na maldade dela. E assim aconteceu: entrava, seguro, Lot,  mais a sua família, na cidade de Segor, pela hora da descida do manto do crepúsculo sobre a Terra, quando, vindos do céu, começou a chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. Mas Segor, como todas as utopias, foi refúgio breve. Hoje, chovem, pelos mesmo lugares,  mísseis inteligentes, vindos do mar. A história das Babilónias confunde-se com a história dos deuses: emigraram para Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o critério do deus de Abraão, quantas cidades sobreviveriam, hoje? E, se houvesse um deus, que dissesse a cada cidade: apresentai-me dez justos e eu a pouparei, quantos Lots apareceriam? Os ímpios subverteram os deuses e em vez de serem eles a enviar os seus anjos a Lot, salvando-o da destruição da cidade, são os ímpios dos bons princípios, das boas maneiras, das influências, que expulsam o justo da vida e a sodomizam. Só os justos são injustos na exigência que fazem aos deuses: que, por amor deles, poupem os injustos. O justo é o mais temido pelos ímpios, porque conhece e combate a “tumografia” da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não há Segor para onde ir, porque, ao contrário da mulher de Lot, não olharíamos para trás.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116562014787159709?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116562014787159709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116562014787159709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/no-h-segor-para-onde-ir.html' title='NÃO HÁ SEGOR PARA ONDE IR'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116546251620107387</id><published>2006-12-07T03:30:00.000Z</published><updated>2006-12-07T03:35:16.216Z</updated><title type='text'>A PROPÓSITO DE PARECENÇAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nascer é, para quem nos espera, como se viéssemos do nada e não tivéssemos quase um ano de vida. Ninguém nos pergunta pela nossa estadia e habitação uterinas. As novas tecnologias não tardarão a possibilitar que os pais possam acompanhar visualmente a fase embrionária. A primeira preocupação, de quem nos recebe no átrio da vida, é saber se somos perfeitinhos e a quem nos saímos: tem aparecenças com a mãe; é a cara chapada do pai. É no início e no fim da vida que as parecenças são maiores: às parecenças físicas da nascença sucedem e juntam-se, com a entrada na segunda fase da vida, as parecenças comportamentais. Quem já não se confundiu, assustado ou assustada, com o seu próprio pai ou mãe? Sucede-me, por vezes, olhar-me ao espelho e estar lá outro: o meu pai. E tenho uma sensação estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as parecenças não acabam aqui. Ao longo da vida, não há ninguém que não tenha sido confundido com o seu outro, que não conhece e, mesmo que conhecesse, nele não se reconheceria. Todos têm o seu sósia:  não o seu irmão biológico, mas estatístico. As combinações genéticas, ao tenderem para infinito, geram, necessariamente, sósias. Esta questão não deixa de estar presente na teoria do eterno retorno, que Raul Proença tratou nos seus dois volumes do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eterno Retorno&lt;/span&gt;. É no Capítulo VI do primeiro volume que a hipótese e natureza desse retorno são, especificamente, tratadas, sob duas modalidades possíveis: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o retorno da identidade numérica&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o retorno da identidade específica&lt;/span&gt;. A primeira — &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;retorno da identidade numérica&lt;/span&gt; —, além do retorno cosmológico, conteria o retorno da singularidade do eu, a ressurreição individual numericamente idêntica e o valor escatológico; a segunda — &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;retorno da identidade específica&lt;/span&gt; —, traduzir-se-ia por um retorno infinito de outro(s) Sócrates, mas como sósia(s) cosmológico(s) do mesmo. Esta pode ter valor cosmológico, mas, continua Raul Proença, «perderia inteiramente toda a sua significação escatológica: não teríamos diante de nós uma doutrina da ressurreição». [Raul Proença, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ibidem&lt;/span&gt;]. E porque o eterno retorno nietzschiano “fica” pelo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;retorno da identidade específica&lt;/span&gt; (cosmológica), merece, a Raul Proença, o seguinte veredicto: «Zaratustra trouxe aos homens uma promessa desencorajante. [...]. Prometeu-nos repetirmo-nos.[...]. Prometeu-nos a eternidade, mas deu-nos, quanto a nós, uma eternidade ilusória... [...]. Zaratustra mentiu-nos! Abandonemos, pois, Zaratustra»! [Raul Proença, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ibidem&lt;/span&gt;].&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltando às parecenças: ó homem, você é parecidíssimo com Saramago! Quando o vi, pensei mesmo que era ele. Perdão, atalhou ele. O Saramago é que é parecido comigo. Consigo? Interrogou o outro, incrédulo. Pois claro, comigo. Com quem havia de ser? Não sou mais velho do que ele? Não acha que é o filho que se parece com o pai e não o pai com o filho? O incógnito homem, que ninguém conhece nem conhecerá, não se quis ver confundido com Saramago, apesar de célebre e mundialmente conhecido. Saramago, porque mais novo, é que se deve parecer com ele. Num tempo em que poucos gostam de si e em que muitos imitam esta ou aquela figura pública ou dela são fãs, quantos não ficariam satisfeitos, se alguém lhes descobrisse parecenças físicas, ou outras, com alguma celebridade? É caso para dizer: quem não o pode ser, quer parecê-lo. Mas o nosso homem não: antes quer ser ele, simplesmente, do que parecer outro, celebremente. E como está certo! &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116546251620107387?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116546251620107387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116546251620107387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/propsito-de-parecenas.html' title='A PROPÓSITO DE PARECENÇAS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116511079659829418</id><published>2006-12-03T01:51:00.000Z</published><updated>2006-12-03T01:53:16.606Z</updated><title type='text'>DA INVEJA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada possuamos, para que não nos invejem nem a morte nos desejem. Tudo e em tudo sejamos, para que a morte não possa connosco e Osíris não nos peça contas, quando a alma nos pesar. Há que matar a morte com o peso de ser. O ter, por mais pesado que seja, a morte o leva, folgada. Banquetear-se-á a morte com o nosso corpo, banquetear-se-ão os homens com os nossos bens, mas a alma do ser, se a tivermos, nem a morte nem os possessivos tocarão. A alma é o que se é e só tem alma aquele que é. Os encorpados e possessivos são desalmados. Fenecerão de corpo, os bens passarão e os deuses condená-los-ão ao esquecimento. O Egipto demonstrou que o corpo não tem salvação. A Grécia que a divindade e a eternidade estão na estética. As gerações que os bens não têm donos. O santo é, o poeta é, por isso, eternos: eternamente na alma daqueles que não são ou não podem ser tanto como queriam e desejariam. O bilhete para a eternidade não se pode comprar em qualquer editora ou loja metafísica. Os simples são uma espécie de santidade natural, distantes das doenças do «mundo humano». Há uma santa simples, que, acima de todos os deuses, adoro: minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem duas espécies de inveja: a do ter e a do ser. A primeira faz parte da essência do mundo das coisas. A maioria dos invejados não só gosta de o ser como não olha a meios para passar de invejoso a invejado. No mundo do ter, o objectivo principal e final de vida é possuir e nunca ficar atrás do vizinho. Todos concorrem para ter mais do que outro e para fazer ver ao outro, saboreando o invejado, como aquilo que possui, a visão da mó da inveja a moer o invejoso. Tão ou mais importante que o ter é que o outro não tenha mais que nós. A inveja, neste aspecto, passou a ser o motor do consumo, levando a ter o que se não precisa e a gastar o que se não tem. No mundo do ter, possui a inveja invejados e invejosos: inveja o primeiro que o outro possa ter mais do que ele, inveja o segundo o que o outro tem. Invejar é in-ver: «olhar demasiado para aquilo que é dos outros». A inveja é profunda entre vizinhos ¬– vemo-nos, no ter, amiúde – e atenuada entre estranhos. Alimenta o invejoso o seu não-ter, «olhando demasiado» o que é dos outros, mas como o in-ver não se converte em posse, o resultado é o sentimento de desgosto por não ter bens iguais ou superiores aos  alheios. O curioso tem os olhos nos dedos, o invejoso nas coisas alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra a inveja do ser. Inveja esta não o que se tem, mas o que se é. São as duas invejas imunes, entre si, mas ambas trituradoras, na sua esfera. Diremos mesmo que a segunda é mais dolorosa, porque do domínio ontológico. Invejam os génios os deuses, os talentos os génios, os medíocres os talentos. A inveja do ser é in-ver demasiado o que o outro é. É inveja da eternidade daqueles que a conquistam e  desgosto de sabermos que morremos, como castigo por trocarmos o ser pelo ter ou por incapacidade nossa de aceder ao eterno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116511079659829418?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116511079659829418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116511079659829418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/da-inveja.html' title='DA INVEJA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116501905223328206</id><published>2006-12-02T00:23:00.000Z</published><updated>2006-12-02T00:24:12.243Z</updated><title type='text'>DA LUCIDEZ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhando retrospectivamente, confesso que os meus estados de maior cegueira estiveram acertados com a hora das minhas maiores certezas. Aprendi que a cegueira maior é julgar que temos a razão. O maior inimigo da razão é o militante racional, porque tende a impô-la aos outros. O maior inimigo da democracia é o militante partidário, porque sonha sempre com maiorias absolutas. O maior inimigo do sentimento religioso é a igreja, porque faz da outra uma heresia e do seu seguidor um infiel. O que rege o mundo e o faz correr é a cegueira, mas só o lúcido é fiel à luz. Sabendo que o erro, mais cedo ou mais tarde, viria ao seu encontro, o lúcido não se fixa. Vive na errância. Cegou Édipo a cegueira de ver o proibido. Não queiramos ver o que ainda a luz não viu, se o que ela nos mostra não vemos. Distantes da cegueira socrática, pela verdade, e do relativismo oportunista dos sofistas, os estóicos viram a lucidez e transformaram a filosofia numa religião sem deuses: o maior dos males é o (ex)cesso e o maior dos bens a felicidade serena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcido é aquele que, vivendo serenamente acima das igrejas, das ideologias e das razões, é iluminado por todas as perspectivas, não ficando cego por nenhuma. Cegueira é ver uma coisa acima de todas as outras. Amor é cegueira, porque não deixa ver para além da coisa amada. Lúcido o que vê o seu ângulo como apenas mais um. Lúcido o que, concretamente, está centrado, e, abstractamente, descentrado. Lúcido o que está lateralmente dentro. Lúcido o que sai da espécie para a ver de fora, porque de espécie diferente. A verdade não é angular, nem a soma de todos os ângulos. Somar perspectivas significa somar o contraditório. Lúcido o que (re)conhece que todos estão certos, mas nenhum verdadeiro. Cego é o que faz do seu canto o centro do mundo. A maior cegueira não é a física nem a do ignorante, mas a daquele que as ideias cegam, em lugar de iluminarem. Quem bulha por ideias não as respeita e redu-las a botões ou berlindes. Alguém já ganhou uma discussão? E, se a ganhou, o que ganhou com isso? Discutir e pretender ter razão é um acto agressivo e possessivo como outro qualquer. Lúcido o que, sem ignorar, é ignorante, o que, sem nada saber, é sábio. Lúcido é luz branca. Cego o que confunde a cor, onde está, com a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcifer teve a lucidez de ver em Deus a negação de Deus, porque impeditivo do nascimento de um Deus maior. Contudo, perdeu a lucidez, quando se revoltou, porque o lúcido não se revolta. O mesmo sucedeu a Deus, que, porque revoltado, criou o inferno, onde o precipitou. À revolta, responde-se com revolta. À luz, não podemos fazer frente: cega-nos. Só dos lúcidos os deuses têm temor, porque os olham como eles são e não como os homens os vêem. Todo o que carrega a luz carrega leveza e calma, dissolve a escuridão e ilumina os limites. Lúcido é ser luz: ilumina, mas deixa  a explicação para os outros; desvenda o rosto do ser, mas a visão não lhe pertence. O que explica o olhar é a luz e não o contrário. Se viver, segundo a verdade, é transformar a vida num inferno, ser e estar lúcido é dar conta de que o inferno é a própria vida e de que a mentira, como meio de sobrevivência e concorrência, faz parte dela. A verdade aprisiona-nos, a lucidez é uma espécie de limbo, para além do verdadeiro e do falso e do prémio e do castigo. O lúcido não visa possuir ou corrigir o mundo, mas iluminá-lo: quem pretendeu corrigir e salvar o mundo tornou-o, sempre, num inferno ainda maior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116501905223328206?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116501905223328206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116501905223328206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/da-lucidez.html' title='DA LUCIDEZ'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116494857376826070</id><published>2006-12-01T04:45:00.000Z</published><updated>2006-12-01T04:49:33.780Z</updated><title type='text'>DIMENSÕES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade tem várias camadas e cada uma delas as suas dimensões. Nós habitamos num T4 dimensional: ao comprimento, largura e altura cartesianos acrescentou Einstein o tempo. Que muitos arquitectos e engenheiros têm em pouca consideração, pois fazem as coisas de tal modo acanhadas, que, passado pouco tempo, ninguém cabe nelas. Vejam-se as ruas da Cidade e os Itinerários Principais que, não tendo sido feitos com a dimensão do tempo, mais se parecem, poucos anos volvidos, com quelhos apertados e estradas de segunda. Mas o estranho é que, à medida que caminhamos para o infinitamente pequeno, mais dimensões são necessárias. O infinitamente pequeno vive em tal irrequietude, incerteza e ubiquidade que precisa, dizem os físicos das partículas e os modelos matemáticos, não de quatro, mas, imagine-se, de onze dimensões! Já imaginaram um electrão a habitar um T11? Cabe lá uma criança numa casa! Uma criança só cabe na rua! O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quantum&lt;/span&gt;, seja de espaço, de tempo, de matéria, de energia é o que faz a diferença entre 0 ou 1, entre tudo ou nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao nosso mundo, à nossa condição e dimensão humanos. Se o tempo cósmico é só um, no mundo humano, há dois tempos: o tempo da nossa vida e o tempo histórico. Na carruagem da História há, independentemente da economia e da classe em que se viaja, duas classes e dois tipos de passageiros: os que perguntam pelos horários dos Caminhos de Ferro da História e os que sabem de cor e salteado, e por aqui ficam, os  horários dos caminhos da sua vida. A Linha do Douro, para muitos, começa e acaba entre os apeadeiros em que se movimenta o seu existir. Não há cais nem portos, não há Barcas de Alva nem S. Bentos. Felizes os que, ao som da concertina, vão nas mãos do maquinista do Destino, como se levados pela mão por um Deus! Quem vai nas mãos do Destino bem vai. Bem pior está aquele que o perdeu. Apesar de todos termos tomado o comboio da vida no mesmo Entroncamento da História, os bilhetes, os horários e o destino de cada um são bem diferentes. Desculpe, quantos anos tem? Os anos do Universo e da vida. Como?! E você? Sessenta, feitos. Ninguém lhos dá. Para a maioria, a vida decorre consciente no plano individual, mas inconsciente, no plano histórico-civilizacional. Fora da sua vida e do seu contexto, nada mais há. Civilizacionalmente, a maioria vive no presente. Não há passado nem futuro, para além deles. Esta maneira de estar na vida assemelha-se, em muito, à criança, para a qual a vida é um eterno presente. Esta a chave da felicidade da criança. Aquela a chave da felicidade dos adultos. Mais do que este ou aquele regime político, mais do que com liberdade ou sem ela, o que torna a Civilização e a História possíveis é esta inconsciência feliz. Há duas coisas que nos fazem destemidos: a ignorância e a inconsciência. E quando multiplicadas por multidões fazem exércitos imparáveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Epocalmente, contemporâneos, civilizacionalmente, extemporâneos. Qual o seu apeadeiro? Alfarelos! E qual o seu destino? Perdi-o, como quem perde o comboio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116494857376826070?