sábado, 17 de junho de 2006

10 de Junho

10 de Junho

O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza.
(Lus., X, 145)


Que pensará Camões:

sobre a sua ligação ao dia de Portugal?

da parada militar que Cavaco, como comandante supremo das forças armadas, ordenou que se fizesse, para se mostrar e mostrar o nosso brilho e poderio bélico?

da fumaça, do barulho e da avaria do carro de combate que embarrilou a bélica parada? da censura que esta avaria foi alvo, tendo os media nacionais editado o mínimo de imagens, quando, nas televisões estrangeiras, foi fartamente divulgada, fonte de ridículo e alvo de chacota?

do desfile de homens de fardas, de máquinas velhas e enferrujadas, de honras e continências, perante a tribuna enfeitada de chefes disto e daquilo que gastam os Símbolos?

e de Cavaco?

e do desconhecimento nosso e de Portugal?

e do seu dia, se o 10 de Junho é mais um dia feriado e menos o dia de Portugal?

e deste Portugal faz-de-conta?

e da nova gesta nacional ser o futebol e a genialidade o saber fintar bem e dar uns chutos?

Bush no Iraque

Bush avisou, com cinco minutos de antecedência, o “Presidente” do Iraque que ia encontrar-se com ele na embaixada americana em Bagdad! Do género: estou em Bagdad, na nossa embaixada. Não se importa de aparecer por cá? Há melhor forma de provar que o Iraque não é um país independente nem seguro?

Guantánamo

Guantánamo é um crime, que o silêncio cúmplice e miserável da Europa tolera e absolve, e uma vergonha civilizacional.