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116494857376826070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116494857376826070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/12/dimenses.html' title='DIMENSÕES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116484290810186503</id><published>2006-11-29T23:24:00.000Z</published><updated>2006-11-29T23:28:28.193Z</updated><title type='text'>ESTAMOS NO TEATRO E SOMOS TEATRO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei porquê, ou sei, mas não gosto de me ver a assistir à representação seja daquilo que for. Como não gosto de ir no rebanho. Desapareço e perco-me de mim, no meio dele. Do mesmo modo, ao olhar-me a olhar sinto-me estranho, outro, dos outros, basbaque. Foste ao teatro? Para quê, se nele estamos e o somos? Para quê ir ao teatro, se a verdadeira representação é a vida? Não é a sua representação que o dramaturgo mostra? À medida que deixamos de ser actores no Teatro do Mundo mais passamos a ser dele espectadores. Quem não olha a vida como representação tragicómica não a vê. Vive-a. E é mais feliz. A arte é luz e sombra: mostra a breve luz que não somos e a sombra eterna que somos. O palco da arte é espelho para melhor nos vermos no da vida. Enquanto a razão descreve, o teatro mostra o nosso teatro. Há três órgãos de visão: os olhos, a razão e a arte. Com os olhos, vemos; com a razão, vemos o que vemos; com a arte, sentimos o que vemos. Andamos demasiado afogados no existir para darmos conta de nós. Somos tão bons actores que não damos conta que o somos. Representamos tão bem que não damos conta de que a vida é representação. Tão alucinados que confundimos irrealidade com realidade. O melhor actor da vida é o que a vive e não a questiona. O dramaturgo não faz dramas, antes vê o drama como a essência da vida, tendo o mundo como palco e os homens como actores. O dramaturgo é contra-ponto. O educador ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eurípides, ao racionalizar a tragédia, matou a tragédia. A intervenção do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deus ex machina&lt;/span&gt; coloca em cena um elemento estranho ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fatum&lt;/span&gt;, interferindo na Necessidade e em suas Leis. Com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deus ex machina&lt;/span&gt;, Eurípides introduziu a racionalidade na tragédia e, com ela, a pretensa salvação das personagens. Compreende-se que o dramaturgo se sinta dividido entre o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fatum&lt;/span&gt;, que tudo rege, e a sua humanidade, mas a quem deve obediência é ao trágico. Dois milénios e meio de racionalidade não só não nos salvaram do trágico como acentuaram a nossa consciência dele. E se Eurípides não resistiu à tentação de salvar, pela via racional, as suas personagens, como imaginar que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro do Mundo&lt;/span&gt; poderia subsistir sem o mecanismo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deus ex machina&lt;/span&gt;? A história tragicómica humana atingiu tal proporção que obrigou Deus a descer, através do Filho, ao palco do&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Teatro do Mundo&lt;/span&gt;, para justificar a tragédia e sofrimento nossos: se o Filho de Deus morre crucificado na torpíssima cruz, não só justifica o sofrimento como mostra a impossibilidade de salvação deste e neste mundo. A salvação cristista continua a salvação platónica: assim como, no plano gnoseológico, o inteligível salva o sensível assim o outro reino salva este mundo, no plano religioso. A intervenção divina sucedeu à intervenção do deus ex machina trágico. A fidelidade ao mundo exige a assunção do trágico. Quem a ele é infiel fiel passa a ser a um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deus ex machina&lt;/span&gt; qualquer. Razão e religião, cada uma a seu modo, pensaram poder derrotar o Destino. Em vão. Eurípides é o “moderno” antes do tempo e Deus a versão religiosa de deus ex machina do nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascer é entrar em cena e a vida representação. Morrer deixar de representar: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;acta est fabula.&lt;/span&gt; E, embora a representação seja dolorosa e sem outros a aplaudir, que não os próprios, ninguém quer deixar o palco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116484290810186503?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116484290810186503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116484290810186503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/11/estamos-no-teatro-e-somos-teatro.html' title='ESTAMOS NO TEATRO E SOMOS TEATRO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116449138718646301</id><published>2006-11-25T21:42:00.000Z</published><updated>2006-11-25T21:49:47.203Z</updated><title type='text'>LEITORES DO NVR, Senhor Director do Teatro de Vila Real</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reposta ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post scriptum&lt;/span&gt; do meu artigo&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Arte e Política&lt;/span&gt; tem a caracterizá-la o explicar o antes pelo depois, o persecutório, o substituir a questão central por uma contestação (e ataque) errática lateral e a fartura em adjectivação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (i) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contextualização&lt;/span&gt;. Ao tomar conhecimento da publicação da poesia de Jorge Gomes Miranda no suplemento do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;DN&lt;/span&gt;, em 27 de Outubro, pelas edições do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro de Vila Real&lt;/span&gt;, decidi, pelas razões expressas no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post scriptum&lt;/span&gt; do meu artigo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Arte e Política&lt;/span&gt;, perguntar ao Director do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro de Vila Real&lt;/span&gt; (e direcção) o que o levava a publicar o «“grupo” de cá» e os de «Lisboa», com prejuízo da «criatividade local». Para o efeito, recorri ao site do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro de Vila Real&lt;/span&gt;, para me certificar e comprovar quem os publicados, então. Foi esta a base de informação de que parti. Utilizar o que foi publicado depois ou o que vai ser publicado no futuro é não só fugir à questão de fundo como jogar com o depois para justificar o antes. Apesar de o Director saber perfeitamente que Lisboa era, no texto, sinónimo de “fora” da Região, não deu conta de que ao rebater a minha mentira (ignorância, sim, mas não por culpa própria) mais demonstrou a verdade dela: afinal, Jorge Gomes Miranda, não era de Lisboa, mas do Porto! Assim, esquecer a informação disponível, no momento, no site do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro&lt;/span&gt;, dizer que o editado não era de Lisboa, mas do Porto, e explicar o anterior pelo depois (estribando-se, mesmo, no futuro!) é uma maneira perversa de argumentar. E onde a mentira de ter escrito que os editados pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro&lt;/span&gt; não tinham lugar nas editoras de Lisboa? Iriam eles, ou outros, rejeitar uma publicação oferecida, se toda a gente sabe da dificuldade em publicar poesia? Se outro mérito não tivesse, o meu questionamento teve o mérito de trazer para o domínio público parte da vida de uma empresa pública que tem andado, na sua vertente editorial, mais no domínio do particular. E ainda me goza, duplamente, por não saber a sua novidade editorial: Rui Pires Cabral! &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Será inocente o facto de a empresa municipal do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Teatro de Vila Real&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, na sua vertente de publicações, em lugar de editar teatro, o que seria a sua vocação natural, editar poesia? Por que razão esta opção? Que motivos lhe estão subjacentes?&lt;/span&gt; E por que não se deu conhecimento público do programa editorial, logo, aquando do seu nascimento? O que pensamos é que esta prática editorial está longe da natureza e fins de uma empresa municipal que é servir, antes de mais, o concelho e os munícipes, e com o seu conhecimento e participação aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ii) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Persecutório.&lt;/span&gt; Escreve o Director: «Para além de um desrespeito pelos critérios editoriais em causa ...». Não queria acreditar no que estava a ler. Primeiro, como posso desrespeitar os critérios editoriais, se não os conheço e não são do conhecimento público? Segundo, gravíssimo: criticar critérios nada têm a ver com o respeito ou com a falta de respeito, porque, em nome do respeito, calava a boca a toda a gente e, a mim, a caneta. Seria silenciar, ainda mais, o «espaço público» de que José Gil fala, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Portugal, Hoje, o Medo de Existir&lt;/span&gt;, e se queixa de ser ocupado pelos partidos e pelo ecrã. Não podia ter encontrado melhor axioma para fundamentar o «lápis azul». Cuidado: quando a Ética invade a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Polis&lt;/span&gt; (Política), está aberto o caminho para os eixos do bem e do mal. Relativamente aos poetas, maiores, que cita, para se segurar (como lhe ficou mal!), por respeito por eles e pela poesia, fico pelo silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iii) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É ameaçador.&lt;/span&gt; Na parte final, tem outra deriva autoritária e dá outro salto perigoso: se, no início, usou o argumento do «lápis azul», acusando-me de «desrespeito pelos critérios editoriais», no final, acusa-me, por questionar os editados, de «pôr em causa a honestidade da pessoa editorialmente responsável». E, juridicamente, o meu acusador passa a meu melhor advogado: aquele que me acusa de possível dolo, absolve-me com a ignorância com que o pratiquei, ignorância que a devo a ele, pois, como munícipe, o pouco e mal que sei, da vida editorial referida, é, sempre, a posteriori. E se sei quando devo começar o combate, também sei quando o devo terminar: acabará quando os espaços culturais municipais locais forem públicos. E, nesse caso, terei muito gosto em cumprimentar aqueles que critico, porque nada de pessoal me move seja contra quem for, e habitar o espaço público com eles. E se alguma dúvida tivesse de que a minha intervenção o tivesse ferido na sua honestidade, seria o primeiro a reconhecê-lo publicamente. Lembro que distingo o autor Vítor Nogueira, que ontem, publicamente, elogiei e que hoje o reafirmo, da prática cultural, na vertente editorial, do Director do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro&lt;/span&gt;, que critico. Ao colocar-me na terceira pessoa («ele») e ao “tirar-me” do texto, mais me demonstrou. E, ao não falar (perdão, escrever) para mim, mas de mim, a consequência foi a inevitável: a escrita transformou-se num “mal dizer” d’«ele».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iv)&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Adjectivação. &lt;/span&gt;Eu belisquei a sua importância e vaidade, a mim, adjectivou-me directa ou indirectamente de leviano, provinciano (não me deite(m) letras para os olhos. Ah!, quem o retórico?!), ressabiado e mente perversa. Quanto a ressabiado: alguém, que contestamos, tem melhor táctica para nos contestar do que a de nos chamar invejoso? Exigir direitos iguais, no plano cultural, é ser ressabiado! A do provinciano está boa! Só me faltava ser acusado de provinciano por defender a Cidade e a Região, e não a mim! A «mente perversa», que mais parece nascida de uma teoria da conspiração, é um bom exemplo do rigor lógico do Director: de uma eventualidade (acontecimento incerto) – «eventual gestão deficiente» –, deduz a «tese»! Leviano por não saber as biobibliografias dos editados e a editar pela editora do Teatro? Acertou. Ofensivo, por o questionar? Então, que chamar aos que questionam o questionar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(v)&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; O nuclear.&lt;/span&gt; No essencial, o que me levou, e leva, a questionar a prática editorial das publicações do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teatro de Vila Real&lt;/span&gt; é a contradição que subjaz à sua prática editorial: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o não ser pública para os munícipes vila-realenses e o ser municipal para autores fora do município, ferindo, assim, o conceito e vida de empresa municipal e pública.&lt;/span&gt; Assim, não é o valor ou não valor dos editados e editáveis que está em causa e dos quais fez amplo panegírico, mas, logo, o próprio facto de que não são munícipes. A abertura a editáveis de fora da Região, nem que um só fosse, mesmo Nobel, e o fechamento local, com excepções para um grupo restrito, desfigura, perverte e subverte a natureza e finalidade de uma empresa que é municipal. Apesar de ser, em absoluto, contrário ao nome e, em parte, à natureza, reconheço que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grémio Literário&lt;/span&gt; tem como objectivo cultural a Região. Ou quer-se substituir à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;IN-CM&lt;/span&gt;? Uma correcção: este confronto é mais do que uma «luta de ideias»: é uma luta pela sua sobrevivência. Este o meu crime. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ecce homo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span class="" style="display: block;" id="formatbar_Italic" title="Itálico" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 4);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116449138718646301?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116449138718646301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116449138718646301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/11/leitores-do-nvr-senhor-director-do.html' title='LEITORES DO NVR, Senhor Director do Teatro de Vila Real'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116442567217442544</id><published>2006-11-25T03:32:00.000Z</published><updated>2006-11-25T03:34:32.183Z</updated><title type='text'>LINHA DO DOURO: DOENTE COMO O DOURO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Barca de Alva a São Bento, descendentemente, de São Bento a Barca de Alva, ascendentemente, durante cem anos, quantas composições de passageiros e de mercadorias, quantos chefes de estação a darem o sinal de partida para a ansiedade, quanta pouca-terra em terra pouca e de poucos, quantas viagens e quantas as águas, quantas esperas e despedidas, quanto vapor e dor, quantas vidas à procura dela, quantos ceguinhos a pedir esmola a troco de um contar desgraças, quantas regueifas compradas por mãos engalfinhadas e penduradas das carruagens, quantas concertinas a alegrar as carruagens, quantos pregões: “rebuçados da Régua”, quanto espaço aberto, quanta via para o infinito, quanta economia?! Corria o ano de 1887 e o dia 8 de Dezembro, quando o comboio chegou a Barca Alva. Junqueiro, tinha, por esta altura, já editado a Velhice do Padre Eterno (1885) e o seu poema «A Bênção da Locomotiva» – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A obra está completa. A máquina flameja, / Desenrolando o fumo em ondas pelo ar. / Mas, antes de partir mandem chamara Igreja, / Que é preciso que um bispo a venha baptizar. //(...) // Vamos, esconjurai-lhe o demo que ela encerra, / Extraí a heresia ao aço lampejante! / Ela acaba de vir das forjas d’Inglaterra, / E há-de ser com certeza um pouco protestante&lt;/span&gt; – de que escolhemos estas duas estâncias, não deixa de estar ligado à chegada eminente dos carris a Barca de Alva, mesmo ao lado da sua Quinta da Batoca que fica no outro lado do rio. Bênçãos que, hoje, continuam quer sob a aspersão do hissope quer sob outras formas, quando se inaugura isto ou aquilo, apesar de estarmos num Estado não confessional! Vá lá a gente querer entender isto! Chegados a 1987, ano do seu centésimo aniversário, que esperaríamos senão comemorações e parabéns? Aconteceu o oposto: o fecho da linha entre Pocinho e Barca de Alva. Quem decidiu a sua morte em ano de aniversário, além de mostrar ignorância e insensibilidade, matou uma história e empobreceu ainda mais a Região. O Douro é rio e comboio. Matar um é matar o outro. Os gastos para os eventos, sem fim, relativos às comemoração dos 250 anos da criação da Região Demarcada do Douro não só esqueceram a mutilação da Linha do Douro, entre o Pocinho e Barca de Alva, como poderiam ter sido bem melhor aplicados. O silêncio nas estações de Pocinho, Côa, Almendra e Barca de Alva é aterrador e a deterioração, destruição e vandalização da linha um desrespeito pela memória e um entrave para o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns dias, aconteceu que, entre a estação de Foz Côa e o Vesúvio, um comboio de mercadorias descarrilou, tendo ficado feridos o maquinista e o ajudante. Sem meios de comunicação – os telemóveis não têm sinal durante grande parte da linha! – tiveram que abandonar o comboio e partir, embora feridos, à procura de socorro à Quinta do Vesúvio, de que o contista José Aguilar tem um conto – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Vesúvio&lt;/span&gt; –, tendo sido recebidos pelo seu feitor, que, servindo-se do telefone fixo, pediu ajuda para homens, feridos, e composição, descarrilada e tombada. E se maquinista e ajudante tivessem ficado feridos ao ponto de não se poderem deslocar? E se amanhã sucede o mesmo com uma composição de passageiros? Lá teremos, então, o ministro António Costa, na televisão, pedir a demissão e abalar tal como fez o patrão do PS, Jorge Coelho, no seguimento da queda da ponte de Entre-os-Rios, mas desta vez com a oposição de Sócrates: sair por quê?, Costa? Há lá razão para tal? Nem as penses! Quem manda? Ficas e ficas mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, se não estranho o silêncio do poder central, estranho o silêncio cúmplice dos autarcas do Alto Douro, não só relativamente a este acontecimento como à necessidade de munir a linha de toda a segurança, inclusive meios de comunicação, e de a reactivar entre o Pocinho e Barca de Alva. O acontecido, que eu saiba, teve somente ecos nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;JN&lt;/span&gt; e pelo Norte ficou, e, localmente, a única voz crítica que se ouviu foi a dos bombeiros de Provezende, porque uma das corporações que tem, no distrito de Vila Real, a maior frente ferroviária e sem meios para dar resposta, em caso de alguma emergência. A Região do Alto Douro precisa de um rosto que a defenda e projecte, porque os autarcas, por regra, nada mais fazem do que ficar pela sua paróquia partidária e concelhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Post scriptum&lt;/span&gt;. Como a História é imprevisível e para não levar a sério! No 21.º encontro sobre  Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC – 21 Asia-Pacific Economic Co-operation), a decorrer em Hanoi, assistimos não só à recepção, em grande, do ex-agressor, por parte do agredido (bombardeado e queimado com napalm), como ao facto de o partido comunista vietnamita, órfão do partido comunista irmão da ex-URSS, ter, também, de receber Putin, ex-membro da KBG, mas actualmente “czar” da Rússia! Alguém que se atrevesse a prever metade disto, nos anos oitenta do século passado, era acusado, no mínimo, de louco varrido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116442567217442544?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116442567217442544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116442567217442544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/11/linha-do-douro-doente-como-o-douro.html' title='LINHA DO DOURO: DOENTE COMO O DOURO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116269439065900750</id><published>2006-11-05T02:35:00.000Z</published><updated>2006-11-05T02:39:50.673Z</updated><title type='text'>ARTE E POLÍTICA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é a primeira vez que a pergunta – que relação entre arte e política? – me bate à porta da mente, pedindo para entrar. Já a recebemos, falámos  e escrevemos, mas o ciclo da escrita é como o das águas: não pára. A este propósito, saúdo, imitando os pardais, a chuva outonal, que me convida para entrar na interioridade, após um verão de fora e voltados para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para embaraço da direita que nunca fica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;embarazada&lt;/span&gt;, mas nos embaraça, principalmente quando feita pela esquerda, é por demais conhecida a frase de que a cultura é de esquerda. Esta afirmação somente é verdadeira quando a esquerda está na oposição. Fora isso, à cultura, é-lhe indiferente a esquerda e a direita: a esquerda, chegada ao poder, seca a criatividade, a direita, no poder, acicata-a. A direita é os vencedores. E a cristã, ao remeter a salvação para as calendas da eternidade, não precisa de utopia. A direita tradicional diz que a salvação está em Deus e não na política, e a moderna, na biologia. Deus e a biologia os seus aliados. Não a literatura. A esquerda é os vencidos, mas quando chega ao poder esquece-se deles e passa-se para o outro lado. Que cultura e arte nos deixou o “socialismo real”? A esquerda marxista vai mais longe: substitui Deus pela escatologia histórica e a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Suma Teológica&lt;/span&gt; pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Capital&lt;/span&gt;. Direita e esquerda vivem em contradição e ambas têm como filosofia o materialismo: a direita, o materialismo na vida e o espiritualismo, ou o nada, no além; a esquerda marxista, o materialismo histórico, espiritualmente, e o humanismo, praticamente; a esquerda reformista, a terceira via: nem materialismo nem espiritualismo – materialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um tipo de arte que vive acima da esquerda e da direita: a trágica. Não a move as causas políticas, imediata ou mediatamente, mas a não-causa ontológica. Para esta, independentemente de sermos, historicamente, vencedores ou vencidos, somos todos, ontologicamente, vencidos, porque feitos de tempo e pó e sem finalidade e sentido. A esquerda, fora do poder, pode fazer arte, mas não deixa de ser uma forma de política militante: a sua maneira de ser religiosa. A arte, para a direita consequente, é doença. Se doença, para quê poetas sadios de direita? A arte trágica, para direita e esquerda, é pessimismo, egotismo ou doença. A arte maior, porque trágica, não acredita na salvação seja pela História, pela Política ou pela Religião. A arte trágica, ao contrário das ortodoxias – política ou religiosa –, não tem casa. A arte trágica Acontece quando se reúnem duas condições: cultura trágica e genialidade que a represente. A grandeza e eternidade de Shakespeare e de Pessoa está no trágico que percorre as suas obras, porque sacerdotes do único deus: o Destino. Uns, na Metafísica ou na Filosofia da História, outros, no Teatro de Shakespeare e n’ &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Passagem das Horas&lt;/span&gt; de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Post scriptum.&lt;/span&gt; As publicações do Teatro de Vila Real de Poesia Portuguesa Contemporânea, seguindo a agenda de «amor com amor se paga» ou de publicar o “grupo” de cá, acabam de editar, em agradecimento à consagração que têm no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;DN,&lt;/span&gt; mais um poeta de Lisboa! Depois da inauguração com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jukebox&lt;/span&gt; de Manuel de Freitas (Abril de 2005), seguido de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que Comboio É Este &lt;/span&gt;de A. M. Pires Cabral (2005), deliciam-nos (melhor, deliciam-se!), agora, com as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Falésias&lt;/span&gt; de Jorge Gomes Miranda (2006). Ex.mos senhores gestor e director (e respectiva direcção) do Teatro de Vila Real, por que razão não criam uma editora particular, que fortuna parece não lhes faltar, para publicarem o que bem e quem lhes apetecer? E estamos a dias da inauguração do Grémio Literário! Para quê o Grémio se, à excepção deles, não há literatura? Ou os poetas de Lisboa e arredores vêm residir para Vila Real? Senhor Presidente, espero que o seu silêncio não passe a cumplicidade! Anda a direita, e Sócrates, obcecada em tudo privatizar e os seus agentes culturais a usarem o público para fins particulares! Não é estranho que as publicações do Teatro de Vila Real (empresa municipal!), em lugar de apostar na criatividade local, dê prioridade a autores de Lisboa, que, além de criatividade duvidosa, já tantas oportunidades têm? Lunar o Teatro, lunar as publicações. Quem são estes representantes da “Poesia Portuguesa Contemporânea” que não têm lugar nas editoras de Lisboa? Eis um excerto da “Poesia Portuguesa Contemporânea”(!) acabado de chegar fresquinho a Vila Real, graças às publicações do Teatro de Vila Real: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Falo de quem rasga a pele nas escarpas / de uma página, / fixa os olhos, até eles ficarem raiados de / sangue, no, despenhadeiro de um livro / perdido. // Tal um pescador retira do mar / um relâmpago, exausto / chegará a algum caminho / aquele que troca a vida / por imagens que, porventura, / apenas ele vê?&lt;/span&gt; Estará ele a bater-se a algum prémio ou à boleia do premiado? Pobre das escarpas e das fragas, que não têm cantores. Se, entre nós, não há oposição política, como havê-la cultural? Assim, os agentes culturais locais são bem os sósias dos seus mandarins políticos. E com mais um factor a favor: o défice cultural ser superior ao da cidadania. Sem oposição e, consequentemente, sem dúvidas, celebérrimos, portanto. Eternos, não tanto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116269439065900750?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116269439065900750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116269439065900750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/11/arte-e-poltica.html' title='ARTE E POLÍTICA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-116181800839354668</id><published>2006-10-26T00:11:00.000+01:00</published><updated>2006-10-26T00:13:28.403+01:00</updated><title type='text'>DOURO: VENDAVAL DE (E)VENTOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há fome que não dê em fartura. As comemorações, em simultâneo, dos 250 anos da criação da Região Demarcada do Douro, no distante dia 10 do mês de Setembro do ano de 1756, sem que ainda tivesse decorrido um ano após o terramoto, pelo primeiro-ministro de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, e as do quinto aniversário da classificação, pela UNESCO, do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial, trazem um caudal de eventos (duzentos!, dizem), em que pouco Acontecerá, mas esquecendo os problemas e deixando indiferentes o rio e suas gentes. À sombra do Douro temos tido de tudo: exposições, seminários, ciclos disto e daquilo, música, conferências, inaugurações, publicações, metodicamente pensadas, apalavradas e impressas, antologias e lançamentos de revistas, subsidiadas, mas sem um único tema sobre o Douro, prémios, estudos, palestras e, claro, a visita de Sócrates a propor, em tom de desafio, uma estratégia redentora – vinho, paisagem, cultura e turismo –, seguida, após uma esmola de uns milhões, de um bom dia, meus senhores!, e a de Cavaco que, não lhe querendo ficar atrás, desafia também os agentes locais, embora muitos dos donos do Douro sejam e estejam fora, para o desenvolvimento, e assiste à missa de Acção de Graças, em Lamego, mandada rezar a propósito das comemorações dos 250 anos da criação da Região Demarcada do Douro – não sei o que o Marquês pensará disto tudo (ou sei) – , não sem que antes nos tivesse deliciado com a sua cultura (ou ponto?) literária na Casa de Mateus. Oxalá me engane, mas desconfio que estes duzentos eventos, todos juntos, não vão chegar a um: ao Acontecimento da criação da Região Demarcada do Douro. Da pobreza na Região, a mais elevada do País, Sócrates, o ricaço “socialista”, não falou. Cavaco, por ser esta a sua missão e função, lembrou-a, clericalmente, e abalou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levado pela onda, abri uma antologia sobre o Douro, mergulhei nela e nas redes vieram espécies indígenas misturadas com espécies estranhas ao Douro e suas águas: lúcios com bogas,  percas com barbo,  achigã com mexilhão – uma caldeirada! Decididamente, recusei-me a digeri-la, depois de lhe ler o aspecto. Contudo, celebra-se este ano uma efeméride que poucos dão por ela e menos ainda aqueles que a sentem: o centenário do nascimento de Agostinho da Silva, escritor que, além de Junqueiro e Sampaio Bruno, entre outros, está ligado a Barca de Alva. A evocação e comemoração do centenário do seu nascimento tem servido, essencialmente, para pavoneio cultural de alguns, esquecendo-se o estado de degradação da estação de Barca de Alva, originado pelo encerramento, em 1987, governava então Cavaco (primeiro-ministro de 1985-1995), da linha entre o Pocinho e Barca de Alva. Como é tragicómico ver Cavaco, como presidente, dizer o contrário do que fez como primeiro-ministro, sem que isso o incomode! Por sua vez, o mentor e defensor de OTAs e TGVs, apesar de transmontano e natural de Vilar Maçada, concelho de Alijó, não teve, na linha dos transmontanos de gema com que Lisboa tem feito e faz as suas gemadas, sequer a maçada de falar no assunto – o País não pode ser solidário com vinte quilómetros de linha férrea! Meus senhores: Presidente da República, Primeiro-Ministro, Deputados eleitos pelo Distrito de Bragança, Autarcas de Vila Nova de Foz Côa, Moncorvo, Figueira de Castelo Rodrigo e Freixo de Espada à Cinta, principalmente, Delegado da Cultura e Presidentes do Turismo e do Museu do Douro, chamo-os ao silogismo:&lt;br /&gt; O Douro é Património Mundial.&lt;br /&gt; Barca de Alva faz parte do Douro.&lt;br /&gt; Logo, logo, não: Barca de Alva, património vandalizado e destruído, não faz parte do Património Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecerá a UNESCO esta falácia? O estado em que se encontra Barca de Alva é, além de vergonhoso e de uma vergonha, um insulto à Cultura, ao Património e ao Douro. Para quem a palavra é carne e não somente artificialidade e forma, Barca de Alva é um poema ofendido, rasgado, ferido: uma escrita de sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-116181800839354668?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116181800839354668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/116181800839354668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/10/douro-vendaval-de-eventos.html' title='DOURO: VENDAVAL DE (E)VENTOS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115913419897846360</id><published>2006-09-24T18:17:00.001+01:00</published><updated>2006-09-24T22:43:19.223+01:00</updated><title type='text'>A PERSIGNAÇÃO SOCRATISTA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Persignem-se, que a coisa, hoje, não é para menos. Ou por palavras mais chãs: façam o sinal da cruz. Quarta-feira. Dia 13 de Setembro. Via, por acaso, televisão e não queria acreditar no que via: Sócrates, mais a «senhora da educação», parafraseando Pulido Valente, que não é propriamente um valente polido, na inauguração, benzida (!), de uma escola em Faro, não se escusou, com ar beato, a benzer-se! Eu vi. Eu vi. Eu não queria ver. Eu não queria acreditar no que estava a ver. E perguntei-me: onde está o cumprimento do protocolo de Estado, onde se terá metido o «animal feroz», o político duro? Os homens vêem-se frente a Deus e não suportados em maiorias políticas, que, da mesma maneira que lhes saíram, um dia, na rifa, os irão, não tardará, rifar! Quinta-feira. Dia 14 de Setembro. Percorri os jornais e o que queria ver não vi! Nem uma palavra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante o silêncio dos jornais ditos de “referência”, porquê eu, ó deuses, eu, o provinciano, eu, a quem Sócrates não lê, mas de quem, se calhar, fazem queixinhas (e a mim que me importa, se a ele ninguém vai ler, porque não escreve, nem ouvir depois de se lhe acabar o tempo; ia a dizer outra coisa, mas arrependi-me), eu, o que escreve num jornal da província, eu, um amador da cultura, que nunca chegará a profissional ou servidor cultural, ganhando ou acumulando ordenados chorudos (se calhar, esta a razão, porque o escolhido!), eu, a quem nenhum jornal de “referência”, publicaria esta crónica, porque politicamente incorrecta, e a fazê-lo, ratada apareceria, eu, a quem ninguém dá valor, e bem, porque o não tenho (estou melhor assim do que me ser dado, superlativo, por outros e ser levado a pensar que o tinha, não o tendo), porquê, oh, deuses!, porquê, eu, o escolhido a quebrar o silêncio e a escrever sobre a socrástica persignação (os inteligentes saberão por que não socrática) e obrigado a retirar a crónica que estava já preparadinha para a próxima semana, e a entrar com esta, apesar de, ainda, com a esperança que Pulido “ataque” durante o fim de semana? E os deuses: não, não, fá-lo tu, pois há para aí gente que pensaria, e diria, logo, que lhe segues os temas. Fá-lo, já, apesar de estas linhas somente irem ver as letras da imprensa e os olhos dos leitores a elas, na próxima semana. Mas porquê, ó deuses, me castigais duplamente, dando-me o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;daimon&lt;/span&gt;, mas retirando-me os louros da crítica? Por que fazeis de mim o Job da cultura? Eu, o heterodoxo, à margem das capelas locais e nacionais, eu, o verdadeiro periférico, eu, que não tenho «pontas» na Cidade em que vivo nem naquela que o vosso Ulisses criou, nem cadernos culturais a escreverem, e eu a acreditar e a ficar babado que é verdade, que a melhor crónica que se faz em Trás-os-Montes é a minha! Tonto, tonto, como é que a autoridade (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;autor&lt;/span&gt;)iza?, como estás doente e sem sensibilidade, responderam-me: substituis a leveza das musas por musos pesados e confundes o valor do galo com o poleiro em que canta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beba, então, a cicuta (ou néctar?) com que os deuses me condenaram: a persignação socratista. Melhor, a uma rubrica dela, pois a persignação ortodoxa exige uma cruz na testa, outra na boca, e outra, ainda, no peito, invocando ao mesmo tempo a Santíssima Trindade (leio no dicionário ao mesmo tempo que recordo a catequese), e não aquela trapalhada, de quem está atrapalhado, de fazer um rabisco de persignação. Saberá Sócrates que persignação é um sinal de quem Deus e a Trindade tem na mente, na boca e no coração? Ou tratará Sócrates Deus como as suas promessas eleitorais? Andou Vera Jardim a teorizar, o PS a propor e a Assembleia da República a votar as novas regras de Protocolo de Estado, de acordo com a Constituição de um Estado não confessional, e eis que o primeiro-ministro é o primeiro a não só não as respeitar como a entrar, no mínimo, em contradição consigo e com a Lei. O que é duplamente grave. Das duas uma: se é crente, devia respeitar o Estado não confessional, porque num acto oficial, melhor, de e em propaganda política, mais a sua capataz do ensino; se não crente, ainda mais grave: porque hipocrisia. Sócrates feriu tudo: a si (sabê-lo-á?), o Protocolo, o Estado e Deus. Vai Sócrates descalçar os sapatos, voltar-se para Meca e rezar a Alá, se, um dia, entrar numa mesquita? Vai Sócrates colocar o solidéu judaico e orar a Javé numa sinagoga, quando não é, que se saiba, do «povo eleito», embora eleito pelo povo, cruzes, cruzes?! E andamos nós a mandar militares para o Afeganistão, a fim de combater os talibãs, e a defender que os Estados árabes deviam separar o político do religioso, quando temos a confusão e seus resquícios dentro de casa! E, perante tudo isto, como me persignaria, se crente fosse! Cada um tem sua forma de se benzer. Esta, apesar de muitos me poderem vir a chamar, no mínimo, de infiel, a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS. Sábado, recebo, por correio, via Gomes, duas cartas do Dr. Nuno Botelho, com recortes da imprensa nacional que ao assunto se referiam. O&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Público&lt;/span&gt;, de sábado, escondeu, lateralmente, na página dezoito!, o protesto da Associação Cívica República e Laicidade, e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diário de Notícias&lt;/span&gt;, de sexta-feira, traz um artigo de opinião de Fernanda Câncio – «A esquerda benzida» –, onde não conseguiu mostrar a independência e o profissionalismo que pretendia: o cumprimento da “tradição” em lugar da “modernidade”, por parte do primeiro-ministro (não nomeia Sócrates), face a um incógnito padre, não é nada, se comparado com a “gentileza” do «ateu Fidel» e da “grosseria” de Zapatero, perante o pontífice. E esquece (?) o mais importante: a socratista persignação! Compreende-se, o amor fala mais alto. Além disso, se todos mandam a «laicidade às urtigas», isto «não destoa».&lt;br /&gt;                                                                                                        &lt;br /&gt;Vila Real, 15 de Setembro de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Até o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eixo do Mal&lt;/span&gt; passou sobre brasas sobre o assunto!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115913419897846360?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115913419897846360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115913419897846360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/09/persignao-socratista_24.html' title='A PERSIGNAÇÃO SOCRATISTA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115836641319489858</id><published>2006-09-16T01:25:00.000+01:00</published><updated>2006-09-16T01:26:53.196+01:00</updated><title type='text'>SENHOR, POBRES DOS NUS!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maioria das vezes, as vestes não enfeitam o corpo. Escondem-no. Por regra, os currículos não mostram a mente. Enfeitam-na. Carnaval da vida. Daí que os figurantes do sambódromono da existência se adulem pela frente e se mordam por trás, se amem às claras e se entreguem escondidos, não se coibindo, mesmo assim, de criticar a geração dos pais e avós por fazer amor em ceroulas, quando eles fornicam às escuras! Aumentar a escuridão sem estrelas a povoá-la é fácil, mas dar à luz é tão difícil e doloroso como saboroso. Sãos, quanto raros, os nus, logo acusados, pelos expulsos, de ingénuos e inocentes. Senhor, pobres dos nus e como o inferno é o paraíso e a expulsão os céus! A vida devia ser, corporalmente, uma praia e, espiritualmente, anónima. Tirada a roupa, trememos de fealdade, esquecidos os títulos, nem uma linha, uma ideia, um pensamento, sacudida a importância, só nulidade. A maquilhagem é provisória e falsa: provisória a beleza que mora sob a toilette, falso o valor que se suporta em títulos entalados, para não falar das vertentes impressionistas da personalidade de alguns pavões, que saboreiam como presunto as palavras que atiram lá do cimo do seu ar despiciendo quanto altivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo perguntou-me: quando escreve, como assina? Pelo nome, respondi. Acho bem, mas assim não vai a lado nenhum. As coisas devem valer por si. Acrescentei. E continuou: mas quem está para ver com objectividade seja aquilo que for e quantos têm capacidade para o fazer? Não vê que no final do texto lá está a tala a suportá-lo: o professor universitário, o ex-ministro, o isto e aquilo? A este propósito, um médico, continuou, perguntou-me: há alguém que dê importância a um letreiro, onde se lê: médico disto ou daquilo? E respondeu-me com a mesma convicção com que me fez a pergunta: ninguém; mas se acrescentar: director que foi de uma especialidade qualquer de um hospital de estrangeiro, o caso muda imediatamente de figura. E sabiamente rematou com esta magia: parece, logo, outro, sendo o mesmo. A magia não desapareceu, os mágicos é que mudaram de nome. Comentei. E, após um breve silêncio, foi à filmoteca inesgotável da sua experiência de vida e tirou de lá mais esta cena: um reitor, meu conhecido, foi ao Ministério da Educação. Atendeu-o o senhor Antunes: quem devo anunciar? Entregue este cartão, se faz favor. O senhor Antunes, ao não ver nada de magnífico na pessoa que tinha ali à sua frente nem nenhum título no cartão, augurou-lhe: aconselho-o a ir embora, pois não vai ser recebido... Não faz mal, faça o favor de o entregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais importante que sê-lo é parecer sê-lo. De facto, a magia não desapareceu. A vida não é uma posição, mas uma suposição! Mais: uma pressuposição. Ou ainda melhor: uma pressuposição presunçosa! Que seria de tantos pés e mentes descalços sem calçadeira? Calçados pelo partido, calçados pelo lugar, calçados pelos críticos e pela crítica oficial e oficiosa, andam vaidosos quanto doridos, não cabendo nos sapatos da vida. Como a vida anda ao nível dos pés! Esta gente o que está é todos os dias morta por chegar a casa para se tirar dos sapatos em que está. Mas ao contrário dos sapatos, quem precisava de ir à forma era ela. O calçado de hoje, andará descalço amanhã, se não desaparecer até lá; o descalço de hoje, mesmo que amanhã continue descalço, não notará a diferença.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115836641319489858?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115836641319489858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115836641319489858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/09/senhor-pobres-dos-nus_115836641319489858.html' title='SENHOR, POBRES DOS NUS!'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115794507850306420</id><published>2006-09-11T04:21:00.000+01:00</published><updated>2006-09-11T04:24:38.510+01:00</updated><title type='text'>NAZARÉ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agosto continua quente. A tradicional nortada fresca que pede um agasalho, à noite, até agora, não apareceu. O mar, na sua luta de tomar a terra, que tem tanto de Titã como de Tântalo, a todos – ricos e pobres, feios e esbeltos, sujos e limpos, eficientes e deficientes –, indiferentemente, banha, contrariando a hierarquização das zonas da praia. Ocupam os elefantes marinhos a beira-mar, em função da sua corpulência, os humanos, em função da sua função. A praia é a verdade do corpo: natural e sem a mentira do vestuário. Sem esta mentira, que seria daqueles que escondem,  no que vestem, o corpo que não têm como outros, no palavreado, a alma que perderam ou nunca tiveram? Falatório e vestes: a mesma roupagem para escondermos a nudez! Só o que vive em nudez vive em verdade. Se a maioria dos espaços sociais são heteronímicos – cada um procura e habita o espaço onde se mente ser –, o da praia, com excepção daqueles que a ela vão para vestir outra pele, é ortonímico, porque nos mostra nós mesmos. Se nos enamorássemos na praia, o rosto do amor e do mundo seria bem outro. Não necessariamente mais humano, estético e fiel. E face a tanta naturalidade corporal, a própria alma se naturaliza, regressando ao adâmico estado: para além do bem e do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aqueles que já não têm corpo para mostrar, mas para conservar (ou recordar), passeiam ao longo do extenso areal – das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedras&lt;/span&gt;, onde o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sítio&lt;/span&gt; se precipita pela falésia, até ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pontão&lt;/span&gt;, que alberga a marina dos humores do neptuniano mundo –, como quem revisita a memória que vai desde a criança, que mete o mar dentro do balde, até à descoberta que a realidade é irreal e a vida castelos de areia. Uma onda maior, anunciando a maré alta, espraia-se longamente pela praia, apagando pegadas e sonhos. Pegadas que são, para a criança, os primeiros passos e, para mim, passos passados; sonhos que, para ela, realidade são e, para mim, refúgio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto assim sinto, o homem dos gelados passa, apregoando: «Olha o gelado! Gelados Olá!, rijinhos e fresquinhos»! Uma criança convence a mãe, pelo choro, a ter o seu gelado. E eu, que faço da escrita minha oração e choro, a quem quero convencer, se não há ninguém que me ouça e salve? Derretida, a criança saboreia a sua metafísica. Eu, pelo vício metafísico de pensar, derretido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115794507850306420?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115794507850306420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115794507850306420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/09/nazar.html' title='NAZARÉ'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115698989764120663</id><published>2006-08-31T02:57:00.000+01:00</published><updated>2006-08-31T03:04:57.653+01:00</updated><title type='text'>DE NOVO, O MITOCÍDIO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não auguro nada de bom o ter de voltar ao assunto. O que faz com que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt; seja o espaço, por excelência, de legitimação e incentivo ao mitocídio? O que faz correr o director do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;? O que faz com que José Manuel Fernandes esteja tão apressado em que o mitocídio se cumpra? Que desígnio o move? Que finalidade o empurra? Qual a razão da sua pressa? JMF não tem dúvidas nem se interroga. Sabe tudo. JMF é como todos os dogmáticos: o seu saber não radica no saber, mas no púlpito onde se escreve. Não contente de, há já alguns dias, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt; ter feito, em várias páginas, a apologia e defesa da exumação do túmulo de D. Afonso Henriques, no passado 6 de Agosto, volta à carga, em editorial, atirando-se contra as três razões, invocadas pelos responsáveis do património cultural, que impediram, «inopinadamente», a «equipa de cientistas» de violar o mito. Será que não há direito de opinar contra o cientismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira razão, administrativa, que rebate assim: «a autorização para realizar o estudo não podia ser dada pela sua delegação em Coimbra, mas tinha de vir a Lisboa. O que significa que tudo o que é importante tem de passar por Lisboa. Pelo menos na cabeça dos dirigente do IPPAR e do Ministério da Cultura». Diz o povo que, quando a esmola é grande, o santo desconfia ou será que FMF se tornou defensor da Regionalização? JMF coloca-se em Lisboa ou fora, em função do que lhe interessa e não do que é essencial. Já lá vamos. Segunda razão: «... em casos como este, não chega vir a Lisboa: é necessário também receber o visto do ministro da tutela. Porque este tem mais competência científica? É pouco provável. Porque o caso é político? É bem mais provável, se bem que não se imagina como pode o fantasma do nosso primeiro rei atormentar os ministros de hoje». E, de forma nada elevada, continua: «O que imagina (depreende-se, sintacticamente, que D. Afonso Henriques!), isso sim, é que eles querem ficar na fotografia. Por isso, se a autorização vier a ser dada, lá teremos por certo comitiva ministerial a assistir». Senhor JMF, a questão antes de ser científica e um caso político, ou não, é um assunto de Estado e Nacional. E, por favor, exume-se e exima-se em descobrir onde estão os verdadeiros fantasmas. A terceira: «... apesar do mês que já transcreveu, os especialistas do IPPAR ainda necessitam de mais 45 dias para apreciar o difícil dossier». E ao seu melhor estilo: «no IPPAR também deve haver um qualquer  regime especial de férias judiciais...». Veredicto: JMF reduz tudo a uma questão burocrática e administrativa! Uma hipótese: se, por acaso, amanhã o túmulo de Moisés fosse descoberto nas areias do deserto eu queria ver o JMF a correr para Israel a defender um exame pericial. Já! Era o ias! Levava um pontapé no rabo que nunca mais se veria no Público e em público. JMF confirma o ditado: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que o berço dá a tumba o leva&lt;/span&gt;: ao esquerdismo de ontem sucedeu o “direitismo” de hoje. O respeito que o mito lhe merece está bem patente no título do editorial: Compliquex! A terceira parte não só diz bem o que lhe dói como confirma que o editorial é mais um arrazoado do que um tecer de razões. Citemo-la, na sua parte final, porque vale a pena: «E se nos alivia a noção de que há problemas bem mais graves no mundo, deprime-nos sempre esta nossa maneira de fazer tudo trapalhona, provinciana e engasgada».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é este editorial – pelo voluntarismo, pela substituição da equação correcta do problema por uma lógica engasgada e pela atitude provinciana de chamar provincianos aos outros – o exemplo daquilo que acusa? O que JMF pretende é assunto, principalmente quando está sem assunto, pois &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pivot&lt;/span&gt; da dupla Cavaco/Sócrates. E já agora por que não pensar num projecto, científico, claro, que exume todos os reis e rainhas, ínclita geração incluída, mais Nunos, Vascos, Cabrais, Albuquerques, Fernãos, Pedros Nunes, Camões, de onde saia um álbum histórico-fotográfico a partir do qual a história seja dada?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115698989764120663?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115698989764120663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115698989764120663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/08/de-novo-o-mitocdio.html' title='DE NOVO, O MITOCÍDIO'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115583252322825165</id><published>2006-08-17T17:23:00.001+01:00</published><updated>2006-08-17T17:35:23.230+01:00</updated><title type='text'>MEDALHAS, INDISTINTAMENTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro, para toda a gente, que uma medalha é a forma de distinguir alguém. Mas já não é tão fácil saber o que é distinção. O facto de alguém ser claramente, e à vista de toda a gente, medalhado não contém em si a necessidade de ele ser distinto. Não temos que distinguir ninguém, o que temos é de prestar homenagem à pessoa onde a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Distinção&lt;/span&gt; fez sua obra e morada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sabemos que há uma diferença, entre os planos de conhecer e de valorar, contudo, dentro do leque semântico da palavra  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;distinção&lt;/span&gt; – correcção, educação, classe, excepção, nobreza, superioridade, dignidade, delicadeza, bom-tom –, quem não escolheria, para o caso que estamos a tratar, os seguintes significados: excepção, nobreza e superioridade, até porque estes contêm os restantes? E se a nível nacional é difícil encontrar estas três características numa só pessoa, que dizer a nível local? À falta de gente «valorosa», ou por esquecimento de quem o é, o critério de distinção ficou cada vez menos apertado e mais lasso. Sampaio ao medalhar meio mundo, mas esquecendo, ou esquecendo-se, ele lá sabe, de Óscar Lopes, vulgarizou as condecorações. Estranhamente, quem o condecorou foi Cavaco Silva, no último 10 de Junho. Para meu espanto, também estranhamente, ele aceitou, o que somente compreendo devido ao estado de fragilidade física e de saúde em que se encontra. Entende-se que Cavaco, para atenuar o seu défice cultural e criar uma nova imagem, não perca musal evento, ou algo parecido, para se mostrar, mas é já mais difícil de compreender quem se preste a por ele ser, culturalmente, condecorado, quando pela boca lhe saiu a frase da maior soberba intelectual e a mais anti-cultural alguma vez pronunciada por um governante: «nunca tenho dúvidas e raramente me engano». Lá politicamente, e quem da cor da sua alma, vá que não vá. Agora culturalmente, valha-nos Apolo! Eça de Queiroz dava tanto significado e tinha em tão grande apreço a sua medalha de Legião de Honra que a cedeu ao seu vice-cônsul em Paris, para ir a um baile: tire-a da gaveta e leve-a. Ainda a este propósito, ao ter D. Pedro V conhecimento da morte de Herculano, que amiúde visitava, e lembrando-se de ele ter recusado a medalha de Comendador Torre e Espada, fez o seguinte comentário: ele valia mais do que pensava e a medalha não vale coisa nenhuma. É caso para dizer que, na maioria dos casos, os medalhados de hoje valem menos do que pensam e a medalha o valor da cotação que o ouro e a prata têm no mercado. A transformação do acto de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;distinguir&lt;/span&gt; alguém num acontecimento social, num “favor” pessoal ou político, no cumprimento, por cumprimento, de um ritual, não só vulgarizou as medalhas como as tornou num alvo fácil de chacota e de ditos, delas fugindo quem real valor tenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, as medalhas são como aquelas mulheres que, a partir do momento que as vemos com certas companhias, não só perdem a respeitabilidade e credibilidade como ninguém as quer. Ninguém é como quem diz! Agora se me disserem que as medalhas têm como finalidade principal e maior fazer as pessoas felizes, levá-las a pensar que são o que não são, alimentar a sua mitomania e serem um escadote pessoal e social para quem é baixo social ou culturalmente, nada tenho contra. Se a felicidade é assim tão fácil de conseguir, por que não? Deitem-nas à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rebatiña&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115583252322825165?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115583252322825165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115583252322825165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/08/medalhas-indistintamente_17.html' title='MEDALHAS, INDISTINTAMENTE'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115560965270803450</id><published>2006-08-15T03:39:00.000+01:00</published><updated>2006-08-15T03:40:52.723+01:00</updated><title type='text'>MAIORIAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca poderia ser político porque detesto estar com a maioria ou ela comigo. A maioria está sempre certa: segue o que vai à frente e nunca se segue a si. Na política, sempre fui perdedor, mesmo quando ganhei. Votei Sampaio, mas perdi. Perdão, perdemos. Há quem ganhe sempre, ou quase sempre, e se sinta, por isso, o mais feliz dos mortais. Estão neste caso os que são, politicamente, do PSD ou do PS e, desportivamente, do FCP. Num dia, põem a bandeira do FCP na varanda, no outro, a bandeira do PS ou do PSD. Melhor do que isto só uma casal centrão, estratégia, por alguns montada, para ganhar sempre: ele do PSD ela do PS, ou ao contrário, o que vai dar ao mesmo. Quem se importa de  ganhar a si mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria, seja simples ou absoluta (ditadura democrática), nunca a poderia ver como um «ganhámos-lhes!», mas como uma forma de “todos” ganharmos. As maiorias absolutas são sempre fruto de conjunturas difíceis e das fragilidades do adversário. Contudo, os políticos, em lugar de se compreenderem como seu efeito, olham-nas como causa sua. A maioria que, hoje, deu a maioria absoluta a Sócrates é a mesma maioria que, ontem, a tinha dado a Cavaco; a maioria, que lhes deu a maioria, é, apesar dos anos volvidos, a mesma maioria que não lê um livro na vida; a mesma maioria que colocaria o Sol a andar em torno da Terra, caso o assunto fosse a votos; a mesma maioria, mas para absolutíssima, que nada sabe de Ourique a Alcácer-Quibir, de D. Sebastião a Cavaco, das cantigas de amor e de escárnio e maldizer a Saramago, passando por Fernão Lopes; a mesma que decide da vida dos outros sem nunca se interrogar pela sua; a mesma que vota onde os caciques da terra, dos céus e do purgatório lhe mandam; a mesma que vê todos os dias telenovelas e não dá conta da telenovela da sua vida; a mesma que não perde big-brothers, celebridades e directos de bodas de pessoas importantes num voyeurismo compensador da cegueira de si; a mesma que decide a política sem saber o que é a política; a mesma que não sabe ler o livro de reclamações do existir e de fazer uma reclamação aos homens, aos políticos e aos deuses; a mesma que não faz a Vontade Geral, porque sem vontade particular e própria; a mesma que dá a maioria a um partido como forma de castigar o outro, mas que, no final, o castigado é ela; a mesma que dá arrogância, prepotência e soberba a quem minoritariamente a não tem; a mesma que transforma a força da política em política da força; a mesma que admira a política musculada, porque nunca saiu da menoridade cívica; a mesma que não faz um Nós, porque não sabe de si; a mesma que não sabe que aquele que dá maiorias mais em minoria fica. Não admira, assim, que a nossa democracia, em vez de um destinarmo-nos, seja um destino: não há alternativa a nós nem aos dois da vigairada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade da política não se mede pela qualidade dos políticos, mas pela qualidade dos cidadãos, porque sem estes não há aqueles A qualidade de uma democracia não se mede por maiorias políticas, mas por uma maioridade racional e cívica. A qualidade de um governo não se mede pela quantidade daqueles que o elegem e suportam, mas pela qualidade dos cidadãos. A qualidade de uma política não se vê pela qualidade dos políticos, mas pela qualidade da opinião pública. Em democracia, primeiro está o cidadão, depois o político. Primeiro, a nação, depois o partido. Primeiro, a coisa pública, depois as coisas nossas. A legitimidade de uma política não radica em maiorias ou minorias, mas no conteúdo e qualidade democráticos.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115560965270803450?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115560965270803450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115560965270803450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/08/maiorias.html' title='MAIORIAS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115506170838259879</id><published>2006-08-08T19:25:00.000+01:00</published><updated>2006-08-08T19:28:28.393+01:00</updated><title type='text'>A DESTRUIÇÃO DO PAÍS DOS CEDROS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dói-me a destruição do Líbano – o País do Cedros –, por parte do sionismo, como me dói  a ocupação da Terra de Entre-os–Rios (Mesopotâmia), hoje o Iraque, por parte dos yanques. Na Mesopotâmia, nasceu a Civilização e de Ur partiu Abraão em demanda da Terra Prometida. No País dos Cedros – de cedro do Líbano eram as madeiras do Templo –, nasceu o alfabeto e de Biblos, Sídon, Beritus e Tiro partiu para todos os portos do Mediterrâneo antigo e, depois, para todos os livros e escolas do Mundo. Sídon, Beritus (Beirute) e Tiro, cidades da Humanidade, vejo-as, hoje, bombardeadas por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fantons&lt;/span&gt;, por canhões, armas inteligentes e bombas de fragmentação, pelo povo eleito de Javé! Quem bombardeia a História como pode ser sensível à morte de inocentes, à destruição de um país e à deslocação de milhões de civis? E não deixo de ficar temeroso pela aliança judaico-americana e pela vigilância pidesca do Echelon de Cias e Mossads! E quando penso que, ontem, a Alemanha, apesar da sua cultura e de ser uma das pátrias do Iluminismo (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aufklärung&lt;/span&gt;), se atreveu a julgar-se o povo eleito pela biologia, mais receoso fico quando vejo a nova versão de povo eleito por Deus – e por ele mandatado para evangelizar o Mundo com a “sua” democracia – e a velha versão do povo eleito por Javé unidos e metidos no mesmo barco. E não me venham com a conversa, falsa, de que o culpado foi um tal Hitler e que agora é um tal Bush! Tal como uma andorinha não faz a primavera, um só homem não faz, para bem ou para mal, a História. Temo, civilizacional e historicamente, mais o nacionalismo, religiosamente, fundamentado de algum Ocidente do que o fundamentalismo religioso de algum Oriente! O Ocidente, rico, vive no fundamentalismo do não fundamento: na “utensialização” da razão, no vazio e nos céus da efemeridade. O Oriente islâmico vive no fundamentalismo religioso: cheios de céu, porque no inferno. Quem, na realidade, são os Estados fora-da-lei? Os EUA não invadiram o Iraque, à revelia do direito internacional e da ONU, e Israel não invadiu o Líbano como invade e ocupa a Palestina, e sem nunca ter cumprido qualquer resolução da ONU? O Terror são os outros. Eles os arautos da Civilização!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel pode ser o Estado mais bélico por metro quadrado do mundo, mas os outros só podem ter fisgas. Hoje, quem o Golias e quem o David? Os EUA podem armar, do melhor, Israel, mas o Irão ou outro país não pode armar com uns “foguetes” os palestinianos ou o Hezbollah (Partido de Deus). O que salva o Mundo da materialização imperialista, por parte dos EUA, é o facto de eles não terem o exclusivo das bombas nucleares. Assim, ficam pelo domínio relativo do globo, mas não pelo absoluto. Os EUA realizaram o «fim da História» e das ideologias, ou seja, fecharam-na. Hoje, não há política: a Ocidente, as ideologias estão mortas; no mundo islâmico, porque sem democracia nem pensamento político, fizeram da religião o seu marxismo e da guerra santa o seu proselitismo internacionalista revolucionário. O Mundo está sem pensamento e sem princípios, sem princípios!, seja na vida individual, na nacional ou na mundial. Este o cancro com metáteses globais que tudo está a minar e a comer. A comer-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está Barroso, que nem se vê? Coitado! Onde está Xavier Solana, que não se vê o que anda a fazer? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pobrecito!&lt;/span&gt; Onde está a Europa? A França anda por um lado, a Alemanha por outro, e Blair por Bush! Os outros países nada riscam! Eis aos olhos de todos a razão por que o Tratado da Constituição Europeia ficou no início do caminho! E se esta agressão israelita foi pensada, preparada e planeada, juntamente com os EUA, por que razão a Europa se sentou, em Roma, à mesma mesa para discutir o cessar fogo? Como diz o ditado: não é tão ladrão o que vai à horta como o que fica à porta? Os EUA só aceitarão qualquer cessar fogo quando os objectivos de Israel forem atingidos. Ou quando a «raiz do problema», como dizem, for eliminada. E como era importante, para o Mundo, uma Europa com uma voz política internacional com princípios, determinada e única. A melhor forma de acabar com a guerra é tornar património da Humanidade a Mesopotâmia, a Palestina, Israel, o Líbano, o Egipto, a Turquia e a Grécia.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115506170838259879?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115506170838259879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115506170838259879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/08/destruio-do-pas-dos-cedros.html' title='A DESTRUIÇÃO DO PAÍS DOS CEDROS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115447975460608387</id><published>2006-08-02T01:46:00.000+01:00</published><updated>2006-08-02T01:49:14.616+01:00</updated><title type='text'>BACANTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem diz que os deuses da Terra dela partiram para sempre? Quem diz que as Bacantes abandonaram, com Brómio, o que brama como os animais selvagens, as míticas terras da Frígia? Quem não vê pelo natal dos pampos e pelo outonal calvário dionisíaco o tíaso de ménades embriagadas de sol e mosto, de dança e Eros, de orgia e vida, a caminho das montanhas para celebrar os mistérios? Elas estão entre nós, mas nós, vendados, não as vemos. Como nossa alma mudou! Outrora, a alma era a alma das coisas. Nesta hora crepuscular, a alma é a coisa das coisas. Mostra o relógio da arqueologia as horas do tempo de que fomos feitos, para melhor nos vermos. E o da alma que não há deuses acima de deuses. Em Dionísio e Deméter, a Terra contém-nos, sãos; em Cristo, doentes, substituímo-la por céus gasosos como a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviou-me Dionísio, o lídio deus, filho da adúltera relação entre o senhor do Olimpo e a mortal Sémele, para te acordar e celebrar. Que seria da humanidade sem adultério divino? Esquecida do deus, esquecida de ti, vives em heresia. Possuído pelo deus mosto, aconteceu a metamorfose do corpo e da alma: eis-me, fauno com a alma do corpo e tu, zoologia fantástica, centauro no feminino: corpo de poldra, vestido de pele de gamo, e onde era suposto estar o equídeo pescoço o torso feminino nasce, enfeitado de louras crinas, que caem em sensualidade desgrenhada sobre teu rosto mosqueado de animalidade. De natureza vestida, os seios, túmidos de desejo e de mamilos eriçados, vestem-te o peito e, agitada por Eros, rabeias provocação, ao ritmo de centáurea voz rouca e feroz, o deus saudando: Evoé!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve, ouve, aproxima-se o cortejo das bacantes. Ei-las, de tirso na mão, coroadas de folhas de carvalho, de heras e flores. Ei-las, ei-las, de pés nus, vestidas de túnicas brancas de branco linho, cintadas de serpentes, subindo, na melodia da flauta de loto, à frígia montanha, onde acontecerá a iniciação aos mistérios, segundo a liturgia dos três passos da orgia, que conduz ao cimo do cio da terra e do sangue. Entremos no tíaso, entremos, sigamos as sacerdotisas do deus, e assistamos aos mistérios: a dança frenética, ao som dos bombos de sonoridade surda, amola a lâmina do desejo, que, afiada e pronta, arranha, morde, rasga e esquarteja a selvagem cria; de passo em passo, eis-nos no momento mais alto da celebração: a omofagia, a refeição natural sem fogo nem sal. Ménades, como estais aspergidas de morte, extenuadas de êxtase e tomadas de sede! Feri a rocha, feri, com vosso nártex fogoso e que dela brote o sagrado líquido que a sede mata e o sabor do sangue quebra. Saudemos Dionísio, Evoé, saudemo-lo! Saudemos o deus da máscara, o deus que expulsa a conveniência e restitui à Natureza o sentir. Saudemos o deus que liberta os instintos naturais e os solta no corpo das ménades.&lt;br /&gt;Creras no mito quanto eu e, como no párodo das Bacantes, diríamos com Eurípides:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Quem me dera ir para Chipre, / essa ilha de Afrodite, / onde habitam os amores / que enfeitam os mortais... /Aí moram as Graças / aí mora o Desejo! Aí é lícito às Bacantes / celebrar as orgias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115447975460608387?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115447975460608387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115447975460608387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/08/bacante.html' title='BACANTE'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115334857953289158</id><published>2006-07-19T23:34:00.000+01:00</published><updated>2006-07-19T23:36:19.540+01:00</updated><title type='text'>O “MITOCÍDIO”</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;«O mito é o nada que é tudo».&lt;br /&gt;Fernando Pessoa, «Ulisses», in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mensagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora ainda distantes de 2043, ano em que Portugal fará, se lá chegarmos, novecentos anos, gente há que quer matá-lo antes. Eugénia Cunha, bióloga e antropóloga forense da Universidade de Coimbra, melhor, teóloga do novo deus – o cientismo, herdeiro do comtismo –, foi, à última hora, impedida, e bem, pela ministra da Cultura, de abrir o túmulo de D. Afonso Henriques, no Mosteiro de Santa Cruz, justificando esta o impedimento por não ter conhecimento da “investigação” em curso, embora com autorização da direcção regional de Coimbra do IPPAR para o fazer! A dita investigadora tinha já andado, em Abril, a bisbilhotar – com autorização de quem? – o túmulo, tendo para o efeito introduzido, através de um pequeno orifício, um endoscópio. Tudo isto, diz, para seguir o exemplo do que se faz no estrangeiro. Onde? No Egipto, onde os mortos nada adiantaram em esconder-se dos vivos? Se, em nome da imagem, se tenta acabar com a privacidade dos vivos, do mesmo modo, se pretende, em nome da “investigação científica”, acabar com o descanso e privacidade dos mortos. Tudo estava planeado (não fosse ela mulher!): a Universidade de Estrasburgo era o lugar escolhido para fazer os exames, infelizmente dele, científicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta teóloga do cientismo, excelente intérprete de um big-brother científico e de uma visão individualista da história, em moda, além de não ter respeito pelos mortos e de não temer a sua profanação, não deu conta de que esteve em vias de cometer o crime maior: matar o mito. Se não sabe e não tem consciência do crime que esteve para cometer, leia com atenção ou peça a alguém que lhe explique o verso de Fernando Pessoa: o mito é o nada que é tudo. Ora, o que a forense não sabe, e isto é o mais grave, é que ao desenterrar o primeiro rei enterrava o mito. Senhora forense, no túmulo, não está D. Afonso Henriques, está o mito! Que nos interessa a bisbilhotice desta paparazzi do cientismo – saber: o rosto do rei, a sua ficha médica (depois de morto!), o seu DNA ( se corresponde com o de D. Sancho I, a fim de tirar a eterna dúvida romana: o pai é sempre incerto?), e a sua dieta, assuntos que encheriam as revistas mundanas e os tablóides, mas nem uma página da História –, se ficamos sem o mito D. Afonso Henriques? Senhora forense, tocar no mito é mexer com as origens. Sabe que aquele que não as tem ou não sabe delas não sobreviverá? Num momento de grande fragilidade nacional, o que, infelizmente, não é de agora, matar o mito seria agravar ainda mais a crise. Pare, imediatamente, com o “mitocídio”, minha senhora. Aproveite as suas qualidades de investigadora, se as tem, para o foro judicial. Está é proibida de mexer e de bisbilhotar onde e o que não deve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moda pegou de tal modo que este tipo de “investigação” não pára aqui: outra teóloga, Maria Augusta Luísa Cruz, esta da Universidade do Minho, quer fazer o mesmo ao túmulo de D. Sebastião, para saber do «perfil genético» daquele que Actéon castigou! Quererá esta outra paparazzi tirar a limpo as preocupações camonianas sobre o castigo que o Amor fez pender sobre D. Sebastião por ser revelde ao amor: ao fazer ua famosa expedição / contra o mundo revelde, por que emende / erros grandes que há dias nele estão (Os Lusíadas, IX, 25)? Não há ninguém que ensine a esta professora universitária que, em D. Sebastião, está o mito do sebastianismo e, no seu túmulo, uns ossos que dificilmente serão os dele? A exemplo do que fizemos acima com a sua colega, aconselho-a a ler, bem, o poema «D. Sebastião» de Fernando Pessoa, na Mensagem. Eis dois versos: É o que eu me sonhei que eterno dura, / É Esse que regressarei. Quer uma opinião? Investigue o perfil genético de Sócrates e de Cavaco, dois exemplares, vivos, quer mais e melhor?, de sebastianismo político – não se apresentaram, ambos, como salvadores? –, que, assim, será desnecessário, amanhã, desenterrá-los, e deixe-se de histórias. Esta gente não se sonha e por isso nem a mente nem os ossos se lhe vão aproveitar. Era bom que a igreja católica abrisse a ordenação às mulheres para ver se se dedicavam a outras teologias. Tinham muito com que se entreter: muitos santos para desenterrar, muitas relíquias para saber da sua autenticidade e muita fé para matar. O que esta gente procura é construir a sua eternidade no desenterrar/enterrar a eternidade dos outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115334857953289158?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115334857953289158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115334857953289158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/07/o-mitocdio.html' title='O “MITOCÍDIO”'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115266476349574442</id><published>2006-07-12T01:32:00.000+01:00</published><updated>2006-07-12T01:39:23.506+01:00</updated><title type='text'>O ESTADO DA ARTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem havia de dizer que Portas passava, de um dia para o outro, de condenado político a juiz da política? As medidas de coação política duraram pouco: de arguido passou a arguente e de silêncio preventivo a comentador. E, como se isto não bastasse, o seu espaço televisivo, na SIC Notícias, foi baptizado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estado da arte&lt;/span&gt;. Mais importante do que o acto de nomear é como e porque se nomeia. Acompanhem-me à pia baptismal. Se estão a pensar que Paulo Portas abandonou a crítica política para passar a ser crítico de arte, estão redondamente enganados. A arte aqui é outra. Melhor, as artes são outras. Se estão a pensar que Portas se tenha enganado e trocado arte do Estado por estado da arte, estão mais perto da verdade, mas, mesmo assim, enganados. Talvez, Portas, brincalhão como é, se tenha divertido ao espelho e com o espelho desta simetria. E podem questionar-se: não teria sido melhor ter-lhe chamado o estado do Estado? Tendes um pouco de razão. Mas não toda. O termo traz-me o conhecido adágio: presunção e água benta cada um toma a que quer. Eis, para espanto de nós todos, mas que não espanta nem atemoriza Portas, a definição do termo o estado da arte: «nível mais elevado de desenvolvimento de uma área científica ou técnica, alcançado num determinado período». O sintagma o estado da arte, nascido em 1910, em contexto tecnológico, num livro relativo a uma turbina de gás, é um sintagma com alguma fortuna semântica, para não dizer fino, de que Portas, fino que nem um alho, se apropriou.&lt;br /&gt;A fazer jus ao nome, quererá Portas fazer-nos crer que, com ele, por ele e graças a ele, se atingiu, com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estado da arte&lt;/span&gt;, o topo e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;la crème de la crème&lt;/span&gt; da análise e comentário políticos? E como vai reagir a concorrência dos marcelos, dos pachecos e dos vitorinos à chegada de mais um palavroso? O «Paulinho das feiras» há muito que partiu. Era uma imagem de um político de terceiro mundo, que era urgente apagar. Depois de ter sido senhor das bélicas forças lusas, Portas não quer descer dos céus onde subiu. Pôs-se a andar do partido, após a derrota eleitoral, e só voltará, se voltar, para voos tão ou mais altos.&lt;br /&gt;Não comungo da opinião de um comentador político que viu n’ &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o estado da arte&lt;/span&gt; prova do faro político de Portas. Portas, conta ele, à semelhança de um dos seus cães que descobre, mais depressa e mais longe do que os outros, o cheiro de uma fêmea com cio, viu, antes de ninguém, o vazio de oposição existente e ocupou-o. E discordo pelo seguinte: a não existência de oposição tem, neste momento, causas políticas e não político-partidárias. Portas não consegue viver sem poder e protagonismo: com o fim da coligação Santana (PSD)/Portas (CDS) e não podendo fazer, por enquanto, oposição político-partidária, criou a coligação possível: a coligação entre o poder da língua e a língua do poder. Se mais respeitador do significado original do sintagma, por que não chamar-lhe turbina palavrosa, em vez de o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estado da arte&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115266476349574442?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115266476349574442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115266476349574442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/07/o-estado-da-arte.html' title='O ESTADO DA ARTE'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115241454320738690</id><published>2006-07-09T04:01:00.000+01:00</published><updated>2006-07-10T16:04:50.540+01:00</updated><title type='text'>Os custos (económicos) da guerra do Iraque:</title><content type='html'>- Visita o sítio &lt;a href="http://www.djbradanderson.com/global/"&gt;www.djbradanderson.com/global/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- depois, no lado direito, sob uma esfera verde tens: Cost of the War in Iraque&lt;br /&gt;- clica&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115241454320738690?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115241454320738690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115241454320738690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/07/os-custos-econmicos-da-guerra-do.html' title='Os custos (económicos) da guerra do Iraque:'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115229536357639779</id><published>2006-07-07T18:50:00.000+01:00</published><updated>2006-07-07T19:02:43.590+01:00</updated><title type='text'>ALFA E OMEGA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O modelo do Big-bang (grande explosão), que pretende explicar a origem e evolução do Universo, é a versão científica do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Enuma Elish&lt;/span&gt; mesopotâmico, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nu&lt;/span&gt; (barro) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ra&lt;/span&gt; (sol) egípcios, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Génesis&lt;/span&gt; vétero-testamentário. Depois do mito, o mito da razão, depois da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;narração&lt;/span&gt; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;explicação&lt;/span&gt;, depois dos deuses, a sua ausência, depois da fantasia, a realidade, depois da inocência, a expulsão.&lt;br /&gt;Que é necessário para construir o Universo senão tijolos e cimento? Planta?, autor?, nem pensar! À luz do homem pensante e racional, este o maior dos mistérios. O mistério não é haver Autor. O mistério dos mistérios é não haver Autor. Deus é a nossa solução para o mistério. Deuses e nós, que semelhanças! Já tivemos deuses oleiros, relojoeiros, inteligência superior, arquitectos e, agora, o deus-ciência. E o que nos diz esta nova divindade? Que, perdão pelo simplismo, apenas com quatro letras-tijolos fundamentais estáveis – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e-&lt;/span&gt; (electrão) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ve-&lt;/span&gt; (neutrino electrónico), baptizados de leptões, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;u&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;d &lt;/span&gt;(quarks) – mais quatro tipos de cimento-força (bosões): gluões (força de cor), fotão (força electromagnética), os bosões Wº W+ e W- (força nuclear fraca), responsáveis da transformação de um protão em um neutrão e o inverso, acompanhada da transformação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e-&lt;/span&gt; –» &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ve&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ve&lt;/span&gt; –» &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e-&lt;/span&gt;, respectivamente) e gravitão (força gravitacional), temos o alfabeto, a gramática e as regras de sintaxe para construir o conto do Universo. Assim: com quarks fazemos nucleões (protão e neutrão), que graças à força nuclear fraca mudam de personalidade, facilitando a organização e estruturação atómicas da matéria, e o cimento fortíssimo que os prende no núcleo atómico é a força de cor; com nucleões mais leptões, criamos átomos; os átomos, por sua vez, acostam uns aos outros, criando moléculas e macromoléculas, sendo, neste caso, o cimento a força electromagnética; e para que o macro não viva em caos, lá está a força gravitacional a pautar a harmonia das esferas celestes. Mas a criatividade ôntica não acaba aqui: a química inventou quatro letras - &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;(denina), &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;(imina), &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;G&lt;/span&gt;(uanina) &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;C&lt;/span&gt;(itosina) - e meteu-se a construir a vida. Não contente, inventou-nos nós. E tal como há sempre uma obra que não merece o artista assim o quadro de nós a Vida.&lt;br /&gt;Quando a história começou? Dizem os apóstolos do deus-ciência que há, aproximadamente, 14/15 milhares de milhões de anos, fruto de uma grande explosão, a energia, o espaço e o tempo soltaram-se do estado claustrofóbico em que se encontravam, ou de uma flutuação quântica: densidade a tender para infinito e tempo e espaço para zero. E tal como um balão em enchimento, o Universo, desde então, não deixou de se expandir, soprado pela anti-gravidade. Este romance cósmico tem, abreviada e simplificadamente, quatro capítulos: a era hadrónica (criação dos hadrões a partir dos quarks) e a era leptónica (criação do electrão e do neutrino), concluídas dez segundos após ter acontecido o Big-bang (mas como a temperatura era ainda suficiente alta, deu-se, no terceiro minuto, a seguir ao Big-bang, a nucleosíntese do hélio, deutério e lítio); a era radioactiva, que dura, aproximadamente, um milhão de anos, seguindo-se a era estelar (o domínio da matéria). O Universo organizou-se, a partir da era estelar, em grandes massas de matéria, composta essencialmente de hidrogénio, massas essas que, estruturadas pela força gravitacional, originaram galáxias, agrupadas em enxames e super-enxames, onde nasceram as primeiras gerações de estrelas. O acontecimento físico principal que se dá com e ao longo da era estelar é a continuação da nucleosíntese [síntese de nucleões, originando átomos cada vez mais pesados] no núcleo das estrelas, que tinha terminado no hélio. E se a maioria das estrelas morre, calmamente, com a nucleosíntese do ferro, o mesmo não acontece com as chamadas estrelas massivas – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;super-novas&lt;/span&gt; – que morrem violentamente: explodem e sintetizam elementos pesados até ao urânio, semeando-os pelo espaço interestelar (nunca Mendeleev, pai da Tabela Periódica dos Elementos, imaginou tal origem dos elementos!). Sem esta escória nuclear não teria havido planetas, vida, nós. O Sol é uma estrela, pelo menos, de segunda geração, pois o meio onde o nosso sistema estelar nasceu já continha todos os elementos da Tabela Periódica. Quanto à composição do Universo, os últimos dados apontam para 4% de matéria atómica, 22% de matéria escura e 74% de energia escura. Logo, só vemos 4% do Universo.&lt;br /&gt;Veredicto cósmico: o Universo nasceu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;leve&lt;/span&gt; e caminha necessária e irreversivelmente para ser, cada vez mais, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pesado&lt;/span&gt;. Isto é: para o seu esgotamento, fecho e enfarto. Para o ómega. Com o urânio, fecha-se a complexidade física atómica, como com o homem se fechou, parece, a vida. Se o hidrogénio é o alfa, o urânio é o ómega. Quando o hidrogénio se esgotar, não haverá mais azeite celeste para alimentar as aluminárias do céu. E as trevas dominarão o Universo. Que dia novo acordará delas? O deus-ciência não nos ampara, não nos salva; mostra-nos a realidade em toda a sua tragédia e esplendor. Para impotência nossa. Como tudo era mais seguro e eterno quando nada se sabia! Aos deuses antigos ainda podíamos orar. Ao deus-ciência não há oração possível. À fé sucedeu a condenação. Como as ideologias são um pai para aqueles que nunca chegam a ser adultos!&lt;br /&gt;P.S. O meu pedido de desculpas: Ao Universo, pelo meu simplismo, ao leitor, pela paciência que teve, e ao jornal, pelo espaço que lhe roubei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115229536357639779?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115229536357639779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115229536357639779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/07/alfa-e-omega.html' title='ALFA E OMEGA'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115172770767626561</id><published>2006-07-01T05:12:00.000+01:00</published><updated>2006-07-01T05:21:47.686+01:00</updated><title type='text'>PS: QUANDO O SUPLENTE BATE O TITULAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As populações seguem o instinto que a nossa História lhes pôs no sangue: alia-te ao rico e não àquele que o contesta. Em termos de sobrevivência, o instinto é mais certo do que a razão: não é verdade que o que contesta o rico, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;em lugar da riqueza&lt;/span&gt;, o quer ser? Entre ser governado por pedintes, que esqueceram as migalhas, ou por dadores de esmolas, optaria, se a isso fosse obrigado, pelos segundos. Ou sob uma outra forma: entre o rico histórico e um novo rico, preferiria, de longe e sem pensar, o primeiro. Ou ainda: entre o novo rico de esquerda, e pela esquerda, e o sempre rico da direita, e pela direita, optaria por este. Aquele, regra geral, usa a esquerda para chegar a ser de direita. O povo o diz: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não sirvas a quem serviu e não peças a quem pediu&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A meta, ou, se quisermos, a utopia, da esquerda revolucionária, que ruiu, não visava, em teoria, que o proletário &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;substituísse&lt;/span&gt; (passasse a ser) o rico, que o escravo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;substituísse&lt;/span&gt; o senhor ou que o explorado &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;substituísse&lt;/span&gt; o explorador, mas a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;superação&lt;/span&gt; de ambos. O “socialismo” ruiu porque, em lugar de caminhar – e poderia ser outro o caminho? – para a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;superação&lt;/span&gt; do antagonismo senhor/escravo, proletarizou toda uma sociedade, substituindo, no plano económico, o antigo explorador pela estrutura do partido. Sem a contradição classista e sem ter caminhado (e seria possível fazê-lo?) para a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;superação&lt;/span&gt; do explorador/explorado, a economia “socialista” não podia ter outro fim senão o seu próprio esgotamento.&lt;br /&gt;A esquerda reformista, todos o sabem, não visa ser alternativa ao capitalismo nem ser revolucionária, mas, mediante reformas, edificar, consolidar e defender o Estado Providência. Assim, a esquerda reformista não pode, com o risco de se descaracterizar, pretender &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;substituir&lt;/span&gt;-se à direita, mas s&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;uperá&lt;/span&gt;-la, claro, em moldes reformistas. Ora, o que assistimos com o governo de Sócrates é o ele &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;substituir-se&lt;/span&gt;, política, social e economicamente, ao centro-direita. E de tal forma a substituição resultou que o suplente (PS) está a ser melhor do que o titular (PSD), para espanto das SADs dos grupos empresariais e financeiros, que não se cansam de elogiar a coragem política do suplente Sócrates. Este mimetismo político do PS de Sócrates só é possível porque não há uma direita em Portugal. De certa forma, desde Cavaco, a direita não tem tido partido. A crise de liderança do PSD não só não deixou de se acentuar desde Cavaco como não tem solução à vista. Se Marques Mendes não se vê, a alternativa Filipe Menezes seria o regresso a um certo santanismo. Para agravar tudo isto, foi durante os governos de  Durão e Santana que a crise, com uma inércia que já vinha dos anteriores governos do PS e do PSD, bateu no fundo, deixando o caminho livre a Sócrates. Contudo, apesar da fragilidade em que o PSD se encontra, apesar da maioria absoluta de Sócrates, o certo é que o PS se &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;substitui&lt;/span&gt; ao PSD em lugar de o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;superar&lt;/span&gt;. Face a uma economia fragilizada e a um país em depressão, Sócrates, em nome da crise e por esta justificada «cortou a direito» (palavras de Jorge Coelho na Quadratura do Círculo), a que Pacheco Pereira acrescentou: «e à direita». Para quê mais palavras, se o discurso se fez redondo? O PS é, neste momento, um partido de centro direita na forma – arrogante – e no conteúdo – liberalizante. Sócrates criou uma inércia política de direita, perigosa, que amanhã o PSD vai aproveitar. E quem a vai, então, parar? Sócrates? Por tudo isto, a oposição a esta política nunca poderá vir do PSD, mas pedidos de a aprofundar. Assim, seria de esperar que a contestação surgisse dentro do próprio PS, porque quem não contesta a direita em casa como a pode contestar na casa alheia? Os interesses e/ou a falta de democraticidade interna do partido falam mais alto do que a ideologia. Que é feito de Alegre? Escreve sobre futebol!&lt;br /&gt;PS. A afirmação de Manuel dos Santos, eurodeputado do PS, que diz ser o governo de Sócrates uma «Comissão Liquidatária» do PS, é de grande dignidade. Mas sabendo-se que os partidos não têm vida democrática ou outra – abrem para eleições e os que ganham fecham, de seguida, para o “governanço”, e os que perdem, para balanço – não é de esperar grande contestação interna. O certo é que amanhã – quando Sócrates cair e o PS for oposição (a quê se ele abriu as portas a esta política?) – todos vão acusá-lo daquilo que hoje poucos têm coragem para o fazer e dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115172770767626561?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115172770767626561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115172770767626561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/07/ps-quando-o-suplente-bate-o-titular.html' title='PS: QUANDO O SUPLENTE BATE O TITULAR'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115134708849380678</id><published>2006-06-26T19:35:00.000+01:00</published><updated>2006-06-26T19:38:08.500+01:00</updated><title type='text'>ENSINO PÚBLICO OU INIMIGO PÚBLICO?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se Cavaco, enquanto primeiro-ministro, que foi, é responsável pela degradação da formação dos professores que o seu ministro da Educação Roberto Carneiro levou a cabo, com a abertura de Universidades e ESEs ao privado, sem ter em conta a sua qualidade, Sócrates, a versão cavaquista do PS, está a dar o golpe de misericórdia na Escola Pública, através da sua capataz e carrasca Maria de Lurdes. Não admira, assim, que ao «mate-se» de Sócrates responda o «esfole-se» de Cavaco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cinco medidas a tomar pelos professores:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Deixarem-se de Modelos e Continentes fixos, que a paradigmática e a tectónica das placas desmentem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Todas as Marias de Lurdes, vulgo Lulus, devem ir ao registo civil e mudarem rapidamente de nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Enviarem um SMS ao Belmiro, de preferência, pela Optimus, para o ajudar na OPA à PT, agradecendo-lhe a defesa intransigente das causas dos professores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Comprarem todos os dias o Público e agradecer ao Zé o apoio dado à luta dos professores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Todos o que votaram PS enviarem uma carta ao Zé Sócrates, dando-lhe os parabéns pela sua política educativa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115134708849380678?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115134708849380678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115134708849380678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/ensino-pblico-ou-inimigo-pblico.html' title='ENSINO PÚBLICO OU INIMIGO PÚBLICO?'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115103064477536631</id><published>2006-06-23T03:41:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T03:44:04.783+01:00</updated><title type='text'>SAUDEMOS A FLORAÇÃO DAS TÍLIAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Páscoa natural está entre nós e as tílias seu altar-mor. “Naturemo-nos”, desnaturados, e celebremo-la na floração das tílias. Celebremo-la numa oração à natureza divina da divina Natureza. Saudemos, na floração das tílias, a ressurreição do vegetal. Saudemos, nas tílias, a Natureza e nossa fidelidade à Terra. Saudemos, na Terra, o ventre vegetal. Saudemos, nas tílias, as árvores, irmãs nossas antiquíssimas. Saudemos, nas tílias, a Cidade. Saudemos, nas nossas tílias, todas as árvores de todas as cidades do Mundo. Saudemos, na árvore, a metáfora da Criação e de Tudo amplexo. Saudemos, nas árvores, a Contemporaneidade. Saudemos, no reino vegetal, a alimentação empedocliana de terra, água, ar e fogo. Saudemos, na vegetalidade, os ombros da animalidade. Saudemos, na folhagem, o ar que respiramos. Saudemos, na seiva, o sangue nosso primitivo. Saudemos, nas raízes, o nosso amor à terra e às origens. Saudemos, no tronco, a Verticalidade. Saudemos, nas copas, o céu que tocam, as aves que as habitam e o vento que as agitam, sacodem e exercitam. Saudemos, na floresta, o mundo vegetal e seus medos, mistérios e virgindade antigos. Saudemos, na floresta, Enkidu e os cedros do Líbano. Saudemos, nas florestas africanas, a nossa Casa antiga, de onde, um dia, saímos, mal passo e atrevimento nossos, abalando pela savana da existência. Saudemos a saúde do natural, deste lado doente e artificial. Saudemos, na floração das tílias, o nascimento de Eros, que antes de ser animal foi vegetal. Saudemos, na floração das tílias, as primeiras flores que enfeitaram a Terra. Saudemos, na floração das tílias, o tempo de núpcias vegetais. Saudemos, na floração das tílias, a nossa floração. Saudemos, himeróticos, as tílias vestidas de erotismo. Saudemos os insectos que vêm, casamenteiros, à orgia vegetal. Saudemos, na perda de virgindade de miríades de corolas, os lábios de pétalas. Saudemos, na floração das tílias, o bacanal vegetal acima do bem e do mal. Saudemos, na desfloração, a floração. Saudemos, na floração das tílias, o cio da terra, da seiva e da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choremos a partida dos deuses da Terra. Choremo-la. Choremos a morte da natureza divina da Natureza que a metafísica, a racionalidade e a ciência sentenciaram. Oh, Terra antiga, Jardim dos deuses e os homens seus jardineiros! Expulsamos a humanidade superior divina e substituímo-la por um Deus estranho à Terra. Devastamos o Jardim e substituímo-lo pela Civilização. Expulsamos os olhos cheios de Natureza e substituímo-los por uma razão repleta de fórmulas e equações abstractas. Que importa ter uma teoria do Universo, se o Universo não tem nem precisa de teoria alguma? Que importa a teoria da criação, se não amamos as criaturas? Há mais verdade na iliteracia absoluta do que na absolutização da literacia. Há mais Universo no sentir do que no conhecer. Conhecer sem sentir é mentira científica como sentir sem sentimento é farsa artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso pecado original foi termos saído da Natureza. Queda irreversível. Saímos da naturalidade e entramos na artificialidade. Artificiais, artificiais, cada vez mais, artificiais, é o que nós somos. Não há baptismos nem políticas que nos limpem. Uns vão ao Jordão limpar-se, outros, pela mão de Rousseau e Marx, vão ao passado buscar o «bom selvagem» para curar o mau selvagem civilizacional. Não é pela vida nem pela História que voltamos a Casa, mas pela mão da morte, que ao pó natural nos restitui. Saudemos, nas floração das tílias, a saudade da naturalidade, que fomos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115103064477536631?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115103064477536631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115103064477536631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/saudemos-florao-das-tlias.html' title='SAUDEMOS A FLORAÇÃO DAS TÍLIAS'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115058191578159335</id><published>2006-06-17T23:01:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T12:11:34.323+01:00</updated><title type='text'>A Propósito do Filocafé: Bruno e Bruma</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;«Nenhum povo pode viver em harmonia&lt;br /&gt;consigo mesmo sem uma imagem positiva de si».&lt;br /&gt;[Eduardo Lourenço, in &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Labirinto da Saudade&lt;/span&gt;]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Se partirmos do paradigma de utopia, proposto por Ernst Bloch – iluminação antecipante (Vor-Schein) sobre o ainda-não-ser, por parte da consciência antecipante do sujeito –, muita da literatura portuguesa bem caberia nesse paradigma utópico. Vítor Aguiar e Silva, no seguimento da sua definição de utopia – «A expressão multímoda e ubíqua da esperança – a esperança como sentimento e emoção, mas sobretudo como um acto cognitivo constitutivo do futuro» –, lê o episódio da "Ilha dos Amores" à luz da categoria da utopia: «A progénie forte e bela anunciada por Vénus será a encarnação da utopia como energia transformadora do ser» , o «...semen de um mundo, de um tempo e de um homem novos» . Contudo, se a utopia é «acto cognitivo constitutivo do futuro», caberá nela a esperança messiânica, onde o desbravar cognitivo e activo do homem («antropologia optimista» ) é substituído por uma concepção teológica ou teleológica da História? Pensamos que não.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photobucket.com" target="_blank"&gt;&lt;img style="WIDTH: 657px; HEIGHT: 383px" height="764" alt="Photobucket - Video and Image Hosting" src="http://i2.photobucket.com/albums/y47/pomafidiro/bruno-filo.jpg" width="800" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas, se olharmos à esperança, sem mais, de esperança e messianismo é, logo, o berço da nacionalidade e o mito de Ourique; de esperança é o messianismo do Mestre, em Fernão Lopes; de esperanças realizadas, são os títulos de D. Manuel I; de esperança no futuro de Portugal e de D. Sebastião, são os seguintes versos do Épico: maravilha fatal da nossa idade, / Dada ao mundo por Deus, que todo mande, / Para do mundo a Deus dar parte grande (Lus., I, 6) // E.../ Dareis matéria a nunca ouvido canto (Lus., I,15); de esperança, foi o salmo sebastianista durante o cativeiro; de esperanças são as Esperanças de Portugal, que Vieira profetiza; de desesperança continuava a ser o tempo para a gente de nação e para quem pensasse em ser moderno; de esperança iluminista, é a literatura romântica que almeja uma pátria à luz da Modernidade; apesar do suicídio, de esperança, é a ontologia anteriana; de esperança, é o nacionalismo místico de António Nobre; de esperança universal, é O Encoberto de Sampaio Bruno; de esperança, é a República; de esperança, é a “era lusíada” e o saudosismo de Pascoaes; de desesperança, é o modernismo; de esperança e luta, é o neo-realismo literário; de esperança, é o paracletismo agostiniano; de esperança as portas que Abril abriu... As nossas revoluções, com excepção da de 1383-85, que trouxe algo de qualitativamente novo (sem ela as caravelas não teriam saído do Tejo), nada mais foram do que tentativas para recuperar tempo perdido. 1820, 1910 e 1974 foram fugas para a frente.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;A cumplicidade entre o religioso e o político, que acompanha toda a nossa História, com alguma excepção do nosso romantismo e da República, não podia deixar de se reflectir no mundo das ideias. Assim, desde o mito das origens de Portugal até Agostinho da Silva, há, apesar das diferenças, um pensamento que percorre uma certa história de Portugal: a missão sobrenatural de Portugal no Mundo e a consequente substituição do povo de Israel, como povo eleito, e de seu Deus (Javé) por Portugal e por um novo Deus (Cristo, Saudade, Paracleto). Contudo, a sistematização desta ideia – Portugal, como o outro eleito de Deus – só a encontramos presente, embora sob forma diferente, principalmente, em Vieira, Pascoaes e Agostinho da Silva. Teixeira de Pascoaes não só confirma o destino sobrenatural de Portugal como vê nele a pedra onde assentou e se edificou: «…este pensamento messiânico, redentor, sobrenatural, que já vem do longínquo alvorecer da Pátria e lhe deu independência e grandeza através dos séculos» .&lt;br /&gt;O que faz (melhor, fazia) de nós sermos semelhantes a Israel é a fragilidade dos nossos Estados. No resto, somos absolutamente diferentes: eles unidos na Diáspora, nós diluídos na Dispersão, eles ricos, nós pobres, eles messiânicos nacionalistas, nós messiânicos universalistas. Eles Javé (Estado nacional e histórico), nós Cristo (além e império espiritual), eles Pedro (nacionalismo), nós Paulo (internacionalismo). Eles, sem território e sem Estado, nunca perderam, ao longo de mais de dois mil anos, a nacionalidade, nós, apesar de com Estado e território durante oito séculos, temos uma nacionalidade frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As profecias são férteis em tempos de cativeiro, reflectindo elas a esperança e aspiração dos povos à sua libertação, porque como diz o salmo: Junto dos rios de Babilónia, ali nos assentámos e pusemos a chorar, lembrando-nos de Sião. (Salmo 136,1). Teve Israel mais profetas no tempo do cativeiro de Babilónia do que em toda a sua história. Do nosso cativeiro filipino emergiu o sebastianismo e, dizem, sobre ele já tinha profetizado Bandarra, em meados do século XVI: «Já o tempo desejado é chegado / Já se cerram os quarenta / Desta era, que se ementa / Por um Doutor já passado./ O rei novo é levantado, / Já dá brado, / Já assoma sua bandeira… / Saia, saia esse Infante / Bem andante! / O seu nome é Dom João. E se cativeiros nacionais fazem até os salgueiros chorar e mortos “desejar”, que dizer dos multinacionais? As profecias do Apocalipse de João – Caiu, caiu a grande Babilónia e converteu-se em habitações de demónios e em retiro de todo o espírito imundo e em guarida de toda a ave hedionda e abominável. / Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição; e os reis da terra se corromperam com ela e os mercadores se fizeram ricos com o excesso das suas delícias. // Ai, ai daquela grande cidade de Babilónia, aquela cidade forte; porque num momento veio a tua condenação. (Apocalipse, 18, 2, 3 e 10) – demoraram quatro séculos a realizarem-se, mas o desfecho traduziu-se, nunca o imaginaria o autor do Apocalipse, nas pazes entre Igreja e Estado: eleição do cristianismo como religião oficial de Roma, ou, segundo Agostinho da Silva, na venda da Igreja a Constantino.&lt;br /&gt;Se assim profetizou João, ansioso que a Besta (Roma), cabeça do Império, caísse, que dizer do som da Trombeta apocalíptica, que anunciará o fim do Império dos impérios, pois os gritos nesse tempo não serão somente das doze tribos de Israel, mas de todas as tribos do globo. Contudo, onde estão os profetas, se só ouvimos as línguas através das quais o Império fala e escreve nas consciências? Se Leo rugiet, onde estão os profetas, que não os ouvimos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do tempo, das distância e das Ideias, que separam Pascoaes (1877-1952) de António Vieira (1608-1697), três coisas há que lhes são comuns: ambos vivem num momento de crise da nacionalidade, ambos sistematizaram uma concepção mística da nacionalidade e ambos têm o seu apocalipse. Vieira, vivendo o cativeiro filipino e seu fim, insere a História de Portugal numa teologia da História, vendo nos profetas os “pontos” de Deus, que nos lembram o texto que cumprimos no &lt;em&gt;teatro do mundo&lt;/em&gt;. Pascoaes vê, na República, as condições para a saída da decadência e para o renascimento de Portugal (A «Renascença Portuguesa» teria aqui um papel importante), no sentido de ocupar o seu lugar de liderança espiritual no mundo, pois a nação predilecta da Saudade. A importância da Saudade na mundividência pascoaesiana só é perfeitamente entendida quando damos conta de que ela religa, ontologicamente, a tríade: espírito, matéria (queda), espírito (redenção). Quanto à visão apocalíptica, Vieira vê no Quinto Império, a consumação dos tempos, e Pascoaes, em Regresso ao Paraíso, substitui, apocalipticamente, o velho Deus por um novo Deus, a fim de salvar, prometeica e clementemente, a Humanidade condenada, abrindo, assim, uma nova era divina e humana.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Teixeira de Pascoaes continua, por um lado, o evolucionismo espiritualista, raiz da heterodoxia religiosa de muitos dos intelectuais do século XIX (espiritualismo naturalista de Antero, misticismo naturalista de Junqueiro e teodiceia positivista de Sampaio Bruno) e, por outro, enxerta nele a saudade e a missão transcendente de Portugal. Com a gradual substituição da matriz romântica pela decadente, a revolução romântica deu lugar ao retorno de ideais sebastianistas e messiânicos, com excepção daqueles republicanos que inseriam a inevitabilidade da República na lei dos três estados de Comte. A partir da última década do século XIX, o Zeitgeist (Espírito do Tempo) começou a ser claramente outro: o racionalismo (Kant, Hegel) dá lugar ao irracionalismo e ao inconsciente (Schopenhauer, Nietzsche e Eduard von Hartmann); o mesmo acontece com o progresso de Michelet, Proudhon e Comte, que é substituído pela decadência de Lombroso e de Max Nordau; e o espaço do romantismo progressista de Vítor Hugo começa a ser ocupado pelo simbolismo e decadentismo de Mallarmé e de Verlaine. A categoria histórica da decadência e a sua tradução estético-literária vieram exacerbar, ainda mais, e alimentar o trauma da nossa decadência nacional. Depois de uma breve racionalização da História de Portugal, que percorre o nosso romantismo e, paralelamente, os nossos republicanos positivistas e racionalistas, eis-nos, novamente, no refúgio da salvação sebastianista e a ressuscitar a missão sobrenatural de Portugal, ou, como escreve Sampaio Bruno, dizer a Pátria é «revoar para as zonas transcendentes». A consciência do estado da nação gerou, por parte dos românticos, revolução e, por parte dos “decadentes”, nacionalismo místico e, por alguns modernistas, indiferença.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Sampaio Bruno, depois de uma fase materialista (Análise da Crença Cristã e A Geração Nova), espiritualiza Comte, Hegel e Marx, mas estes deixaram-lhe marcas: a sua teodiceia positiva evolucionista não deixa de ser o lugar de encontro ecléctico entre o hegelianismo, o positivismo, o marxismo, o darwnismo, a ciência, a religião e, claro, Leibniz (1646-1716). A ideia central do Encoberto (1904) é a de que o fim da História – «ajudar a evolução natureza» a superar o não homogéneo – não é obra de homem individual, mas odisseia universal e colectiva: «Dissipe-se a nuvem que encobre o herói. O herói não é um príncipe predestinado. Não é o mesmo um povo. É o Homem» . E termina O Encoberto, parafraseando a Paráfrase do maior crente do sebastianismo – D. João de Castro –, com a profecia de um Quinto Império, mistura de religião, marxismo e comtismo, que há-de trazer a paz universal: «Porque, em todo o mundo, a Paz será» . O progresso iluminista deu lugar a uma metafísica de progresso. Para Sampaio Bruno, a evolução é o meio para Deus sair da imperfeição em que caiu, sendo o «fim do homem» «ajudar a evolução da Natureza», ou seja, a ajudar a sair Deus da imperfeição, porque Deus, como absoluto, aproximando-se aqui de Hegel, está no final dos tempos. Esta a ideia de Deus presente em a Ideia de Deus (1902). Aqui, Sampaio Bruno, seguindo Leibniz, visa um compromisso entre o velho e o novo, só que, em Leibniz, essa contradição traduziu-se em vida e, em Sampaio Bruno, pouco ou nada de qualitativamente novo gerou. Ao fim e ao cabo, nenhum destes nossos intelectuais se conseguiu libertar daquilo que criticaram – o religioso – e isto porque nunca tinha havido na nossa cultura uma reacção secular, propriamente dita, com excepção de Anastácio Cunha.&lt;br /&gt;A «Voz da Razão», de Anastácio da Cunha ou de quem quer que tenha sido, é o ponto mais alto do deísmo da nossa literatura nacional, superando, pela forma serena e racional, como vê a divindade, românticos e decadentes e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..........................................&lt;br /&gt;Se a razão, que do céu veio,&lt;br /&gt;Enganaste o triste humano,&lt;br /&gt;Não era a razão outrora,&lt;br /&gt;Era deus autor do engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se num ente limitado&lt;br /&gt;Não cabe uma acção imensa,&lt;br /&gt;Como pode a culpa humana&lt;br /&gt;Tornar-se infinita ofensa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…………………….&lt;br /&gt;Se ofende as leis sociais&lt;br /&gt;Evite-o a sociedade;&lt;br /&gt;Não tenham ligeiras culpas&lt;br /&gt;Castigos de eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;Grande Deus! Porque motivo&lt;br /&gt;A criação empreendeste?&lt;br /&gt;Que os homens te ofenderiam&lt;br /&gt;Acaso não conheceste?&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a providência previa&lt;br /&gt;Dos homens o precipício,&lt;br /&gt;Porque lhe deu (podendo)&lt;br /&gt;Mais forças que ao torpe vício?&lt;br /&gt;……………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi-nos dado a liberdade,&lt;br /&gt;Para podermos merecer;&lt;br /&gt;Porém nós, dela abusando,&lt;br /&gt;Quão funesta vem a ser!&lt;br /&gt;……………………….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois um presente escolhido,&lt;br /&gt;Que por um Deus nos foi dado&lt;br /&gt;Para fazer-nos felizes,&lt;br /&gt;Torna o homem desgraçado?…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me aproveita o ser livre,&lt;br /&gt;Se oculto motivo forte&lt;br /&gt;Sempre (oh céus!) me determina&lt;br /&gt;A obrar desta, ou de outra sorte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.B. Excertos retirados do ensaio (inédito) – &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Portugal: o outro eleito de Deus&lt;/span&gt; – de António Azevedo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115058191578159335?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115058191578159335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115058191578159335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/propsito-do-filocaf-bruno-e-bruma.html' title='A Propósito do Filocafé: Bruno e Bruma'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115057302171595787</id><published>2006-06-17T20:31:00.001+01:00</published><updated>2006-06-17T20:37:01.716+01:00</updated><title type='text'>10 de Junho</title><content type='html'>10 de Junho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O favor com que mais se acende o engenho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Não no dá a pátria, não, que está metida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; No gosto da cobiça e na rudeza &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dhua austera, apagada e vil tristeza.&lt;br /&gt;(Lus., X, 145) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que pensará Camões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre a sua ligação ao dia de Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da parada militar que Cavaco, como comandante supremo das forças armadas, ordenou que se fizesse, para se mostrar e mostrar o nosso brilho e poderio bélico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da fumaça, do barulho e da avaria do carro de combate que embarrilou a bélica parada? da censura que esta avaria foi alvo, tendo os media nacionais editado o mínimo de imagens, quando, nas televisões estrangeiras, foi fartamente divulgada, fonte de ridículo e alvo de chacota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do desfile de homens de fardas, de máquinas velhas e enferrujadas, de honras e continências, perante a tribuna enfeitada de chefes disto e daquilo que gastam os Símbolos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e de Cavaco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e do desconhecimento nosso e de Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e do seu dia, se o 10 de Junho é mais um dia feriado e menos o dia de Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e deste Portugal faz-de-conta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e da nova gesta nacional ser o futebol e a genialidade o saber fintar bem e dar uns chutos?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115057302171595787?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115057302171595787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115057302171595787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/10-de-junho_17.html' title='10 de Junho'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115057263978917188</id><published>2006-06-17T20:30:00.000+01:00</published><updated>2006-06-17T20:30:39.790+01:00</updated><title type='text'>Bush no Iraque</title><content type='html'>Bush avisou, com cinco minutos de antecedência, o “Presidente” do Iraque que ia encontrar-se com ele na embaixada americana em Bagdad! Do género: estou em Bagdad, na nossa embaixada. Não se importa de aparecer por cá? Há melhor forma de provar que o Iraque não é um país independente nem seguro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115057263978917188?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115057263978917188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115057263978917188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/bush-no-iraque.html' title='Bush no Iraque'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115057252986094059</id><published>2006-06-17T20:23:00.000+01:00</published><updated>2006-06-17T20:28:49.866+01:00</updated><title type='text'>Guantánamo</title><content type='html'>Guantánamo é um crime, que o silêncio cúmplice e miserável da Europa tolera e absolve, e uma vergonha civilizacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115057252986094059?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115057252986094059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115057252986094059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/guantnamo.html' title='Guantánamo'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115056841125449697</id><published>2006-06-17T19:16:00.000+01:00</published><updated>2006-06-17T19:20:11.263+01:00</updated><title type='text'>FUTEBOL: UM DESPORTO ACIMA DAS CLASSES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O futebol, mais do que um desporto de massas, é um desporto que atravessa toda a sociedade e, consequentemente, todas as classes. Se calhar, a coisa mais distribuída não é, como julgava Descartes, a razão, mas a emoção. O futebol é a ponte do falatório interclassista: um médico, um trolha, um professor, um polícia, todos discutem, todos argumentam, em pé de igualdade, os acontecimentos desportivos. Até me lembro de um presidente de um conselho directivo, não com o nosso voto, que o único jornal que lia era a Bola, entrando, na Escola, com ele debaixo do braço, com todo à-vontade e como se fosse a coisa mais natural e culta do mundo. Com um livro é que eu nunca o vi. Que seria das pessoas, sem o tempo e o futebol, para iniciarem e manterem uma conversa? Tem estado um frio dos diabos! Não acha? Está um calor insuportável! Nem à sombra se está bem. Passa-se o fim de semana em catarse futebolística e o resto da semana em euforia ou ressaca. O mundial de futebol está aí como meio de evasão para os problemas e para a crise. E para Sócrates o momento adequado para atacar a sério e a doer as vítimas do costume: professores e função pública. Antes da selecção partir para a gesta, ou para o naufrágio trágico-futebolístico, Cavaco não quis ficar atrás de Sócrates, tendo Belém recebido, tal como S. Bento tinha já feito, a caravela futebolística. A Federação, agradecida, ofereceu a ambos a camisola do 12.º jogador. Podia lá um político dizer que não gostava de futebol! Lá se ia a sua imagem populista, sem a qual as vitórias eleitorais estariam condenadas ao fracasso. E como condenar a idolatria ao jogador de futebol e aos ídolos da pop music que alguns manuais escolares não deixam de fazer, se Cavaco a alimenta?: «Faço votos para que o vosso brio, a vossa luta para vencer e o desportivismo sejam exemplo para as nossas crianças». E que dizer quando os “poetas” fazem poemas a Figo? A indústria futebolística, apesar de ter já levado o futebolista para a passerelle e a passerelle para o relvado, tudo está a fazer para levar as mulheres para os estádios, fazendo-lhes crer que sem futebol a sua libertação e a igualdade de direitos face ao homem não estarão completos. E lá foram elas, aos milhares, para o estádio nacional a alimentar o patriotismo da emoção. O futebol é a nova religião, com catedrais próprias, onde, em lugar de Deus, estão os ídolos, e, em vez da intimidade, do silêncio e da oração, está a descarga catártica: berros, palavrões, pancadaria ou a vitória que falta na vida. Os judeus e seus irmãos semitas islâmicos têm só um dia no ano para apedrejar o satanás e o bode. Está visto que é pouco. Importem o futebol, elegendo-o como desporto nacional, e terão um árbitro, para apedrejar ao sabat e às sextas, como nós já o fazemos aos domingos. Ele é o panem et circenses dos tempos de hoje. E para aqueles que não podem ir ao futebol o futebol vem a eles: as televisões trazem-no a casa, fazendo, por altura dos jogos dos “grandes”, um assédio tal que não há outro remédio, senão desligar o televisor, porque não há para onde fugir.&lt;br /&gt;Os jornais diários desportivos, por sua vez, têm mais saída do que os de “informação” e não há canal televisivo que não tenha o seu painel de comentadores para a ressaca futebolística. E que seria do nosso patriotismo sem o futebol? Sem mar, sem caravelas, sem império, sem conquistas fora e dentro de nós, a selecção é, hoje, o esteio da lusa pátria. PS. Cuidado, professores e funcionários públicos! Sócrates já montou a estratégia: os pontos da lança da sua política – Teixeira dos Santos, Maria de Lurdes e Vieira da Silva – estão a postos para entrar a matar, à margem da lei e à canelada, escondidos pelo futebol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115056841125449697?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115056841125449697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115056841125449697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/futebol-um-desporto-acima-das-classes.html' title='FUTEBOL: UM DESPORTO ACIMA DAS CLASSES'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29860317.post-115056778924857232</id><published>2006-06-17T19:08:00.000+01:00</published><updated>2006-06-17T19:09:49.263+01:00</updated><title type='text'>CARTAS A SÓCRATES (V) - “Lecciones del norte” e “Os suspeitos do costume.”</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Ensinamentos do norte”: este o título de um artigo de opinião do jornal El País, de finais de Abril, da autoria de Jeffrey D. Sachs, catedrático de Economia e director do Earth Institute da Universidade de Columbia e traduzido por News Clips. Vamos, então, aos ensinamentos. O autor abre o artigo com este “pragmatismo”: «Se o mundo gastasse mais tempo a analisar o que verdadeiramente funciona ou não, haveria menos discussões sobre economia». Isto a propósito da questão: «como combinar as forças do mercado e a segurança social». «A esquerda, continua o autor, pede um aumento da protecção social; a direita diz que, ao fazê-lo, debilitaria o crescimento económico e aumentaria os défices que a sustentam». Mas o que nos diz a experiência dos países nórdicos – Dinamarca, Finlândia, Islândia, Holanda, Noruega e Suécia – é que eles não só «souberam combinar a assistência social com níveis de rendimento elevados e com um crescimento económico sólido e a estabilidade macroeconómica» como «alcançaram uma elevada qualidade de governo». O autor faz, em seguida, uma comparação dos dados estatísticos, em vários domínios, entre os países nórdicos e os EEUU, com claro prejuízo para estes. Lemos, ainda, que os impostos nacionais nos países nórdicos são superiores a 30% do PIB e que é a «fiscalidade elevada que mantém, à escala nacional, a atenção sanitária, a educação, as pensões e outros serviços sociais, dando como resultado níveis baixos de pobreza...». E notem, melhor, sublinhem, senhores editorialistas, opinadores e comentadores, defensores de pensamento e sentido único para a História: «Os países nórdicos não são economias “socialistas”, baseadas na propriedade e planificação estatal, mas economias de “Estado do bem-estar”, baseadas na propriedade privada e nos mercados, com serviço público de protecção social». Jeffrey Sachs lembra ainda que: «O importante é que investem fortemente em educação superior e em ciência e tecnologia, de forma que se mantêm na vanguarda das indústrias de alta tecnologia». E quanto à longevidade: «a esperança de vida aproxima-se, nos países nórdicos, dos oitenta anos...». A propósito da esperança de vida, vale a pena recordar “Os suspeitos do costume”, título da coluna de Manuel António Pina, de 10 de Maio de 2006, autor de Por outras palavras, na última página do JN, que, com os seus duzentos caracteres, mais coisa menos coisa, vale o jornal. Face às razões que nos apontam, mas não explicam, para a causa de estarmos na cauda da Europa – envelhecimento da população e a falta de produtividade –, eis o contraditório do cronista: «A idade média dos portugueses (40,6 anos) é inferior à dos finlandeses (41,3 anos), dos suecos (40,9 anos) e dos dinamarqueses (40,7 anos); os 66,3% dos portugueses em idade “produtiva”, isto é entre os 15 e 64 anos, são mais que os suecos (65,7%), os noruegueses (65,9%) ou os dinamarqueses (66,1%); e os nossos idosos são menos (17,2% em Portugal contra, por exemplo, 17,6 na Suécia)». E conclui: Se a causa para o nosso atraso fosse o envelhecimento da população, então, «deveríamos estar melhor do que as melhores economias da Europa». Quanto à segunda causa do nosso atraso: a produtividade. Se não há queixa quanto à produtividade dos trabalhadores portugueses nos vários países do mundo onde estão emigrados, a causa não estará noutro lado? «Não será altura de, por uma vez, pensarmos nas empresas e nos empresários que temos, e nos políticos que temos, em lugar de nos desculparmos sempre com os nossos velhos e os nossos trabalhadores»? Pergunto-me: a Finlândia de que Sócrates fala e quer imitar onde fica? E por que não contratar um primeiro-ministro nórdico que, sem mudar de camisola, nos “norteie”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29860317-115056778924857232?l=caldeiraazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115056778924857232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29860317/posts/default/115056778924857232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caldeiraazevedo.blogspot.com/2006/06/cartas-scrates-v-lecciones-del-norte-e.html' title='CARTAS A SÓCRATES (V) - “Lecciones del norte” e “Os suspeitos do costume.”'/><author><name>António Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07987676425494510797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_q8r1IS9Gd8k/TGlq89KOm1I/AAAAAAAAACc/DDAurDEPCMU/S220/ant%C3%B3nio.jpg'/></author></entry></feed>
